O que dizem EUA, Irã, Rússia, China e Europa sobre situação do Estreito de Ormuz?

Abr 3, 2026 - 01:00
 0
O que dizem EUA, Irã, Rússia, China e Europa sobre situação do Estreito de Ormuz?


Desde a operação conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, Teerã passou a impedir a passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz em retaliação aos ataques. Por meio da passagem, é transportado cerca de um quinto do consumo total de petróleo do mundo. Com o impasse na região, preços de combustíveis subiram e o restabelecimento do tráfego se tornou uma prioridade. Entretanto, os governos divergem sobre a situação da hidrovia.

Autoridades iranianas afirmam que a passagem está restrita apenas às embarcações dos Estados Unidos, de Israel e seus aliados. Segundo noticiou a agência de notícias Tasnim, associada à Guarda Revolucionária Islâmica, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse à sua homóloga filipina, Maria Theresa Lazaro, nesta quinta-feira (2), que Teerã adotou uma abordagem “responsável” para garantir a passagem de “navios não hostis”. O chanceler iraniano também enfatizou que o bloqueio a Washington e Tel-Aviv “está em conformidade com o direito internacional” e ainda busca resguardar a segurança na região e prevenir ataques militares.

Já na quarta-feira (1º), a Guarda Revolucionária Islâmica comunicou que o Estreito de Ormuz permanece sob “pleno controle” de sua Marinha. A força armada de elite do Irã declarou que a passagem não será reaberta por meio das “encenações” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

No mesmo dia, em pronunciamento à nação, o republicano afirmou que o tráfego na hidrovia será restaurado “naturalmente” com o fim do conflito no Oriente Médio. Segundo Trump, o confronto travado contra Teerã deve ser encerrado “em duas ou três semanas”, quando os Estados Unidos atacarão o Irã “com extrema dureza”.

Rússia e China

Em entrevista ao jornal RTVI, o embaixador da Rússia no Irã, Alexey Dedov, disse que Teerã garantiu a Moscou que não haveria impedimentos para navios russos passarem pelo Estreito de Ormuz, segundo informações da agência estatal Tass.

À TV Vesti, o assessor do Kremlin Yuri Ushakov afirmou que a passagem “está aberta” para a Rússia, conforme informou a agência de notícias Interfax. No final de março, o Ministério das Relações Exteriores russo declarou que se opunha ao bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, mas acrescentou que a situação precisa ser vista “no contexto da situação global mais ampla”.

Em fala a jornalistas, na terça-feira (31), a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou que três embarcações suas navegaram recentemente pela hidrovia com a “assistência das partes relevantes”. As informações são da agência estatal Xinhua. No mesmo dia, em conversa, o chanceler chinês, Wang Yi, e o vice-primeiro-ministro paquistanês, Mahammad Ishaq Dar, trataram de uma iniciativa para restaurar a paz e a estabilidade no Golfo e no Oriente Médio com os seguintes pontos:

  • Cessar imediatamente as hostilidades;
  • Iniciar negociações de paz o mais rápido possível;
  • Garantir a segurança de alvos não militares e de rotas de navegação;
  • Resguardar a Carta das Nações Unidas.

Europa

Inicialmente, os países europeus recusaram a exigência de Trump de enviar suas marinhas para a área devido ao receio de serem arrastados para o conflito. Contudo, as preocupações com o impacto do aumento do custo da energia na economia global os levaram a tentar formar uma coalizão para ver como poderiam defender seus próprios interesses.

Durante reunião de cerca de 40 países, também nesta quinta-feira, a ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, declarou que o “Irã sequestrou uma rota marítima internacional para manter a economia global como refém”. Para a chanceler britânica, a “imprudência” de Teerã em bloquear a passagem “atinge famílias e empresas em todos os cantos do mundo”.

Com a presença de nações como França, Alemanha, Canadá, Emirados Árabes e Índia, mas sem os Estados Unidos, a reunião terminou sem acordo específico. Houve, no entanto, um consenso de que o Irã não deveria introduzir taxas para as embarcações utilizarem o Estreito de Ormuz e todos os países deveriam usar a passagem livremente.

O que é o Estreito de Ormuz?

Estreito de Ormuz é uma passagem marítima localizada entre o Golfo Pérsico e de Omã, operando como a fronteira natural entre o Irã e a Península Arábica. No jargão geopolítico e financeiro, a região é classificada como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.

Aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo bruto transitam por suas águas diariamente. O volume que equivale a cerca de 20% do consumo global do insumo.

*Com informações de Reuters

Qual é a sua reação?

Como Como 0
Não gosto Não gosto 0
Amor Amor 0
Engraçado Engraçado 0
Nervoso Nervoso 0
Triste Triste 0
Uau Uau 0