GoiâniaPrev dobra limite para consignados e prevê concessão direta de crédito

Jan 4, 2026 - 04:00
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GoiâniaPrev dobra limite para consignados e prevê concessão direta de crédito

A Política de Investimentos do Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Goiânia (GoiâniaPrev) para o exercício de 2026 amplia o espaço para a adoção de empréstimos consignados e prevê a criação de uma linha de crédito destinada a servidores ativos, aposentados e pensionistas. A medida consta no documento aprovado pelo Conselho Municipal de Previdência e publicado no Diário Oficial do Município no fim de dezembro, integrando o planejamento estratégico do regime próprio de previdência social da capital.

O documento estabelece que os empréstimos consignados podem ocupar até 10% do total da carteira de investimentos do RPPS. Segundo a política, a aplicação de recursos nessa modalidade está amparada pela regulamentação federal e deverá observar critérios técnicos rigorosos, compatíveis com o perfil das obrigações previdenciárias do instituto.

Na política vigente em 2025, os empréstimos consignados apareciam apenas como uma possibilidade técnica de alocação, com limite legal de até 5% da carteira, sem detalhamento operacional, definição de público-alvo ou diretrizes específicas para concessão direta de crédito.

Já a política de 2026 amplia esse limite para 10% e passa a tratar o consignado como instrumento estratégico, ao prever a concessão direta de crédito pelo instituto, definir público-alvo, estabelecer diretrizes operacionais e atribuir à medida objetivos financeiros e sociais.

O texto destaca que a iniciativa tem como objetivo “oferecer aos segurados habilitados uma opção de financiamento com taxas de juros inferiores às praticadas pelo mercado”, além de “promover educação financeira, reduzir o endividamento a custos elevados e otimizar a rentabilidade da carteira de investimentos do Instituto”.

No início de dezembro, a Tribuna mostrou que o presidente da Câmara, vereador Romário Policarpo (PRD), é suplente no Conselho Municipal de Previdência (CMP), órgão responsável por aprovar a política de investimentos do instituto. O documento não esclarece a necessidade de aprovação legislativa, caso a gestão avance com o projeto.

Empréstimo consignado

A proposta insere o GoiâniaPrev em um movimento adotado por outros regimes próprios de previdência no país, como as cidades de São Paulo e Guarujá, que têm seus próprios sistemas de consignado como instrumento de diversificação da carteira e ampliação do retorno, sem romper com parâmetros de segurança e liquidez.

A política ressalta que os empréstimos concedidos integrarão formalmente a carteira de investimentos do instituto e, por isso, deverão seguir “o mesmo rigor técnico e prudencial aplicado às demais aplicações financeiras”, conforme previsto na Resolução do Conselho Monetário Nacional.

A inclusão do consignado ocorre em um contexto de busca por maior previsibilidade nos investimentos, marcado por juros elevados e por uma estratégia mais conservadora do instituto, com forte concentração em renda fixa.

Estrutura

O documento também esclarece que a eventual concessão direta de crédito exige a criação de uma estrutura normativa própria. Nesse sentido, o GoiâniaPrev reconhece como imprescindível a instituição de “políticas, diretrizes e procedimentos que disciplinem toda a cadeia operacional, compreendendo a concessão, administração, acompanhamento, contabilização, cobrança e controle das operações”.

A formalização dessas regras é tratada como condição para assegurar transparência, controle de riscos e aderência às exigências legais. A administração ainda não divulgou informações sobre eventual criação de cargos e legislação específica para viabilizar a proposta.

Além do aspecto operacional, a política aponta que a linha de consignado deverá observar “parâmetros de rentabilidade compatíveis com o perfil das obrigações do RPPS, contribuindo para a manutenção do seu equilíbrio financeiro e atuarial”.

A Prefeitura de Goiânia foi procurada pela reportagem para esclarecimentos, mas não respondeu ao pedido de entrevista até o fechamento desta edição.

Estratégia de investimentos projeta retorno de IPCA + 5,79%

O Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Goiânia (GoiâniaPrev) definiu para 2026 uma meta de rentabilidade de IPCA + 5,79% ao ano, conforme a Política de Investimentos aprovada pelo Conselho Municipal de Previdência e publicada no Diário Oficial do Município nesta segunda-feira (29). O índice passa a orientar todas as decisões de alocação dos recursos previdenciários ao longo do próximo exercício.

A política sinaliza uma postura mais conservadora diante do cenário macroeconômico, com forte concentração em renda fixa, especialmente em títulos públicos. Atualmente, mais de 83% da carteira do instituto já está aplicada nesse segmento, percentual que deve ser mantido próximo desse patamar em 2026.

“Os princípios, metodologias e parâmetros estabelecidos nesta Política de Investimentos buscam garantir, ao longo do tempo, a segurança, liquidez e rentabilidade adequadas e suficientes ao equilíbrio entre ativos e passivos do GoiâniaPrev, bem como procuram evitar a exposição excessiva a riscos através de critérios estabelecidos”, afirma o documento.

Em contrapartida, o GoiâniaPrev prevê redução da exposição à renda variável, tanto no mercado doméstico quanto no exterior. A participação em ações, que hoje gira em torno de 5%, passa a ter alocação objetivo ainda mais restrita (3%), refletindo a leitura de um ambiente econômico mais turbulento e com maior risco nos mercados de capital.

Desempenho

O documento destaca o desempenho positivo recente do instituto após resultados abaixo da meta entre 2020 e 2022, período marcado pela crise econômica decorrente da pandemia. O GoiâniaPrev superou o retorno esperado em 2023 e 2024, fortalecendo o discurso de recuperação e maior equilíbrio entre risco e retorno.

 

Distribuição da carteira atual e alocação objetivo para 2026

Produto / Segmento Carteira atual Alocação objetivo
Renda Fixa 83,62 % 80,86 %
Renda variável – Fundos de ações 5,19 % 3,00 %
Investimentos no exterior – Fundos 6,70 % 4,00 %
Total fundos estruturados 3,81 % 2,14 %
Empréstimo consignado 0,00 % 10,00 %
Total da carteira do RPPS 100,00 % 100,00 %

            Fonte: Política de Investimentos 2026 / Prefeitura de Goiânia

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