Após morte de 209 botos, Amazônia ganha sistema de alerta contra secas extremas

Agos 18, 2026 - 06:00
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Após morte de 209 botos, Amazônia ganha sistema de alerta contra secas extremas

Sensores, imagens de satélite e conhecimento de comunidades ribeirinhas estão sendo utilizados para tentar antecipar situações críticas nos lagos amazônicos e proteger botos durante períodos de calor e seca severa.

Uma rede de monitoramento está sendo implantada na Amazônia para tentar evitar que uma tragédia ambiental como a registrada durante a seca de 2023 e 2024 volte a provocar a morte em massa de botos.

O projeto Lagos Sentinelas da Amazônia, coordenado pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, utiliza sensores instalados na água, estações meteorológicas, imagens de satélite e informações coletadas por moradores das comunidades para acompanhar as condições ambientais de cinco lagos no Amazonas.

A iniciativa ganhou força depois da morte de 209 botos durante a seca extrema de 2023–2024. Naquele período, a temperatura da água do lago Tefé chegou a impressionantes 40,9°C, colocando os animais em uma situação extrema de sobrevivência. (www1.folha.uol.com.br)

Ribeirinhos ajudam a proteger os animais

Um dos diferenciais do projeto é a participação direta das comunidades amazônicas.

Mais de 200 moradores de 52 comunidades participam como sentinelas ambientais, auxiliando pesquisadores a identificar mudanças nos rios e lagos.

Esses moradores convivem diariamente com os ambientes monitorados e conseguem perceber alterações no comportamento dos animais, na temperatura, na profundidade e em outras características das águas.

As informações tradicionais são combinadas com dados científicos.

Sensores acompanham temperatura e oxigênio

Entre os indicadores monitorados estão temperatura da água, nível dos rios, concentração de oxigênio dissolvido, radiação solar e velocidade dos ventos.

Esses dados podem ajudar pesquisadores a identificar antecipadamente condições capazes de colocar botos e outros animais aquáticos em risco.

O objetivo é criar condições para uma resposta rápida antes que uma situação extrema provoque uma nova mortandade.

Lagos amazônicos estão ficando mais quentes

O acompanhamento científico também revelou uma tendência preocupante.

Estudos citados pelos pesquisadores indicam que os lagos monitorados na região vêm registrando aquecimento de aproximadamente 0,6°C por década desde 1990.

O aumento da temperatura associado às secas severas pode provocar alterações profundas nos ecossistemas aquáticos.

Quando o nível dos rios e lagos diminui drasticamente, a água restante pode aquecer rapidamente. A redução do oxigênio disponível também representa risco para peixes e mamíferos aquáticos.

Tragédia mudou estratégia de monitoramento

A morte dos botos no lago Tefé chamou atenção internacional para os efeitos das temperaturas extremas sobre a biodiversidade amazônica.

Depois da tragédia, pesquisadores e órgãos ambientais passaram a trabalhar também com protocolos de emergência.

Em 2025, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) lançou um guia com procedimentos para atuação em situações envolvendo mamíferos aquáticos durante eventos climáticos extremos.

Agora, o desafio é antecipar os problemas.

Em vez de agir somente quando animais começam a morrer, pesquisadores esperam utilizar os dados ambientais para identificar situações de risco antes que elas atinjam níveis críticos.

Mudanças climáticas desafiam a Amazônia

Os eventos registrados nos últimos anos mostram que a preservação da Amazônia não depende apenas do combate ao desmatamento.

Secas severas, temperaturas extremas, incêndios florestais e alterações no regime dos rios passaram a fazer parte das preocupações ambientais da região.

Para milhões de pessoas que vivem na Amazônia, o nível dos rios também está diretamente relacionado ao transporte, alimentação, pesca, abastecimento de água e economia das comunidades.

Proteger os botos, portanto, faz parte de um desafio muito maior: compreender rapidamente as transformações ambientais que estão acontecendo na maior floresta tropical do planeta e encontrar maneiras de reduzir seus impactos.

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