DIA DAS MÃES – Como vivem as “mães à distância”?
Claudia Iembro
claudia@ofarroupilha.com.b
Domingo é Dia das Mães. Depois de tantos anos trazendo a você, leitor, os mais diversos tipos de mães com suas histórias incríveis de amor e dedicação, encontramos aquelas que aprenderam a ser mães mediante as decisões de seus filhos, que partiram para longe, ensinando a elas um novo modo de amar: à distância.
À mesa, o lugar ficou vazio; o quarto pode até ter mudado sua função e o celular nunca mais ficou no silencioso porque a qualquer momento o filho pode chamar, ou mandar uma mensagem. Partes de um cenário que se desenha a partir do momento que o filho decide voar para traçar seu próprio caminho.
“Pensei e falei: Do que adianta ter filhos, se é para viver longe? Não gostei da ideia dela em ir fazer faculdade em Porto Alegre. No fundo eu sabia que ela não retornaria para morar em casa. Agora está casada e mora em Brasília, há 11 anos”, conta Ivone Vendrusculo, mãe de Carolina Maria Vendrusculo, 38 anos, ao relembrar como reagiu quando a filha falou que sairia de casa.
Depois destes anos, a relação das duas ganhou valorização acentuada quando estão juntas. “O tempo nunca é suficiente. Agradeço ao whatsapp porque posso vê-la e falar com ela sempre. Saudade é um sentimento que me acompanha no dia a dia, mas também sou agradecida pela pessoa que minha filha se tornou. Profissional competente, esposa atenciosa, filha querida, sempre atenta, que mesmo à distância, procura resolver as necessidades dos pais”, diz Ivone.
Outra união fortificada ainda mais com a distância, foi a de Anita Pasqual e a filha Amanda Maioli Pasqual, de 33 anos, que há dois anos reside na Itália – atualmente em Torino, no norte do País. “Acredito que estamos mais unidas, conversamos muito mais agora do que quando ela morava aqui”, afirma Anita. Amanda foi trabalhar e conhecer novas culturas. Bacharel em Direto, começou por lá trabalhando com faxinas em residências e atualmente é secretária em uma empresa de drones.
“Quando ela nos comunicou que estavam pensando em ir morar fora do País fiquei muito apreensiva, o namorado foi junto para a Itália, pois seria uma mudança radical. No início não acreditei que isso iria acontecer, mas com os documentos para a cidadania italiana tive a certeza que iriam mesmo. Confesso que está difícil acostumar com ela longe, pois sempre fomos muito unidas, mas procuramos não passar para ela nossa apreensão”, entrega Anita.
Mais uma relação que a distância não esfria é a de Danielle Marcolla e o filho Homero Vinicius, 30 anos, gerente de restaurante em Campeche, Florianópolis. “Quando ele resolveu ir embora, há oito anos, foi um choque, fiquei muito ansiosa, e fiquei assim até ir visitá-lo”, afirma.
Ela e o filho também conversam sempre. “Conversamos toda semana, quase sempre por mensagem, e isso ajuda a manter o vínculo forte e cheio de carinho. Temos uma relação muito boa, baseada em diálogo e confiança. Existe uma abertura verdadeira para falar sobre tudo, e isso faz toda diferença”, acrescenta Danielle, que ainda é mãe de Anna, esta sim, por perto.

O que é ser mãe à distância?
“Ser mãe à distância é superar a ausência todos os dias. Minha filha é minha melhor amiga. Busco com ela resolver as dúvidas que muitas vezes não sei fazer sozinha! Ela me ajuda em tudo: como lidar no computador, com a doença da Chiquinha, minha calopsita, assuntos domésticos, que roupa usar em tal ocasião, enfim…”, define Ivone.
“É uma preocupação constante, carregada de saudades, de vontade de abraçar muito e de não deixar mais ir embora. Fico me perguntando se ela está bem, se alimentando corretamente, se está passando por alguma necessidade, essas coisas que toda mãe se preocupa mesmo que os filhos tenham 30 anos”, confessa Anita.
“A saudade de um filho não é apenas ausência, é um vazio que tem nome, rosto e lembranças vivas. É sentir falta do cotidiano, das conversas simples, do abraço demorado, dos pequenos gestos que antes passavam despercebidos. É uma saudade que não se acostuma. Ela se transforma. Em alguns dias, aperta no peito; em outros, se disfarça em silêncio, mas nunca deixa de existir”, admite Danielle.

Às mães como ela
As palavras de Ivone são carregadas de fé. “Eu diria que os filhos nossos são também para a vida deles! Temos de acompanhá-los, mesmo de longe. Aconselhar e ficar bem perto, através dos meios que dispomos. Eles precisam de mães e pais enquanto estamos aqui na Terra. Pedir a Deus em todos os momentos de oração para que os abençoe, proteja e os guarde de todos os perigos do mundo sempre deixa nosso coração mais tranquilo”.
A expressão de Anita traz a força da realidade. “Temos que aceitar a decisão dos filhos, por mais que isso nos faça sofrer! Temos que pensar no bem-estar deles, são decisões que dizem respeito à vida deles! E eles são os únicos condutores de suas vidas, cabe a nós, família, aceitar e respeitar essas escolhas! O importante é que sejam felizes, longe ou perto! ”.
Danielle também exalta o factual. “É difícil não ter por perto quem a gente ama, mas criar um filho também é prepará-lo para o mundo. E o fato de ele estar seguindo o caminho dele diz muito sobre o amor e a força que você ofereceu”.

E o Dia das Mães?
Ivone vai matar a saudade de Carolina. “Sou grata porque, neste ano, estou indo ao encontro de minha filha para passar o Dia das Mães, que é muito especial e não dá para não estar junto da filha querida. É um dia para agradecer a Deus pelo dom da maternidade. Estou feliz por poder passar a data junto dela”, comemora. “A saudade é diária, mas com a simbologia do Dia das Mães parece que aumenta! Tenho próximo a mim meu filho Júnior, que é tão amado quanto a Amanda e isso faz com que a saudade amenize um pouco”, diz Anita.
“O Dia das Mães intensifica a saudade porque as memórias voltam com força, mas os filhos são para mundo e o amor de mãe aprende a conviver com a distância, transformando saudade em presença constante dentro do coração”, finaliza Danielle.
- Ao ouvir as mães desta reportagem, impossível não sentir a força do vínculo que desconhece a quantidade de quilômetros porque esteja onde estiver, ou passe o tempo que passar, amor de mãe vai ser sempre poderoso, vai ser sempre “casa”.
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