GoiâniaPrev dobra limite para consignados e prevê concessão direta de crédito
A Política de Investimentos do Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Goiânia (GoiâniaPrev) para o exercício de 2026 amplia o espaço para a adoção de empréstimos consignados e prevê a criação de uma linha de crédito destinada a servidores ativos, aposentados e pensionistas. A medida consta no documento aprovado pelo Conselho Municipal de Previdência e publicado no Diário Oficial do Município no fim de dezembro, integrando o planejamento estratégico do regime próprio de previdência social da capital.
O documento estabelece que os empréstimos consignados podem ocupar até 10% do total da carteira de investimentos do RPPS. Segundo a política, a aplicação de recursos nessa modalidade está amparada pela regulamentação federal e deverá observar critérios técnicos rigorosos, compatíveis com o perfil das obrigações previdenciárias do instituto.
Na política vigente em 2025, os empréstimos consignados apareciam apenas como uma possibilidade técnica de alocação, com limite legal de até 5% da carteira, sem detalhamento operacional, definição de público-alvo ou diretrizes específicas para concessão direta de crédito.
Já a política de 2026 amplia esse limite para 10% e passa a tratar o consignado como instrumento estratégico, ao prever a concessão direta de crédito pelo instituto, definir público-alvo, estabelecer diretrizes operacionais e atribuir à medida objetivos financeiros e sociais.
O texto destaca que a iniciativa tem como objetivo “oferecer aos segurados habilitados uma opção de financiamento com taxas de juros inferiores às praticadas pelo mercado”, além de “promover educação financeira, reduzir o endividamento a custos elevados e otimizar a rentabilidade da carteira de investimentos do Instituto”.
No início de dezembro, a Tribuna mostrou que o presidente da Câmara, vereador Romário Policarpo (PRD), é suplente no Conselho Municipal de Previdência (CMP), órgão responsável por aprovar a política de investimentos do instituto. O documento não esclarece a necessidade de aprovação legislativa, caso a gestão avance com o projeto.
Empréstimo consignado
A proposta insere o GoiâniaPrev em um movimento adotado por outros regimes próprios de previdência no país, como as cidades de São Paulo e Guarujá, que têm seus próprios sistemas de consignado como instrumento de diversificação da carteira e ampliação do retorno, sem romper com parâmetros de segurança e liquidez.
A política ressalta que os empréstimos concedidos integrarão formalmente a carteira de investimentos do instituto e, por isso, deverão seguir “o mesmo rigor técnico e prudencial aplicado às demais aplicações financeiras”, conforme previsto na Resolução do Conselho Monetário Nacional.
A inclusão do consignado ocorre em um contexto de busca por maior previsibilidade nos investimentos, marcado por juros elevados e por uma estratégia mais conservadora do instituto, com forte concentração em renda fixa.
Estrutura
O documento também esclarece que a eventual concessão direta de crédito exige a criação de uma estrutura normativa própria. Nesse sentido, o GoiâniaPrev reconhece como imprescindível a instituição de “políticas, diretrizes e procedimentos que disciplinem toda a cadeia operacional, compreendendo a concessão, administração, acompanhamento, contabilização, cobrança e controle das operações”.
A formalização dessas regras é tratada como condição para assegurar transparência, controle de riscos e aderência às exigências legais. A administração ainda não divulgou informações sobre eventual criação de cargos e legislação específica para viabilizar a proposta.
Além do aspecto operacional, a política aponta que a linha de consignado deverá observar “parâmetros de rentabilidade compatíveis com o perfil das obrigações do RPPS, contribuindo para a manutenção do seu equilíbrio financeiro e atuarial”.
A Prefeitura de Goiânia foi procurada pela reportagem para esclarecimentos, mas não respondeu ao pedido de entrevista até o fechamento desta edição.
Estratégia de investimentos projeta retorno de IPCA + 5,79%
O Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Goiânia (GoiâniaPrev) definiu para 2026 uma meta de rentabilidade de IPCA + 5,79% ao ano, conforme a Política de Investimentos aprovada pelo Conselho Municipal de Previdência e publicada no Diário Oficial do Município nesta segunda-feira (29). O índice passa a orientar todas as decisões de alocação dos recursos previdenciários ao longo do próximo exercício.
A política sinaliza uma postura mais conservadora diante do cenário macroeconômico, com forte concentração em renda fixa, especialmente em títulos públicos. Atualmente, mais de 83% da carteira do instituto já está aplicada nesse segmento, percentual que deve ser mantido próximo desse patamar em 2026.
“Os princípios, metodologias e parâmetros estabelecidos nesta Política de Investimentos buscam garantir, ao longo do tempo, a segurança, liquidez e rentabilidade adequadas e suficientes ao equilíbrio entre ativos e passivos do GoiâniaPrev, bem como procuram evitar a exposição excessiva a riscos através de critérios estabelecidos”, afirma o documento.
Em contrapartida, o GoiâniaPrev prevê redução da exposição à renda variável, tanto no mercado doméstico quanto no exterior. A participação em ações, que hoje gira em torno de 5%, passa a ter alocação objetivo ainda mais restrita (3%), refletindo a leitura de um ambiente econômico mais turbulento e com maior risco nos mercados de capital.
Desempenho
O documento destaca o desempenho positivo recente do instituto após resultados abaixo da meta entre 2020 e 2022, período marcado pela crise econômica decorrente da pandemia. O GoiâniaPrev superou o retorno esperado em 2023 e 2024, fortalecendo o discurso de recuperação e maior equilíbrio entre risco e retorno.
Distribuição da carteira atual e alocação objetivo para 2026
| Produto / Segmento | Carteira atual | Alocação objetivo |
|---|---|---|
| Renda Fixa | 83,62 % | 80,86 % |
| Renda variável – Fundos de ações | 5,19 % | 3,00 % |
| Investimentos no exterior – Fundos | 6,70 % | 4,00 % |
| Total fundos estruturados | 3,81 % | 2,14 % |
| Empréstimo consignado | 0,00 % | 10,00 % |
| Total da carteira do RPPS | 100,00 % | 100,00 % |
Fonte: Política de Investimentos 2026 / Prefeitura de Goiânia
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