Cobrança seletiva? O silêncio do PL goiano diante das denúncias contra Flávio Bolsonaro
A velha máxima atribuída à política brasileira, “aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei”, continua extremamente atual. Em tempos eleitorais, ela se revela principalmente na forma seletiva com que muitos agentes públicos escolhem quem será cobrado, criticado ou poupado.
A política séria não pode ser guiada por coleguismo, conveniência ou alinhamento ideológico. A exigência de transparência deve valer para todos, independentemente do partido, da amizade ou da posição ocupada no cenário político. Quando a cobrança é dura contra adversários, mas tímida diante de aliados, cria-se a percepção de que princípios são apenas instrumentos de ocasião.
Isso se torna ainda mais contraditório quando parte desses mesmos políticos afirma seguir valores cristãos. O ensinamento bíblico “seja o seu sim, sim; e o seu não, não” expressa claramente a ideia de coerência moral: o discurso precisa permanecer firme mesmo quando envolve pessoas próximas ou situações politicamente desconfortáveis. A ética perde credibilidade quando muda conforme a conveniência do momento.
Diante disso, surge uma pergunta inevitável: a quem o político deve lealdade? Ao povo que o elegeu ou a grupos políticos e caciques eleitorais que agem conforme interesses particulares? O mandato existe para representar a sociedade, não para blindar aliados.
Se há firmeza na cobrança contra o PT e demais opositores, o mesmo rigor deve existir com integrantes do próprio campo político. Caso contrário, a indignação deixa de ser combate à corrupção e passa a ser apenas disputa de narrativa. Corrupção, favorecimento e tráfico de influência não escolhem ideologia; atingem todos os espectros políticos.
Essa incoerência ficou evidente nas recentes postagens do senador Wilder Morais diante das denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro. O caso ganhou repercussão após a divulgação de um áudio em que Flávio Bolsonaro solicita recursos ao empresário Daniel Vorcaro. Mais do que o pedido em si, chamou atenção o grau de intimidade demonstrado na conversa, marcada por expressões como “estamos juntos sempre”, “irmão” e “você me deu liberdade para cobrar”, evidenciando uma relação de forte proximidade pessoal.
Ainda assim, não se trata de defender condenações antecipadas ou julgamentos sem investigação. O próprio Ronaldo Caiado adotou uma postura mais equilibrada ao cobrar explicações de Flávio Bolsonaro sem fazer pré-julgamentos. Essa é a diferença entre responsabilidade pública e blindagem política: exigir esclarecimentos não significa condenar previamente, mas sim respeitar o dever de transparência que qualquer figura pública deve à sociedade.
O problema começa quando aliados preferem o silêncio absoluto ou relativizam situações que certamente seriam tratadas com indignação caso envolvessem adversários políticos. A democracia enfraquece quando a régua moral muda conforme o sobrenome, a legenda ou a proximidade pessoal.
No fim, coerência não deveria ser uma virtude rara na política; deveria ser uma obrigação básica. Porque o eleitor percebe quando princípios são verdadeiros e quando servem apenas como discurso de campanha.
O post Cobrança seletiva? O silêncio do PL goiano diante das denúncias contra Flávio Bolsonaro apareceu primeiro em Jornal Opção.
Qual é a sua reação?
Como
0
Não gosto
0
Amor
0
Engraçado
0
Nervoso
0
Triste
0
Uau
0