Funcionários, vereador e ex-promotor denunciam situação do Hospital Ruth Cardoso
Desde que o Hospital Ruth Cardoso foi oficialmente estadualizado, no início de dezembro de 2025, aumentaram às denúncias e críticas à OS Viva Rio e ao Governo do Estado, seja pela questão salarial (houve redução em comparação aos salários que a prefeitura pagava) como também de estrutura e até mesmo problemas nos atendimentos. Nesta semana, o jornal recebeu mais reclamações.
Reclamações de funcionários
Funcionários do Ruth Cardoso procuraram o Página 3 para informar que a gestão do hospital divulga que já efetuou os pagamentos dos profissionais que trabalham lá, mas que até hoje (sexta-feira, 9) tem profissional que não recebeu o 13° proporcional, não recebeu o pagamento do salário referente a dezembro e o contracheque dos profissionais noturno estão sem o adicional noturno.
“Disseram que vão pagar a diferença salarial dia 15/01, mas até o momento tem profissionais que não receberam o pagamento do salário de dezembro, desde que a Viva Rio assumiu. Os profissionais vão questionar, os funcionários do RH não sabem resolver, não indicam a quem devemos procurar e até hoje não conhecemos quem está à frente da gestão, pois os colaboradores não foram apresentados. Não fizeram reunião apresentando a nova gestão e ninguém sabe quem está à frente. O que ainda se conhece são alguns coordenadores porque se apresentaram para as equipes dos plantões”, disse uma funcionária.
Foi relatado ainda que o hospital estaria vivendo ‘um verdadeiro descaso’.
“Não temos farmacêuticos em alguns plantões. Se a imprensa for visitar o hospital, vai ver a realidade. Tem dias que nem seringa temos para administrar medicamentos. As medicações estão chegando no fim da tarde, atrasa o tratamento dos pacientes que às vezes ficam sem as medicações”, informou.
Os funcionários também citaram a demora do resultado de exames, principalmente os de imagem.
“Existem pacientes internados que aguardam exames só para o fim do mês de janeiro. Os exames laboratoriais estão saindo no tempo correto”, completou.
Vereador também se manifestou

O vereador Marcelo Achutti, que desde o governo de Carlos Moisés sempre pediu por mais apoio estadual ao Hospital Ruth Cardoso, agora critica o atual momento da estadualização.
“São denúncias diárias. Com todo o respeito, está uma vergonha! Faltam insumos, os servidores não receberam insalubridade, pagamentos estão atrasados, há falta de profissionais, a farmácia central está fechada, há falta de colaboradores. Fora que o salário está bem abaixo do que era antes, que também segue em pauta. Me falaram que chega a demorar seis horas para dar resultado de exame de sangue!”, disse ao jornal.
Achutti apontou ainda uma entrevista do secretário de Estado de Saúde, Diogo Demarchi, afirmando que ‘estava tudo certo e sem nenhum problema’ no Ruth Cardoso.
“Cadê os deputados e prefeitos? E a comissão criada entre Balneário Camboriú e o estado? Cadê os vereadores? Parece que não tem problema nenhum! Se você joga Viva Rio no Google, vê que tem muitas ações contra eles. Essa é uma luta antiga, o estado assumiu a responsabilidade, mas tem que ter cobrança para que os servidores recebam proventos em dia, que não faltem médicos e insumos e que atendam as normas da Secretaria de Estado da Saúde e do próprio SUS. Se acham que está ok o serviço que está sendo prestado, é porque de certo não estão acompanhando o que está acontecendo no hospital”, pontuou.
O vereador aproveitou para ‘cutucar’ os deputados, que deveriam estar fiscalizando o hospital, já que agora ele é do estado, mas que eles (deputados) estariam mais ocupados com as eleições de 2026.
“E a AMFRI? Será que discutiram a saúde da região na China quando foram? Por que não fazem reunião agora para debater? O Ruth agora é oficialmente regional! O Hospital Marieta Konder Bornhausen, de Itajaí, está sentindo com os atendimentos sendo negados pelo Ruth, e há demanda a mais para eles pela demora dos atendimentos no Ruth. Eu desafio: quero ver uma única publicação de um político da região ou do estado pedindo providências pelo que vem acontecendo no Ruth Cardoso. Sou amigo e gosto do Jorginho (Mello, governador de SC), mas tem que cobrar! A classe política não está cobrando, acham que está tudo certo e tudo resolvido, como disse o secretário de saúde”, disse.
Achutti prometeu ainda que, quando completar os 90 dias da estadualização (no fim de fevereiro) e se a situação não tiver melhorado, irá apresentar denúncia junto ao Tribunal de Contas de SC contra a Viva Rio, por ela não estar cumprindo o contrato junto ao Hospital Ruth Cardoso.
“O papel de fiscalizar seria dos deputados, mas se não estão fiscalizando, vou fazer o meu papel, porque o hospital está em nossa cidade, é de Balneário Camboriú. Vou usar Itajaí como referência – lá o Marieta não tem bandeira partidária: a esquerda, a direita, todos defendem! E é isso que temos que buscar para o Ruth”, completou.
Ex-promotor também aborda o assunto

O promotor aposentado de Balneário Camboriú, Rosan da Rocha, também aborda a situação do Hospital Ruth Cardoso com frequência. Somente nesta semana, através das redes sociais, ele fez duas publicações sobre o assunto. Em uma delas afirmou que em razão de várias denúncias de irregularidades ocorrendo no Hospital Ruth Cardoso, protocolou uma representação ao Ministério Público da Cidade e um Ofício à Mesa Diretora da Câmara, provando juridicamente contra a prefeita Juliana Pavan porque entende que ela é corresponsável pelos cuidados que o Hospital deve ter com os munícipes, pedindo as providências cabíveis, pelos seguintes atos: não fiscalizar o funcionamento do hospital estadual situado no território municipal; não cobrar formalmente o Estado por melhorias; não comunicar irregularidades ao Ministério Público, Tribunal de Contas ou Conselho de Saúde; e não oferecer alternativas municipais (UPAs, UBS, convênios, regulação eficiente) para colaborar e desafogar o hospital.
Em outra publicação, marcando a prefeita, Rosan apontou que chegou o momento de Juliana ‘ter a grandeza’ em defender ‘a comunidade doente, mais necessitada, que utiliza o SUS e o Hospital que era da cidade e, agora, nas mãos do Estado virou caso de polícia’.
“Você pode fazer algo. É só cumprir seu dever com coragem e comprometimento com a população desta cidade. Colocar alguém lá para fiscalizar não é deixar quem já estava e fazia mal feito, tanto que você repassou para o Estado. É colocar uma pessoa que saiba juridicamente cuidar do cumprimento do contrato”, escreveu o promotor.
Estado nega problemas
Em nota oficial, a Secretaria de Estado da Saúde afirmou que não há falta de materiais, insumos ou medicações, nem qualquer situação que comprometa o atendimento aos pacientes no hospital. A SES também negou a falta de água para pacientes e funcionários, outro ponto abordado por denúncias noticiadas pela imprensa ao longo dos últimos dias.
Ainda conforme a secretaria, os materiais estão sendo abastecidos normalmente, seguindo os fluxos institucionais estabelecidos. A nota destaca que o hospital passa por um processo de reorganização administrativa e adequação de fluxos desde a estadualização, o que é considerado natural em transições de gestão e pode gerar ajustes operacionais temporários, sem prejuízo à assistência.
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