Após morte de 209 botos, Amazônia ganha sistema de alerta contra secas extremas
Sensores, imagens de satélite e conhecimento de comunidades ribeirinhas estão sendo utilizados para tentar antecipar situações críticas nos lagos amazônicos e proteger botos durante períodos de calor e seca severa.
Uma rede de monitoramento está sendo implantada na Amazônia para tentar evitar que uma tragédia ambiental como a registrada durante a seca de 2023 e 2024 volte a provocar a morte em massa de botos.
O projeto Lagos Sentinelas da Amazônia, coordenado pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, utiliza sensores instalados na água, estações meteorológicas, imagens de satélite e informações coletadas por moradores das comunidades para acompanhar as condições ambientais de cinco lagos no Amazonas.
A iniciativa ganhou força depois da morte de 209 botos durante a seca extrema de 2023–2024. Naquele período, a temperatura da água do lago Tefé chegou a impressionantes 40,9°C, colocando os animais em uma situação extrema de sobrevivência. (www1.folha.uol.com.br)
Ribeirinhos ajudam a proteger os animais
Um dos diferenciais do projeto é a participação direta das comunidades amazônicas.
Mais de 200 moradores de 52 comunidades participam como sentinelas ambientais, auxiliando pesquisadores a identificar mudanças nos rios e lagos.
Esses moradores convivem diariamente com os ambientes monitorados e conseguem perceber alterações no comportamento dos animais, na temperatura, na profundidade e em outras características das águas.
As informações tradicionais são combinadas com dados científicos.
Sensores acompanham temperatura e oxigênio
Entre os indicadores monitorados estão temperatura da água, nível dos rios, concentração de oxigênio dissolvido, radiação solar e velocidade dos ventos.
Esses dados podem ajudar pesquisadores a identificar antecipadamente condições capazes de colocar botos e outros animais aquáticos em risco.
O objetivo é criar condições para uma resposta rápida antes que uma situação extrema provoque uma nova mortandade.
Lagos amazônicos estão ficando mais quentes
O acompanhamento científico também revelou uma tendência preocupante.
Estudos citados pelos pesquisadores indicam que os lagos monitorados na região vêm registrando aquecimento de aproximadamente 0,6°C por década desde 1990.
O aumento da temperatura associado às secas severas pode provocar alterações profundas nos ecossistemas aquáticos.
Quando o nível dos rios e lagos diminui drasticamente, a água restante pode aquecer rapidamente. A redução do oxigênio disponível também representa risco para peixes e mamíferos aquáticos.
Tragédia mudou estratégia de monitoramento
A morte dos botos no lago Tefé chamou atenção internacional para os efeitos das temperaturas extremas sobre a biodiversidade amazônica.
Depois da tragédia, pesquisadores e órgãos ambientais passaram a trabalhar também com protocolos de emergência.
Em 2025, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) lançou um guia com procedimentos para atuação em situações envolvendo mamíferos aquáticos durante eventos climáticos extremos.
Agora, o desafio é antecipar os problemas.
Em vez de agir somente quando animais começam a morrer, pesquisadores esperam utilizar os dados ambientais para identificar situações de risco antes que elas atinjam níveis críticos.
Mudanças climáticas desafiam a Amazônia
Os eventos registrados nos últimos anos mostram que a preservação da Amazônia não depende apenas do combate ao desmatamento.
Secas severas, temperaturas extremas, incêndios florestais e alterações no regime dos rios passaram a fazer parte das preocupações ambientais da região.
Para milhões de pessoas que vivem na Amazônia, o nível dos rios também está diretamente relacionado ao transporte, alimentação, pesca, abastecimento de água e economia das comunidades.
Proteger os botos, portanto, faz parte de um desafio muito maior: compreender rapidamente as transformações ambientais que estão acontecendo na maior floresta tropical do planeta e encontrar maneiras de reduzir seus impactos.
Amazônia Agora — 24 horas de notícias para você.
Sugestões, reclamações e denúncias: WhatsApp (68) 9 9220-2644
E-mail: amazoniaagoraac@gmail.com
#MeioAmbiente, #Amazônia, #Botos, #BotoCorDeRosa, #SecaNaAmazônia, #SecaExtrema, #MudançasClimáticas, #RiosDaAmazônia, #Amazonas, #LagoTefé, #PreservaçãoAmbiental, #Biodiversidade, #ComunidadesRibeirinhas, #InstitutoMamirauá, #AmazôniaAgora
Qual é a sua reação?
Como
0
Não gosto
0
Amor
0
Engraçado
0
Nervoso
0
Triste
0
Uau
0