Governo Trump detalha exigências ao Irã e planos para América Latina

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, concedeu entrevista à Al Jazeera na qual detalhou a posição dos Estados Unidos sobre a política externa, incluindo Irã, Estreito de Ormuz, Venezuela e Cuba. Rubio falou sobre medidas militares, diplomacia e a atuação de aliados estratégicos, fornecendo detalhes até então não divulgados sobre as prioridades de Washington.
Irã e programa nuclear
Rubio afirmou que o Irã não pode possuir armas nucleares e precisa interromper o desenvolvimento de mísseis capazes de atingir seus vizinhos: “O regime iraniano nunca pode possuir armas nucleares, e eles precisam parar de patrocinar o terrorismo, e precisam parar de fabricar armas que possam ameaçar seus vizinhos. Esses mísseis de curto alcance têm apenas um propósito: atacar a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Qatar, o Kuwait e o Bahrein.”
O secretário ressaltou que o Irã possui milhares desses artefatos e que mantém ambições nucleares que, segundo ele, não serão permitidas: “Acredito que eles precisam tomar medidas demonstráveis no sentido de abandonar qualquer ambição de possuir armas nucleares. Se o que eles desejam é energia nuclear, existem vários países na região que já possuem ou em breve possuirão energia nuclear, e eles vão fazê-lo por meio de um mecanismo bem estabelecido, com o qual todos os demais concordaram: que é permitir combustível importado. O que eles não podem ter é um sistema que lhes permita, de forma rápida, transformar esse material em armas.”
Rubio também afirmou que o Irã mentiu recentemente sobre a capacidade de seus mísseis: “Vimos recentemente um episódio em que eles mentiram: afirmaram não possuir mísseis de longo alcance e, em seguida, dispararam dois que ultrapassaram em muito o alcance que, segundo o próprio ministro das Relações Exteriores deles havia declarado poucos dias antes, eles não teriam capacidade de alcançar.”
Estreito de Ormuz e controle de vias navegáveis
O secretário abordou a importância estratégica do Estreito de Ormuz, principal rota de escoamento de petróleo para o mercado global: “Não só a soberania sobre o Estreito de Ormuz não é aceitável para nós, como não será aceitável para o mundo. Ninguém no mundo pode aceitar isso.”
Rubio explicou que o Estreito permanecerá aberto e que uma coalizão internacional poderá assegurar o fluxo de energia: “O Estreito de Ormuz vai estar aberto. Quando esta operação for concluída, ele estará aberto e estará aberto de uma forma ou de outra. Estará aberto porque o Irã concorda em acatar o Direito Internacional e não bloquear essa via navegável comercial, ou uma coalizão de nações de diversas partes do mundo e da própria região, com a participação dos Estados Unidos, assegurará que esteja aberto.”
Ele ainda comentou sobre a ameaça de grupos como os houthis: “A intenção, seja por parte dos houthis, de um lado, ou do Irã, de outro, é fechar essas vias navegáveis internacionais e transformá-las em uma espécie de ‘pedágio’, onde basicamente é preciso pedir a permissão deles para utilizá-las e escoar produtos para dentro e para fora dos mercados. Isso simplesmente não é algo que aceitaremos; e o mundo também não deveria aceitar.”
Política americana na América Latina
Rubio comentou a situação da Venezuela após a captura do presidente Nicolás Maduro e detalhou a estratégia de Washington para estabilizar o país: “A Venezuela está agora vendendo seu petróleo no mercado global pelo preço integral, o dinheiro retorna ao povo venezuelano, é investido na compra de produtos e equipamentos médicos, no pagamento de professores, policiais e trabalhadores da área de saneamento e coisas dessa natureza. A segunda fase, que ocorre após a estabilização, é um período de recuperação, no qual se busca restabelecer os elementos do país que lhe permitem prosperar e crescer; isso envolve atrair as empresas de volta, criando o tipo de estabilidade que traz os negócios de volta. Estamos começando a ver isso acontecer. Mas também se vê a vida civil retomando. A mídia independente agora tem permissão para operar. Prisioneiros políticos foram libertados. Partidos políticos estão se formando novamente. As pessoas estão se manifestando e participando da vida pública.”
Sobre Cuba, Rubio afirmou que o país precisa de reformas profundas: “Cuba precisa implementar reformas muito sérias, tanto em seu governo quanto em sua economia. Se estiverem dispostos a fazê-lo, nós os ajudaremos. Nós não tomamos nenhuma medida punitiva contra o regime cubano. A única coisa que mudou para o regime cubano é que eles não recebem mais petróleo venezuelano de graça. Esses apagões que estão ocorrendo e que vi pessoas relatando não têm absolutamente nada a ver conosco.”
Relação com aliados internacionais
Questionado sobre a atuação de aliados da Otan, Rubio destacou dificuldades operacionais: “Tudo isso terá de ser reavaliado. Se a Otan serve apenas para defender a Europa caso seja atacada, mas nega-nos direitos de utilização de bases quando precisamos deles, esse não é um arranjo muito bom.”
Ele ainda frisou que os Estados Unidos trabalham com aliados regionais e globais para manter estabilidade: “O Estreito de Ormuz estará aberto porque o Irã concorda em acatar o Direito Internacional e não bloquear essa via navegável comercial, ou uma coalizão de nações de diversas partes do mundo e da própria região, com a participação dos Estados Unidos, assegurará que esteja aberto.”
A entrevista ofereceu um panorama detalhado da política externa americana sob o ponto de vista do secretário de Estado, revelando a combinação de medidas diplomáticas, militares e estratégicas que Washington adota para lidar com ameaças internacionais e garantir a estabilidade econômica e política, tanto no Oriente Médio quanto na América Latina.
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