Agro cobra política de Estado para ampliar força global do Brasil

Agos 13, 2026 - 14:00
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Agro cobra política de Estado para ampliar força global do Brasil

Lideranças do agronegócio defenderam uma estratégia de longo prazo para aumentar a competitividade brasileira no mercado internacional durante a abertura da 25ª edição do Congresso Brasileiro do Agronegócio, realizada em 10 de agosto de 2026, em São Paulo. Promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), em parceria com a B3, o congresso deste ano tem como tema “Agro & Indústria – integrando e transformando o Brasil”.

A principal reivindicação apresentada durante o encontro foi a construção de uma agenda permanente para o setor, com maior previsibilidade, segurança jurídica e políticas públicas capazes de estimular investimentos. A avaliação das lideranças é que a competitividade brasileira não depende apenas da capacidade de produzir em grande escala, mas também de agregar valor, ampliar mercados e participar da definição das regras que vão orientar o comércio internacional nos próximos anos.

Durante a abertura, o presidente da ABAG, Ingo Plöger, afirmou que o Brasil construiu um agronegócio competitivo e protagonista, mas precisa avançar na criação de mercados e na agregação de valor. Como parte dessa estratégia, a entidade entregou ao vice-presidente Geraldo Alckmin uma Agenda Estratégica da Agroindústria Brasileira, elaborada com base em mais de 80 fatores e com propostas distribuídas entre medidas de curto, médio e longo prazo.

Alckmin destacou o potencial brasileiro no comércio internacional de alimentos e afirmou que o país está avançando para se tornar o maior exportador de alimentos do mundo, superando os Estados Unidos. O vice-presidente também citou a abertura comercial e afirmou que o acordo entre Mercosul e União Europeia resultou em crescimento de 4% nas exportações nos primeiros 60 dias de vigência, enquanto o governo mantém negociações comerciais com os Estados Unidos.

Outro ponto apresentado pelo vice-presidente foi o impacto esperado da reforma tributária. Segundo dados do Ipea citados por Alckmin, as mudanças poderão elevar o Produto Interno Bruto em 12% em 15 anos, os investimentos em 14% e as exportações em 17%. Para o agronegócio, a discussão tributária se soma a temas como infraestrutura, financiamento, logística e acesso a mercados, considerados fundamentais para reduzir custos e aumentar a competitividade.

O financiamento também ganhou destaque no congresso. Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da B3, ressaltou a importância do mercado de capitais para aproximar produtores e empresas dos recursos necessários à expansão. Até junho, as emissões de CPR alcançavam R$ 470 bilhões, as LCA somavam R$ 560 bilhões, os CRA chegavam a R$ 170 bilhões e os CDCA ultrapassavam R$ 30 bilhões. A B3 também apontou a necessidade de avanços na gestão de riscos e na formação de preços das commodities.

Na frente comercial, André de Paula informou que o Brasil já havia conquistado 674 novos mercados para produtos agropecuários e estabeleceu como objetivo ultrapassar 700 até o final de 2026. O Ministério da Agricultura também mantém iniciativas específicas de promoção comercial, negociações sanitárias e fitossanitárias e preparação de empresas para acessar compradores estrangeiros.

A busca por novos destinos é considerada estratégica diante de um cenário internacional marcado por disputas geopolíticas, mudanças nas relações comerciais, novas exigências ambientais e preocupação crescente com segurança alimentar e energética. O próprio Ministério da Agricultura vem ampliando ações de promoção internacional, como a Caravana do Agro Exportador, que busca conectar empresas brasileiras às oportunidades existentes em diferentes mercados.

A senadora Tereza Cristina também defendeu que o próximo governo trate o agronegócio como uma agenda permanente, com previsibilidade e segurança jurídica. O deputado federal Arnaldo Jardim seguiu a mesma linha ao defender que a resiliência demonstrada pelo setor seja transformada em uma estratégia de longo prazo sustentada por políticas de Estado.

A discussão ocorre em um momento em que o governo federal também apresenta medidas voltadas à infraestrutura e à produtividade. No Plano Safra 2026/2027, o Ministério da Agricultura prevê investimentos em armazenagem, câmaras frias, irrigação, máquinas e equipamentos, além de linhas para geração e armazenamento de energia renovável. A proposta é reduzir perdas, melhorar o escoamento e fortalecer a eficiência da produção.

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