Estudo com brasileiros comprova eficácia dos exercícios na velhice

Mai 9, 2026 - 06:00
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Estudo com brasileiros comprova eficácia dos exercícios na velhice

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Em 2024, a cada 15 minutos, o Brasil registrou 4 mortes que poderiam ser evitadas se a prática de atividade física fizesse parte da rotina dessas pessoas. Esse dado reforça o que pesquisadores afirmam: a inatividade física não é apenas uma escolha individual, mas uma pandemia com impactos na saúde coletiva e custos humanos e econômicos.

No cenário de um país que envelhece de forma acelerada, o movimento corporal é uma estratégia essencial de sobrevivência e dignidade.

Brasil que envelhece

O país passa por uma transição demográfica acelerada. Enquanto nações europeias enriqueceram antes de envelhecerem, o Brasil envelhece em um contexto de desigualdades sociais.

Dados do Elsa-Brasil (Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto) oferecem um retrato desse desafio. Há mais de 15 anos, a pesquisa acompanha 15.000 adultos em 6 Estados brasileiros. O projeto é financiado pelo Ministério da Saúde e tem o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).

Epidemiologicamente, a prevalência de atividade física insuficiente no país ainda é preocupante. O boletim do Elsa-Brasil revela que o comportamento sedentário —tempo gasto sentado ou deitado com baixo gasto energético— torna-se um hábito ainda mais comum em fases como a aposentadoria.

Depois de sair do mercado de trabalho, a inatividade física aumenta em 65% entre homens e 55% entre mulheres.

Movimento e longevidade

A prática regular de atividade física, definida como qualquer movimento voluntário com gasto de energia acima do repouso, atua como um “polifármaco” natural. Os benefícios para o envelhecimento saudável, evidenciados em artigos publicados pelo Elsa-Brasil, são multissistêmicos:

  • Saúde metabólica e cardiovascular: atingir as recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) de 150 minutos semanais de atividade moderada a vigorosa está associado a um risco de mortalidade 25% menor em 5 anos. Na prática, para cada 4 mortes registradas entre sedentários, há 3 entre indivíduos ativos;

  • Preservação cognitiva: o exercício é fundamental para a manutenção de domínios centrais da cognição, como memória, linguagem e atenção;

  • Proteção do coração: manter-se ativo reduz a rigidez das artérias e a incidência de hipertensão e diabetes;

  • Qualidade de vida: pequenas mudanças, como acumular cerca de 7.000 passos por dia, podem reduzir a mortalidade pela metade.

Políticas públicas

O Brasil possui ferramentas, como o Guia de Atividade Física para a População Brasileira. O documento orienta que “todo passo conta, e que a atividade física pode ser realizada no lazer, no deslocamento ou em tarefas domésticas.

No SUS (Sistema Único de Saúde), o programa Academia da Saúde destaca-se como política para democratizar o acesso ao movimento. O Elsa-Brasil demonstra que o ambiente urbano influencia o comportamento: pessoas que vivem perto de áreas verdes e parques praticam exercícios com mais frequência. Morar em vizinhança com boa infraestrutura aumenta em 69% a probabilidade de o indivíduo praticar atividade física no lazer.

Divulgação científica

Para que dados do Elsa-Brasil se transformem em mudanças de hábito, a comunicação precisa ser clara. O Elsa-Brasil tem investido em estratégias para devolver seus achados à sociedade, como a criação de boletins informativos periódicos.

Esses documentos explicam desde conceitos básicos —como a diferença entre atividade física (movimento voluntário) e exercício físico (planejado e repetitivo)— até os resultados mais recentes sobre prevenção de doenças. Disponíveis no site do Elsa-Brasil, os boletins buscam democratizar o conhecimento produzido em mais de 15 anos de estudo.

A ciência moderna quebra o mito do “tempo perdido”. Substituir só 10 minutos diários de sofá por movimento moderado já reduz o risco de morte em 10% no curto prazo. O corpo humano mantém sua capacidade de adaptação em qualquer estágio da vida. O movimento é a forma mais eficiente de transformar os anos ganhos em vida plena e independente.


Sobre o autor: é coordenador do Centro de Pesquisas em Atividade Física, Saúde e Tecnologia na Universidade Federal de Pelotas (UFPel)


Este texto foi originalmente publicado pelo The Conversation, em 1º de maio de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.

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