Três dias após perderem cargo de chefia, investigadores são afastados
Três dias após perderem os cargos de chefia, os investigadores da Polícia Civil Célio Rodrigues Monteiro, o “Manga Rosa”, e Edivaldo Quevedo da Fonseca foram afastados compulsoriamente da corporação. Os servidores foram presos durante a operação Iscariotes, deflagrada pela Polícia Federal no dia 18 de março. O afastamento dos investigadores foi publicado no Diário Oficial de Mato Grosso do Sul desta segunda-feira (23) e é assinado pelo corregedor-geral da Polícia Civil, delegado Clever José Fante Esteves. Segundo o texto, o afastamento ocorre após decisão judicial que decretou a prisão preventiva dos servidores, no âmbito de investigação conduzida pela Justiça Federal que apura o envolvimento de servidores no contrabando de mercadorias e na lavagem de dinheiro. Além do afastamento das funções, a Corregedoria determinou uma série de medidas administrativas, incluindo o recolhimento de arma funcional, carteira policial e demais itens institucionais, bem como a suspensão de acessos a sistemas internos da Polícia Civil. Também foi instaurado procedimento disciplinar para apurar a conduta dos investigadores. A decisão tem efeito retroativo à data do cumprimento dos mandados de prisão, ocorrido em 18 de março de 2026. A Polícia Civil informou que o caso segue sob análise correcional e que as investigações continuam em andamento. Na sexta-feira (20), foram publicadas no Diário Oficial as dispensas das funções de confiança de chefe de seção para os dois investigadores. Manga Rosa estava lotado na Delegacia de Sidrolândia e Quevedo na 5ª Delegacia da Capital, onde foram cumpridos mandados de busca. Operação - Durante a operação, 200 policiais federais cumpriram cerca de 90 ordens judiciais, sendo 31 mandados de busca e apreensão, 4 mandados de prisão preventiva, 1 monitoramento eletrônico, 2 afastamentos de função pública, 6 suspensões de porte de arma e bloqueio de bens de 12 pessoas físicas e jurídicas, que somam cerca de R$ 40 milhões. A investigação revelou esquema envolvendo policiais civis e militares, da ativa e aposentados, para transportar mercadorias ilegais. O grupo ainda atuava na lavagem de dinheiro para ocultar a origem dos valores obtidos com a prática criminosa. Os policiais estiveram em endereços no Bairro Universitário e no condomínio Alphaville, além dos 4 boxes no Camelódromo e duas lojas em um posto de gasolina pertencentes a Clenio Alisson Tavares e o filho dele Brendon Alisson Medeiros Tavares. Além das delegacias onde Edivaldo e Célio estavam lotados, os dois foram presos em suas casas e a investigação apontou que eles atuavam desde o fornecimento e monitoramento indevido de informações sigilosas extraídas de sistemas policiais oficiais até o transporte físico das mercadorias, com aparente uso da função pública para favorecer a atuação do grupo. Célio teve o mandado cumprido na unidade de Sidrolândia para onde foi transferido após ser alvo da operação Snow, deflagrada em março de 2024. No entanto, quatro anos antes, ele foi preso na operação Omertà. Manga Rosa foi acusado de lavagem de dinheiro do grupo ligado à exploração do jogo do bicho, mas acabou sendo inocentado em primeiro e segundo graus. Já Quevedo, cumpria medidas cautelares após ser preso em 2024 por descaminho. Ele foi flagrado transportando mercadorias sem documentação fiscal, mas pagou fiança e respondia ao processo em liberdade.
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