Dois religiosos do Guará são presos por abuso sexual e estupro
A cidade volta ao noticiário nacional, mais uma vez de forma negativa. Por motivos semelhantes. Dois líderes religiosos que moram e atuam aqui foram presos nesta semana em operações distintas da Polícia Civil do Distrito Federal, ambos investigados por crimes de abuso sexual e estupro. Embora não haja relação entre os casos, as investigações apontam um padrão comum de uso da fé, da autoridade religiosa e da confiança dos fiéis como instrumentos para a prática de violência sexual, causando forte repercussão na comunidade.
O primeiro caso envolve Gabriel de Sá Campos, de 30 anos, ex-líder de um ministério de adolescentes da Igreja Batista Filadélfia, no Guará II. Ele foi preso temporariamente pela 4ª Delegacia de Polícia e é investigado por abusar sexualmente de meninos menores de idade que participavam de atividades religiosas organizadas pelo próprio suspeito.
Segundo a Polícia Civil, Gabriel se aproveitava da posição de liderança para organizar encontros, eventos e atividades voltadas ao público jovem, criando um ambiente de confiança junto às vítimas e às famílias. Durante esses momentos, ele buscava ficar a sós com os adolescentes, ocasião em que teriam ocorrido os abusos. As investigações indicam que os crimes aconteceram de forma reiterada desde 2019, não sendo episódios isolados.
Aproximação calculada
O inquérito aponta que o investigado agia de maneira calculada, criando laços com um adolescente por vez. Após os abusos, quando a vítima se afastava, ele passava a se aproximar de outro jovem do grupo. Até o momento, ao menos três vítimas do sexo masculino foram formalmente identificadas, sendo que uma delas já atingiu a maioridade. A polícia aguarda novos depoimentos e trabalha com a possibilidade de que o número de vítimas seja maior.
Gabriel de Sá Campos é filho do presidente da congregação, circunstância que, segundo os investigadores, pode ter contribuído para o silêncio prolongado das vítimas e para tentativas internas de minimizar ou desacreditar as denúncias quando elas surgiram no ambiente da igreja. Há relatos de abordagens a vítimas e responsáveis com o objetivo de questionar os relatos, condutas que também são analisadas pela Polícia Civil.
Para os investigadores, a prisão temporária foi necessária diante da gravidade dos crimes, do abuso de autoridade, da vulnerabilidade das vítimas e do risco de interferência na produção de provas e nos depoimentos de possíveis novas vítimas.
Em nota, a Igreja Batista Filadélfia afirmou que o investigado não exercia funções de liderança ao longo de 2025 e que ele não é, nem nunca foi, pastor da instituição, tendo atuado anteriormente como voluntário no Ministério de Adolescentes. A igreja declarou ainda que colaborou com as autoridades e negou qualquer tentativa de encobrimento.
A Igreja Batista Filadélfia do Guará já tinha sido abalada com outro escândalo sexual em 1997, envolvendo o então pastor Djair Guerra, que era considerado o principal líder evangélico da cidade, flagrado em conversas picantes com a esposa de um fiel da igreja. Após a divulgação das conversas, o pastor foi afastado da Batista Filadélfia, mudou-se do Guará e morreu em 2012.
Denúncia contra líder espírita
O segundo caso refere-se à prisão de Rafael Maia Carlos Fonseca, de 49 anos, líder religioso espírita e morador do Guará, detido pela Polícia Civil por meio da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher I. Ele presidia um templo que funcionava em uma residência na QE 32, no Guará, e se apresentava publicamente como “Rafael de Malunguinho”, alegando incorporar entidades espirituais durante rituais.
De acordo com a investigação, Rafael Maia utilizava supostos rituais de purificação, cura e lavagem espiritual como justificativa para cometer abusos sexuais contra mulheres frequentadoras do templo. As vítimas relataram que os crimes ocorriam durante cerimônias religiosas, de forma gradual e progressiva, com toques invasivos e não consentidos, gerando constrangimento, medo e sofrimento emocional.
A Polícia Civil aponta que o investigado se valia da posição de liderança espiritual para manipular psicologicamente as vítimas, usando discursos religiosos e a suposta incorporação de entidades como forma de legitimar os abusos. As apurações tiveram início a partir de relatos de diversas mulheres e da análise de materiais reunidos ao longo do procedimento policial.
A prisão teve como objetivo garantir a responsabilização do investigado, preservar a integridade das vítimas e permitir a coleta de novos elementos de prova. A polícia também trabalha para identificar outras possíveis vítimas, que ainda não formalizaram denúncia.
Em ambos os casos, a Polícia Civil reforça que as investigações seguem em andamento e que novas vítimas podem ser identificadas à medida que mais depoimentos forem colhidos. Os procedimentos correm sob sigilo para proteger a identidade das vítimas e assegurar a correta apuração dos crimes, considerados de extrema gravidade.
Caso anterior marcou a comunidade católica do Guará
Os recentes episódios envolvendo líderes religiosos presos por crimes sexuais reavivam a memória de um dos casos mais graves já registrados no Guará. Em março de 2024, morreu José Antonio da Silva, catequista acusado de abusar sexualmente de pelo menos 14 crianças no âmbito da Igreja Católica.
Foragido desde o surgimento das denúncias, em 2019, ele foi localizado internado em um hospital de Foz do Iguaçu e morreu antes de cumprir a pena. José Antonio havia sido condenado à revelia a 162 anos de prisão por estupro de vulnerável. O caso teve grande repercussão na época e expôs o uso da confiança religiosa como meio para a prática de crimes sexuais, marca comum também nos episódios atualmente investigados no Guará.
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