Jacaré, cobra d’água e porco espinho nas alianças eleitorais
A legislação eleitoral permite uma miríade de composições que se fazem para a eleição presidencial e para a disputa nos estados. Não necessariamente coerentes.
Por Luciano Siqueira – de Brasília
Como sempre, nada surpreende no episódio eleitoral.
Feito o toré, na melhor tradição das tribos indígenas nordestinas, polos em disputa condicionam os sentidos da dança e cada um se pinta conforme as forças que arregimenta.

A legislação eleitoral permite uma miríade de composições que se fazem para a eleição presidencial e para a disputa nos estados.
Não necessariamente coerentes.
Não há e nunca houve uniformidade de legendas partidárias quanto às dimensões nacional e estadual das alianças.
Agora, Lula se fortalece, passo a passo, na esteira do bom desempenho da economia — que se reflete na vida do povo —, politização do discurso do presidente e do governo e da possibilidade de alargar mais ainda a frente ampla.
No polo oposto, a extrema direita e o centro mais conservador se esgarçam na disputa entre o bolsonarismo e a busca de uma alternativa competitiva que corresponda aos propósitos do capital financeiro, do agro mais reacionário e do complexo midiático dominante.
Em âmbito estadual, a diversidade de situações, aparentemente incoerentes, é a tônica.
Governadores que tentam a reeleição — no Nordeste, sobretudo — no mínimo não hostilizam o presidente, ou o apoiam, em razão das tendências do eleitorado, captada pelas pesquisas.
Fileiras
O PCdoB não se vê em condições de apresentar nomes das suas próprias fileiras para a disputa majoritária, mas cumpre papel ativo na feitura das coligações mercê de orientação tática consequente. Como disse certa vez um proeminente prócer emedebista, “na frente ampla quando não podem ser tijolo, os comunistas agem como a argamassa que une”.
Uma séria ameaça: a não superação da atual correlação de forças na Câmara e no Senado. Tudo a ver com o uso das emendas parlamentares na preservação das bases municipais dos atuais detentores de mandatos e a fortíssima influência (à margem da lei) do poder econômico.
O nível de consciência do eleitorado, ainda limitado, pode ser em algum nível melhorado e os laços políticos com trabalhadores e camadas populares a depender do conteúdo, das formas e dos métodos de campanha das corrente de esquerda — não apenas nas redes, mas igualmente nos salões e nas ruas.
É possível recuperar os laços políticos com os trabalhadores, a juventude e camadas populares no curso da batalha? Em certa medida, sim — a depender do discurso e das formas e métodos de campanha praticados pelas correntes de esquerda.
Luciano Siqueira, é médico membro do Comitê Central do PCdoB e secretário nacional de Relações Institucionais, Gestão e Políticas Públicas do partido, foi deputado estadual em Pernambuco e vice-prefeito do Recife.
As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil
Qual é a sua reação?
Como
0
Não gosto
0
Amor
0
Engraçado
0
Nervoso
0
Triste
0
Uau
0