A Veneza Brasileira, reconhecida pela Forbes como uma das 35 mais bonitas do mundo: a cidade com ruas feitas para o mar e 65 ilhas na baía a poucas horas de Niterói

Quando a maré sobe nas noites de lua cheia, o Atlântico invade as ruas de pedra e transforma o centro histórico num espelho que reflete casarões do século XVIII. Paraty, no litoral sul do Rio de Janeiro, carrega o apelido de Veneza Brasileira porque suas ruas foram projetadas para que o mar lavasse a cidade. A 4 horas de Niterói pela BR-101, a cidade reúne 65 ilhas na baía, dois títulos da UNESCO e a posição de 35ª vila mais bonita do mundo pela revista Forbes em 2025, sendo a única representante brasileira no ranking.
Por que o mar entra nas ruas de propósito desde o século XVIII
No período colonial, o transporte de mercadorias no porto era feito por mulas e carroças. Para evitar o acúmulo de dejetos, os engenheiros projetaram o calçamento de pedra “pé de moleque” pouco abaixo do nível do mar. As casas foram erguidas cerca de 30 cm acima das ruas. A cada maré alta, as águas entram pelas passagens abertas nas muretas do cais, cobrem as pedras e recuam levando os resíduos. O fenômeno se intensifica nas luas cheia e nova, principalmente entre maio e agosto.
Fundada em 1667, Paraty enriqueceu como ponto final do Caminho do Ouro. Pelo seu porto saíam as riquezas de Minas Gerais rumo a Portugal. Com a abertura de rotas alternativas, a cidade ficou esquecida por quase um século. Foi esse abandono que preservou intacto o traçado original das ruas, as igrejas barrocas e os casarões caiados que o IPHAN tombou em 1958.

Três títulos da UNESCO e a Forbes no mesmo endereço
Em 2017, a UNESCO incluiu Paraty na Rede de Cidades Criativas da Gastronomia. Em julho de 2019, o Comitê do Patrimônio Mundial reconheceu Paraty e Ilha Grande como o primeiro sítio misto (cultural e natural) do Brasil e da América Latina com cultura viva, abrangendo quase 149 mil hectares, conforme a Prefeitura de Paraty.
Em 2025, a revista Forbes incluiu a cidade na lista das 50 vilas mais bonitas do mundo, na 35ª posição global. A distinção foi destacada pelo IPHAN, que reforçou o papel de Paraty como um dos destinos mais encantadores do país. A lista inclui vilas como Hallstatt (Áustria), Oia (Grécia) e Bibury (Inglaterra).

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O que fazer entre ilhas e casarões coloniais
A baía de Paraty reúne 65 ilhas e centenas de praias acessíveis por escuna, lancha ou trilha. As experiências mais procuradas incluem:
- Centro Histórico: ruas fechadas para carros desde 1970, com quatro igrejas coloniais. A Igreja de Santa Rita (1722) abriga o Museu de Arte Sacra.
- Saco do Mamanguá: considerado o único fiorde tropical do mundo. Braço de mar de 8 km entre montanhas cobertas de Mata Atlântica, com 33 praias e comunidades caiçaras.
- Passeio de escuna pela baía: saídas diárias do cais, com paradas em praias de água verde-esmeralda e tempo para mergulho.
- Caminho do Ouro: trecho preservado da estrada colonial calçada por escravizados, dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina.
- Cachoeira do Tobogã: pedra lisa natural onde se escorrega até uma piscina de água doce, no trajeto do Caminho do Ouro.
- Alambiques de cachaça: Paraty foi a primeira região do país a receber Indicação Geográfica de Procedência para cachaça pelo INPI em 2007. O selo evoluiu para Denominação de Origem.
A Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), realizada todo julho desde 2003, é um dos maiores eventos literários da América do Sul.
Quem sonha em conhecer o Rio de Janeiro, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Status Viajante, que conta com mais de 94 mil visualizações, onde Camila mostra um roteiro de 5 dias com praias, cachoeiras e o centro histórico de Paraty:
Quando a maré alta transforma as ruas em espelhos d’água
O clima tropical úmido garante calor o ano inteiro. O inverno seco (maio a agosto) é a melhor época para caminhar pelas ruas de pedra sem escorregar e coincide com a FLIP e o Festival da Cachaça. A tabela a seguir resume as condições por estação:
Temperaturas aproximadas. Consulte a previsão atualizada no Climatempo.
Como chegar à Veneza Brasileira
Paraty fica a cerca de 280 km de Niterói e 240 km do Rio de Janeiro, com trajeto de aproximadamente 4 horas pela BR-101 (Rio-Santos). De São Paulo, são 270 km pela Rodovia dos Tamoios até Caraguatatuba, seguindo pela Rio-Santos. Ônibus saem diariamente das rodoviárias Novo Rio e Tietê.
A cidade que o esquecimento salvou
Paraty é o raro lugar onde o abandono virou proteção. As mesmas ruas que perderam o ouro colonial guardaram um patrimônio inteiro para as gerações seguintes, cercado por mata preservada e um mar pontilhado de ilhas.
Você precisa pisar nas pedras pé de moleque numa tarde de maré alta, sentir a água salgada cobrir os pés e entender por que a Veneza Brasileira não precisa de gôndolas para encantar.
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