CERCO AO FURTO DE CABOS
Mesmo com a ação recorrente da polícia e as denúncias da população, o furto de cabos de energia tem se intensificado no Distrito Federal, provocando apagões em comércio e residências, paralização perigosa de hospitais e clínicas odontológicas, sinais de trânsito e outros equipamentos que são vitais para a população.
Para combater esse tipo de crimes, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) lançou esta semana um canal específico para denúncias anônimas relacionadas aos crimes de furto e roubo de cabos de energia elétrica. A iniciativa tem como objetivo facilitar o registro das informações por parte da população e fortalecer o enfrentamento por parte dos órgãos de segurança.

Com o novo canal, o cidadão é direcionado diretamente ao espaço destinado a esse tipo de ocorrência, sem a necessidade de percorrer outras opções dentro do sistema. O ambiente conta com perguntas objetivas e direcionadas, o que torna o preenchimento mais simples, rápido e eficiente.
Segundo a PCDF, a padronização das informações recebidas contribui para dar mais agilidade na análise das denúncias e auxiliar o trabalho investigativo, permitindo que os dados sejam encaminhados de forma mais precisa às unidades responsáveis pela investigação. Além disso, o canal garante o anonimato do denunciante, reforçando a segurança e estimulando a participação da sociedade.
Por meio do 197, a Polícia Civil disponibiliza quatro meios seguros para o recebimento de denúncias anônimas: o Disque-Denúncia, telefone 197 – ligação gratuita – 24 horas; o e-mail (denuncia197@pcdf.df.gov.br); o WhatsApp (61) 98626-1197; e o Denúncia On-line. A população pode informar sobre crimes que já ocorreram, que estejam em andamento ou que estejam sendo planejados, sem necessidade de se identificar. O sigilo é absoluto.

Operações e dados de combate ao crime
Nos últimos anos, a Polícia Civil do DF tem deflagrado diversas operações para reprimir furtos, roubos e, principalmente a receptação desses produtos. Como exemplo, por meio da Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri), a Polícia Civil deflagrou, em outubro de 2025, a Operação Powercut II, voltada à desarticulação de uma organização criminosa especializada em furtos, receptação e lavagem de dinheiro envolvendo cabos de energia, telefonia e internet, com foco no cobre — metal de alto valor no mercado ilegal.
A ação resultou no cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão preventiva, em endereços no Distrito Federal, Goiás e Rondônia. A operação foi desdobramento da Powercut I, realizada em outubro de 2024, quando também foram cumpridos mandados judiciais e bloqueados mais de R$ 5 milhões em contas ligadas aos investigados. A operação revelou que o principal polo de receptador desse tipo de material é a QE 40 do Guará, onde uma família controla dois ferros-velhos e quase todos os seus membros já foram presos e depois soltos por diversas vezes.
Segundo o assessor-chefe da Assessoria de Comunicação da PCDF, delegado Lúcio Valente, o enfrentamento a esse tipo de crime exige atuação integrada e inteligência policial. “A Polícia Civil atua para atingir não só quem furta, mas também quem lucra com esse mercado ilegal. Usamos tecnologia e análise de dados para mapear rotas, identificar organizações criminosas e responsabilizar todos os envolvidos”, explica.
O Distrito Federal teve um aumento significativo nos casos de furto de cabos de energia elétrica. De acordo com a Neoenergia Brasília, em 2025 foram registrados 391 furtos efetivos, um crescimento de 49% em relação a 2024, quando houve 263 furtos efetivos. O prejuízo estimado pela companhia é de R$ 717,8 mil. Entre furtos e tentativas de furto de cabos, o ano passado teve 1.108 ocorrências, uma média superior a três casos por dia, que afetaram mais de 100 mil clientes no DF. A região mais crítica é o Plano Piloto, incluindo Asa Norte e Asa Sul, que concentrou 602 registros. Depois, Águas Claras, com 120 casos no ano passado, seguida do Guará, com mais de 100 casos.

A denúncia como arma de combate à criminalidade
A Polícia Civil alerta que a colaboração da população é fundamental para identificar autores, mapear rotas de escoamento do material furtado e desarticular grupos criminosos. “As denúncias anônimas recebidas pelo 197 são decisivas para direcionar nossas investigações e antecipar a atuação contra esses grupos. Cada informação ajuda a reduzir os índices de criminalidade e a levar os responsáveis à Justiça”, rssalta Lúcio Valente.
Para facilitar as investigações, recomenda-se que, ao realizar a denúncia, o cidadão forneça o maior número possível de dados, como endereço completo, pontos de referência, nomes ou apelidos de suspeitos, características físicas, placas de veículos, horários de movimentação, além de fotos, vídeos ou qualquer outro elemento que possa auxiliar o trabalho policial.
A polícia recomenta que, se você foi vítima de um crime, registre a ocorrência por meio da Delegacia Eletrônica ou procure a delegacia mais próxima. Se presenciou, soube ou suspeita de furto ou roubo de cabos de energia, denuncie pelo 197. O sigilo é garantido.
Repressão reduz comércio de fios no Guará
Até o ano passado, Guará era considerada a principal região receptadora de fios de cobre do Distrito Federal, mas essa fama ruim tem reduzido por causa da constante vigilância da polícia. De acordo com o delegado titular da 4ª Delegacia de Polícia do Guará, Lorisvaldo Sacha Rosa, o cerco e vigilância aos 12 ferros-velhos identificados na cidade tem inibido o comércio do cobre retirado dos fios. “Fazemos visitas mensais e inesperados a esses pontos de comércio e nos últimos meses não temos flagrado recptação de fios no Guará”, afirma o delegado.
O principal alvo dessa vigilância, segundo a polícia, é o ferro-velho da QE 40 do Guará II, conhecido como Ferro-Velho do Vilmar, que já foi considerado o maior receptador do DF de fios de cobre furtado.
Porque o cobre é tão atraente para os ladrões
O alto preço do material e a facilidade do furto ou roubo, principalmente porque acontece nos subterrâneos, explicam a atração dos ladrões por esse tipo de crime. Excelente condutor elétrico, o metal utilizado no sistema de iluminação pública chega a ser vendido por até R$ 65 o quilo, enquanto antes da pandemia esse valor não chegava a R$ 20 o quilo. Além da iluminação pública, o cobre é utilizado na construção civil, na indústria automobilística e até na fabricação de joias.
Dados levantados pela polícia indicam que boa parte dos furtos é praticado por moradores de rua, para alimentar o vício de drogas e bebidas, e por catadores de recicláveis pelo lucro fácil que representam
Depois de receptado em ferros-velhos, o cobre vai para fundições, onde é transformado em grânulos, para facilitar o transporte. Em alguns casos, vira matéria-prima para peças feitas em metalúrgicas. Em outros, volta a virar fio, só que revendido no exterior e muitas vezes retorna ao Brasil como matéria-prima para eletrônicos ou objetos de metal.
Nova lei endurece penas para furto de cabos
Atualmente, um dos maiores problemas enfrentados pelos moradores do Guará é a falta de iluminação pública. Ruas inteiras ficam às escuras por dias, comprometendo a segurança de pedestres e motoristas. O principal motivo por trás disso é o furto de cabos de energia, crime que tem se tornado cada vez mais frequente. Diante desse cenário, uma nova legislação federal promete reforçar o combate a esse tipo de prática.
Desde agosto do ano passado está em vigor a Lei nº 15.181/2025, que aumenta as penas para os crimes de furto, roubo e receptação de fios, cabos e equipamentos utilizados em serviços essenciais, como iluminação pública, telecomunicações e distribuição de energia elétrica. A medida representa uma resposta ao avanço dos crimes contra a infraestrutura urbana em várias regiões do país, inclusive no DF.
Desde janeiro de 2023, a iluminação em LED no Guará saltou de 14% para quase 87% no final do ano passado. Mas o furto de cabos compromete essa percepção. Com a nova lei, a expectativa é recuperar a sensação de segurança nas ruas. “O GDF tem feito um esforço constante para melhorar a iluminação pública do Guará, com reposição rápida de cabos e reforço nas ações de manutenção. Mas o furto recorrente atrasa nosso trabalho e compromete a segurança da população. Essa nova lei traz esperança de que esse cenário comece a mudar, pois impõe punições mais duras e desestimula quem vive desse tipo de crime”, afirma o administrador do Guará, Artur Nogueira.
A nova legislação é vista como um marco na luta contra a impunidade e no fortalecimento das ações de segurança pública. Para o presidente da CEB Iluminação Pública e Serviços (CEB IPes), Edison Garcia, a medida chega em um momento crucial. “É um avanço fundamental, pois sinaliza o fim da impunidade. Nossas forças de segurança vêm atuando com inteligência e empenho para prender os responsáveis, mas, por falta de uma legislação mais rigorosa, muitos criminosos acabavam sendo soltos quase imediatamente. Agora, com o agravamento das penas, teremos um instrumento mais eficaz para garantir que esses indivíduos permaneçam presos e que esse tipo de crime seja desestimulado”, afirma.
Segundo Garcia, o furto de cabos representa uma das principais ameaças à infraestrutura de iluminação pública da capital federal. Além dos prejuízos financeiros, a prática criminosa compromete diretamente a segurança dos cidadãos. “O furto de cabos tem causado grandes prejuízos à população, que fica sem iluminação pública por horas ou até dias, dependendo da extensão do dano. Isso compromete a segurança das pessoas e sobrecarrega nossas equipes, que têm agido com rapidez para repor o material furtado. Essa nova legislação é um passo importante para proteger o cidadão e combater essa prática criminosa com mais rigor”, ressalta.
Mudança no Código Penal
Com a sanção da nova lei, os crimes de furto e receptação de cabos e fios de serviços essenciais passam a ser considerados crimes qualificados, com penas que variam de 2 a 8 anos de prisão. No caso de roubo, a pena sobe para 6 a 12 anos. Para a receptação qualificada, pode chegar a 16 anos de reclusão, além de multa. O texto ainda prevê que, em casos de interrupção de serviços públicos, situações de calamidade ou prejuízo à infraestrutura de telecomunicações, as penas serão aplicadas em dobro.
A nova legislação altera o Código Penal e é considerada um avanço estratégico na defesa dos serviços públicos e da segurança urbana. “Essa mudança legislativa atende a uma demanda urgente da sociedade e das empresas prestadoras de serviço. Os criminosos estavam atuando com audácia, sabendo que seriam liberados rapidamente. Agora, isso muda”, reforça Garcia.
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