Gestores públicos têm mostrado pressa para lavar as mãos, indispostos a enfrentar os problemas sob a própria alçada
A contratação de um cemitério, um negócio milionário, firmado no interior de Sergipe, tem contornos fantásticos, coisa de outro mundo. A opinião é do Tribunal de Contas de Sergipe, justamente um órgão de controle, segundo o qual a prefeitura de Nossa Senhora de Socorro deve explicações.
Segundo o TCE, a contratação foi justificada pelo município com base na situação dos sete cemitérios públicos locais, que estariam irregulares, sem licença ambiental e sem disponibilidade de vagas. Para remediar a situação, a administração municipal achou razoável desembolsar mais de R$ 5 milhões.
Os levantamentos apontaram indícios de irregularidades, como pagamento por serviços de manutenção não executados, fragilidades no planejamento da contratação dos serviços funerários, deficiência na elaboração de laudos ambientais e inconsistências metodológicas nos estudos e orçamentos técnicos apresentados. Além disso, para o TCE, seria necessário apontar as vantagens da terceirização.
Infelizmente, gestores públicos têm mostrado pressa para lavar as mãos, indispostos a enfrentar os problemas sob a própria alçada. A única solução no horizonte destes bem pagos e acomodados servidores públicos é a contratação sempre muito dispendiosa de entes privados. Assim, cessões e concessões em favor de organizações ditas sociais oneram o erário, em sociedade com os gestores de plantão.
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