Alta do petróleo pressiona inflação e manterá Selic em patamar elevado

Mai 6, 2026 - 11:00
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Alta do petróleo pressiona inflação e manterá Selic em patamar elevado

Nas últimas semanas, um velho conhecido da economia global voltou a dominar as manchetes: o barril de petróleo.

Após superar a barreira dos US$ 126 ao final do mês de abril, o barril vem teimosamente se mantendo, em média, acima dos US$ 100, muito acima do patamar de US$ 65 registrado antes do início do conflito no Oriente Médio.

Barril do petróleo tem se mantido acima dos US$ 100
Tânia Rêgo/Agência Brasil Barril do petróleo tem se mantido acima dos US$ 100

Quando o preço desta importante commodity atinge patamares elevados no mercado internacional, como os observados atualmente, o efeito não se restringe apenas às bombas de combustível.

Com ele tem início um efeito cascata que percorre toda a cadeia produtiva, pressiona os índices de inflação e, por consequência direta, obriga o Banco Central a manter taxas de juros em níveis restritivos por mais tempo do que o inicialmente planejado.

Como sabemos, o Brasil é um País movido a rodovias. Quase tudo o que consumimos viaja em caminhões. Sendo um país dependente majoritariamente do transporte rodoviário, qualquer oscilação no preço do diesel é rapidamente repassada ao custo do frete.

Esse fenômeno é o que os economistas chamam de choque de oferta, isto é, um aumento nos custos do transporte leva as empresas a repassarem-no aos preços de seus produtos, encarecendo desde alimentos a bens de consumo duráveis.

Como resultado, as projeções para o IPCA (o índice oficial de inflação) de 2026 vem sendo revisadas para cima semana a semana, atingindo, segundo o último relatório Focus, 4,89% (valor que supera o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, hoje em 4,50%).

E é nesse cenário de pressão inflacionária que o Banco Central (BC), através do Comitê de Política Monetária (Copom), precisa atuar.

Se antes havia o otimismo de que o BC poderia iniciar o ciclo de afrouxamento monetário, reduzindo significativamente a Selic ao longo de 2026, o fato é com a pressão advinda da explosão do preços do petróleo o cenário mudou e a queda dos juros será bem mais modesta.

O mais recente Relatório Focus indica que o mercado agora espera que a Selic encerre 2026 em 13% ao ano. Todavia, esse patamar deverá, em breve, ser revisto para cima pelos analistas a depender da duração do conflito no Estreito de Ormuz.

O certo é que quanto mais tempo durarem as animosidades no Oriente Médio, maior será o impacto sentido nos índices de preços e, portanto, menos espaço o BC terá para reduzir o juro básico da economia (taxa Selic).

Para o leitor menos afeito ao economês, isso significa dizer que a gestão do seu orçamento doméstico em 2026 exigirá cautela redobrada. De um lado, os preços dos produtos estarão pressionados pelo custo logístico derivado do preço mais elevado do petróleo. De outro, o custo do dinheiro (taxa de juros) deverá também permanecer salgado por mais tempo do que o previsto.

O fato é que o preço do petróleo ditará, em última instância, se o brasileiro terá fôlego financeiro para consumir ou se precisará apertar os cintos diante de uma inflação mais alta e de um crédito que teima em não baratear.

E quanto mais tempo este conflito perdurar, mais a alta do barril de petróleo se converterá em uma espécie de imposto invisível que todos pagaremos, seja no supermercado, nas lojas de eletrodomésticos ou nos juros da fatura do cartão.

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