A primeira névoa no fim de abril
Não sei bem se foi a primeira névoa do ano, mas, com certeza, foi a
primeira que se estendeu até mais tarde na Feira de Santana.
Aconteceu um pouco cedo, no último dia de abril. Estendeu-se até
por volta das 7 horas. Surgiu no começo da manhã, ganhando altitude
e encobrindo o céu que ganhou um tom esbranquiçado que, mais tarde,
a luz do sol dispersou e tornou azul.Alguns transeuntes –
estudantes, trabalhadores – foram cautelosos, saindo agasalhados.
Mas a névoa logo se dispersou e a temperatura cálida do final de
abriu se impôs. Os termômetros marcavam 24ºC e a sensação
térmica, no começo da manhã, confirmava os registros digitais.Na Feira de Santana
abril costumava ser mês chuvoso e de transição climática: as
precipitações se avolumavam e a temperatura caía, prenunciando o
inverno que, noutros tempos, era frio e marcado por garoas
frequentes. Mas os tempos mudaram e a previsão dos regimes de chuva
e de temperatura se tornou mais imprecisa, em função das temidas
mudanças climáticas.Mas, noves fora
chuvas e céu encoberto, manhãs e tardes de outono são sempre
magníficas. Sobretudo a partir da segunda quinzena de abril e até
junho, quando o inverno se impõe junto com as celebrações juninas.
Nos últimos dias, algumas manhãs e tardes foram cinematográficas,
com o sol lançando seus raios cariciosos sobre o céu azul, limpo de
nuvens, quase irretocável.Nestes dias, o céu
lança o convite de um mergulho às avessas, impossível de se
concretizar. Nas copas das árvores, os pássaros urbanos saúdam a
estação. No céu há também aves, – bem-te-vis buliçosos,
carcarás predadores, urubus frequentes – mas seus perfis
recortados, projetados contra a amplidão, contrastam pouco com o
azul imaculado. O voo deles, porém, empresta alguma vivacidade ao
cenário.Na urbe, nós,
animais humanos, avançamos pisando o cimento das calçadas, o
asfalto e os paralelepípedos de ruas e avenidas. Mas pisamos de
maneira diferente, sem a agonia e a agitação típicas do verão,
quando o sol arde e desconforta. Há, em boa parte do dia, uma
temperatura amena que torna as caminhadas mais tranquilas, sem o
incômodo do calor.Em suma, é outono
e, quase sempre, faltam palavras para descrever sua beleza na
Princesa do Sertão. Logo mais é inverno, as chuvas eventuais
convertem-se em tímidas e mais frequentes garoas. Só o noticiário,
porém, é que teima em prever, mais à frente, um novo El Niño,
com chuvas torrenciais e ondas de calor.
Por aqui, no segundo
semestre, conhecemos bem as indescritíveis ondas de calor......
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