‘Fomos abandonados’: o drama dos funcionários demitidos da Eletrobras pós privatização

Feb 1, 2026 - 15:00
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‘Fomos abandonados’: o drama dos funcionários demitidos da Eletrobras pós privatização

Os trabalhadores forem demitidos após a privatização de Eletroabras pelo governo Bolsonaro-Paulo Guedes e o governo Lula precisa resolver esse problema readmitindo os trabalhadores, conforme o PL aprovado no Congresso…Pra ontem, isso!…Veto do presidente Lula foi uma bola fora e precisa ser revisto – J R Braña B.


Por Carla Castanho, no GGN de Luis Nassif – O Movimento Reaproveita Brasil, formado por ex-funcionários da Eletrobras, denunciou à TV GGN [confira abaixo] o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto de lei (PL 1.791/2019) que permitiria o reaproveitamento de empregados desligados após o processo de privatização da estatal.

A medida, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional, visava reincorporar cerca de 20 mil trabalhadores qualificados em outras empresas públicas, mas foi vetada sem que os interessados fossem ouvidos.

Fernanda Lagrotta, advogada e ex-ouvidora geral da Furnas, resumiu o drama enfrentado pelos trabalhadores. “A primeira medida de uma iniciativa privada é a redução de custos. E os maiores impactados fomos nós, que estávamos na empresa a vida toda, nos dedicando, sendo treinados e investidos pelo Estado, prestando serviço de natureza nacional e estratégica. Fomos simplesmente abandonados, desligados. A maior parte, 80%, tem mais de 50 anos.

Mariana Bezerra, também advogada e ex-funcionária da Chesf, detalhou o procedimento das demissões. “O processo foi terrível. Eu fui demitida numa reunião pelo Teams, com a minha gerente no Rio de Janeiro, uma pessoa do RH como testemunha. Foi no meio do expediente, de uma forma absolutamente descartável. Se Fernanda contar a circunstância dela, verá que a minha situação não foi nem a pior.

Segundo Fernanda, a privatização foi realizada sem respeito ao Art. 10 da Constituição, que garante participação dos trabalhadores em decisões que afetam seus empregos. “E continua sendo dessa forma. Hoje, o governo que nos permitiu ingressar na estatal não conseguiu reestatizar a Eletrobras e ainda vetou o nosso reaproveitamento”.

Entenda o PL e a luta dos trabalhadores da Eletrobras

O PL 1.791/2019, do deputado Assis Carvalho (PT-PI), prevê que trabalhadores de empresas estatais do setor elétrico privatizadas possam ser reaproveitados em outras empresas públicas. Aprovado nas duas casas no início de dezembro de 2025, a proposta acabou vetada pelo presidente Lula em 29 de dezembro.

Para as convidadas da TV GGN, o veto (50/2025) se baseou nos mesmos argumentos já usados na gestão de Jair Bolsonaro, a fim de alegarem suposto impacto orçamentário, mas, na prática, não haveria custo adicional para o governo.

O PL, na verdade, consiste em apenas um artigo, que estabelece o reaproveitamento dos empregados concursados do setor elétrico em outras empresas estatais. Esse mecanismo já existe para servidores públicos e garantiria que trabalhadores experientes e qualificados, que dedicaram décadas às empresas da Eletrobras, pudessem continuar a prestar serviços essenciais à população sem gerar despesas extras.

Segundo o movimento, o reaproveitamento não dependeria de recursos do orçamento público, pois as próprias estatais geram os recursos necessários para custear seu pessoal. Somente no Banco do Brasil, existem atualmente cerca de 35 mil vagas em aberto, número suficiente para absorver os cerca de 20 mil funcionários desligados da Eletrobras.

Além disso, o veto ignora o caráter estratégico da energia elétrica. A gestão de uma estatal desse porte não é apenas uma escolha de governo, mas uma decisão de Estado, diretamente ligada à segurança nacional e ao fornecimento de serviços essenciais. A privatização, realizada sem diálogo com os empregados, desconsiderou a experiência acumulada e os vínculos com a administração pública, deixando milhares de trabalhadores em situação de vulnerabilidade.

O jornalista Luis Nassif, ao ouvir as convidadas, criticou a atuação do grupo Lemann na Eletrobras, evidenciando como a participação de investidores privados transforma empresas estratégicas em instrumentos de lucro. Trata-se, segundo ele, de um modelo de capitalismo predatório que ignora o interesse público e o conhecimento técnico acumulado pelos trabalhadores, disfarçando suas medidas de desmonte sob o discurso de “modernização” e resultando em demissões em massa e precarização do trabalho especializado.

Nesta sexta (30), o Movimento Reaproveta Brasil (MRB) foi ouvido pelo ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência da República. Na reunião, o MRB destacou os equívocos do veto presidencial e a ausência de impacto orçamentário na reintegração de empregados concursados e demitidos após a privatização da Eletrobras. Boulos se comprometeu a tratar a derrubada do Veto 50/2025 (PL 1791/2019) com outros ministérios, e o MRB seguirá acompanhando o processo.

(No GGN)

 

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