Agro brasileiro busca elevar produtividade com tecnologia e manejo dentro das áreas já cultivadas

Set 13, 2026 - 18:00
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Agro brasileiro busca elevar produtividade com tecnologia e manejo dentro das áreas já cultivadas

O agronegócio brasileiro enfrenta um cenário marcado por instabilidade climática, maior complexidade dos sistemas produtivos e necessidade de ampliar eficiência e rentabilidade. Nesse contexto, pesquisadores, consultores e representantes do setor defendem que parte dos próximos ganhos de produtividade poderá vir do uso de tecnologias e conhecimento para melhorar o desempenho das áreas já cultivadas, reduzindo a dependência da expansão territorial.

A discussão esteve entre os temas do Top Ciência 2026, iniciativa promovida pela BASF Soluções para Agricultura que reuniu pesquisadores, consultores e especialistas para avaliar desafios e oportunidades do agronegócio brasileiro na próxima década. Participaram dos debates André Debastiani, sócio-diretor da Agroconsult; Gustavo Spadotti Amaral Castro, da Embrapa Territorial; e Walter Longo, especialista em inovação e transformação digital.

Entre os pontos apresentados no encontro esteve a necessidade de integrar ciência, tecnologia e conhecimento agronômico para enfrentar problemas relacionados à produtividade, doenças, pragas, sustentabilidade, manejo e rentabilidade. A proposta considera que diferentes fatores do sistema produtivo precisam ser analisados de maneira conjunta.

Novas tecnologias voltadas à produtividade

Segundo Graciela Mognol, diretora de Marketing da BASF Soluções para Agricultura, o desafio da indústria é transformar avanços científicos em aplicações que produzam resultados no campo. A executiva afirmou que agricultores e consultores buscam soluções que contribuam para a proteção das lavouras e para o aumento da produtividade nas áreas já disponíveis.

A estratégia de inovação apresentada pela companhia inclui o desenvolvimento de tecnologias direcionadas a diferentes desafios agrícolas. Entre as iniciativas citadas estão o fungicida baseado na molécula Pavecto® e a biotecnologia NRS (Nematode Resistant System) para soja resistente a nematoides.

De acordo com as informações apresentadas pela BASF, o lançamento do produto com Pavecto® está previsto até o fim de 2027, enquanto a tecnologia NRS tem previsão para o fim desta década. As iniciativas ainda dependem das etapas necessárias para sua disponibilização comercial.

Pavecto® busca ampliar alternativas no controle de fungos

A molécula Pavecto® foi apresentada como uma alternativa para o manejo de doenças causadas por fungos. Segundo a companhia, o ingrediente introduz no mercado o grupo químico das tetrazolinonas, ampliando as opções disponíveis para o controle de doenças em culturas como soja, algodão e milho.

A resistência de fungos aos produtos utilizados no controle de doenças é apontada por especialistas em fitopatologia como um dos desafios do manejo agrícola. Nesse cenário, a disponibilidade de diferentes mecanismos de ação pode contribuir para estratégias de controle e manejo de resistência.

A BASF também apresentou a tecnologia NRS, destinada à soja e voltada ao controle de nematoides. Os organismos vivem no solo e podem afetar o desenvolvimento das plantas, provocando perdas de produtividade e dificultando o desempenho das culturas.

Nematoides estão entre os desafios do sistema produtivo

Segundo dados citados pela empresa com base na Sociedade Brasileira de Nematologia, os nematoides podem provocar prejuízos estimados em R$ 35 bilhões por ano à agricultura brasileira. A tecnologia NRS é apresentada como uma ferramenta de resistência destinada a reduzir a população desses organismos no solo.

A proposta também considera os efeitos sobre cultivos posteriores na mesma área. Ao atuar sobre a população de nematoides, a tecnologia poderá contribuir para o manejo do problema ao longo do sistema produtivo, segundo a descrição apresentada pela BASF.

Para Rafael Vicentini, diretor de Marketing de Sistemas de Cultivo Soja da BASF, as duas tecnologias representam diferentes frentes de atuação da ciência, envolvendo tanto a proteção das plantas quanto problemas que afetam diretamente a produtividade.

Ciência tropical e eficiência das áreas cultivadas

A discussão sobre produtividade também envolveu a necessidade de ampliar a aplicação do conhecimento científico às condições específicas da agricultura brasileira. Gustavo Spadotti Amaral Castro, da Embrapa Territorial, destacou a importância de desenvolver e disseminar tecnologias adaptadas às condições tropicais.

Segundo o pesquisador, existe possibilidade de aumentar a produtividade utilizando de forma mais eficiente as áreas já abertas, reduzindo as diferenças de desempenho entre sistemas produtivos. A estratégia depende da disseminação de conhecimento e tecnologias entre os produtores.

Essa abordagem coloca a produtividade por área entre os principais indicadores para o desenvolvimento futuro do setor. Em vez de considerar apenas a expansão territorial, o debate passa a incluir a capacidade de produzir mais ou melhor nas áreas que já integram os sistemas agrícolas.

Integração de tecnologias exige conhecimento no campo

Os participantes do Top Ciência também defenderam uma abordagem sistêmica para os desafios agrícolas. Questões relacionadas a pragas, doenças, manejo, sustentabilidade, produtividade e rentabilidade estão interligadas e podem exigir diferentes ferramentas para a tomada de decisão.

Nesse contexto, a BASF informou que combina investimentos em proteção de cultivos, biotecnologia, agricultura digital e conhecimento agronômico. A companhia afirma investir cerca de € 1 bilhão por ano em pesquisa e desenvolvimento globalmente.

A aproximação entre pesquisa, indústria e profissionais que trabalham diretamente nas propriedades também foi destacada durante o encontro. A empresa informou que dez projetos de especialistas foram premiados no Top Ciência por apresentarem aplicações relacionadas a desafios operacionais e ganhos de eficiência e rentabilidade nas propriedades agrícolas.

Pesquisa e aplicação prática no agronegócio

A evolução da agricultura tropical brasileira esteve historicamente associada ao desenvolvimento e à aplicação de conhecimento científico. O debate apresentado no Top Ciência parte dessa trajetória para discutir como novas tecnologias podem responder às condições atuais do setor.

Para Eduardo Santos, gerente sênior de Desenvolvimento Técnico da BASF Soluções para Agricultura, a conexão entre pesquisa, consultoria, indústria e agricultores é necessária para transformar conhecimento em aplicações práticas no campo.

A discussão sobre produtividade, portanto, envolve não apenas a criação de novas tecnologias, mas também sua adoção adequada, integração com outras ferramentas e adaptação às condições de cada sistema produtivo. O objetivo apresentado pelos participantes é ampliar a eficiência sem depender exclusivamente da abertura de novas áreas.

BASF apresenta resultados e investimentos no setor agrícola

A BASF Soluções para Agricultura informou que registrou € 990 milhões em investimentos em pesquisa e desenvolvimento em 2025 e vendas de € 9,6 bilhões no mesmo ano. A unidade trabalha com sementes e biotecnologias, proteção de cultivos, ferramentas digitais e iniciativas relacionadas à sustentabilidade.

No grupo BASF, a empresa informou aproximadamente € 60 bilhões em vendas em 2025 e cerca de 95 mil colaboradores em diferentes países e setores de atuação.

Os dados integram as informações institucionais apresentadas pela companhia e contextualizam a escala dos investimentos destinados ao desenvolvimento de soluções para a agricultura. No campo, a discussão permanece concentrada na capacidade de transformar pesquisa e tecnologia em ganhos mensuráveis de produtividade, eficiência e sustentabilidade.

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