Assassinato de Khamenei abre ‘caixa de Pandora’, diz chanceler iraniano à ONU

Mar 2, 2026 - 03:00
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Assassinato de Khamenei abre ‘caixa de Pandora’, diz chanceler iraniano à ONU


O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, enviou neste domingo (1º) uma carta à Organização das Nações Unidas (ONU). No documento, o chanceler disse que os ataques dos Estados Unidos e de Israel que resultaram na morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, “abrem uma perigosa caixa de Pandora”.

Araghchi disse que a operação contra o Irã “constitui uma violação grave e sem precedentes das normas mais fundamentais que governam as relações entre os Estados”. O chanceler também pediu à ONU e ao Conselho de Segurança da organização que tomem medidas para garantir a responsabilização dos Estados Unidos e de Israel por seu papel no assassinato de Khamenei.

No fim da noite de sábado (28), a mídia estatal do Irã confirmou a morte de seu líder supremo. Mais cedo, autoridades israelenses e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, haviam comunicado que Khamenei morreu nos ataques.

Por meio de publicação na rede social Truth Social, o líder norte-americano disse que o aiatolá era “uma das pessoas mais perversas da história”. Trump afirmou que a morte de Khamenei não representa “justiça só ao povo iraniano, mas a todos os grandes norte-americanos e para aqueles de muitos países que foram mortos ou mutilados” pelo regime teocrático do Irã.

“[Khamenei] não conseguiu escapar de nossa inteligência e de nossos sofisticados sistemas de rastreamento e, trabalhando em estreita colaboração com Israel, não havia nada que ele ou que outros líderes, que foram mortos juntos, pudessem fazer”, declarou o republicano.

Na publicação, Trump acrescentou que o momento é oportuno para a população do Irã “recuperar” o controle “de seu país”.

O republicano relatou que integrantes da Guarda Revolucionária Islâmica, das forças armadas, de segurança e policiais iranianas “não querem mais lutar e buscaram imunidade”.

Na publicação, Trump reiterou a fala dada na sexta-feira (27). “Agora eles terão imunidade, depois só terão a morte”, escreveu o republicano.

O presidente norte-americano ainda comunicou que os bombardeios “pesados e precisos” contra o Irã continuarão “ininterruptos durante toda a semana ou pelo tempo que for necessário”. Segundo Trump, a medida visa “alcançar” a “paz em todo o Oriente Médio”.

Ataques

A operação conjunta dos Estados Unidos e Israel começou com fumaça sendo vista sobre Teerã, capital iraniana, na madrugada de sábado (28). Tel-Aviv classificou os ataques como preventivos.

Trump utilizou sua plataforma Truth Social para postar uma declaração surpresa. Em vídeo, o republicano anunciou operações de combate no Irã, com o objetivo de “eliminar ameaças iminentes”.

Foi vista fumaça subindo sobre o distrito de Pasteur, em Teerã — local da residência do aiatolá Ali Khamenei — e houve um enorme destacamento de segurança na capital.

Os Estados Unidos e Israel afirmaram que a operação mirou locais militares do Irã. O exército israelense alertou os iranianos que, se estivessem dentro ou perto dessas infraestruturas em todo o país, deveriam se retirar dos locais.

No sul do Iraque, houve um bombardeio contra uma base militar que abriga um grupo pró-Irã. Ao menos duas pessoas morreram, segundo informaram as autoridades.

Explosões também foram ouvidas perto do consulado dos Estados Unidos em Erbil, no Iraque, de acordo com jornalistas da agência de notícias AFP.

Onda de mísseis e drones

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que mirou a Quinta Frota dos Estados Unidos no Bahrein, após uma primeira onda de ataques de mísseis e drones ter sido lançada contra Israel.

“A primeira onda de ataques generalizados de mísseis e drones da República Islâmica do Irã contra os territórios ocupados começou”, afirmou o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) em comunicado, referindo-se a Israel.

O serviço de emergência Magen David Adom, de Israel, informou estar tratando um homem com ferimentos causados por explosão no norte do país. O Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou que responderia “decisivamente” aos ataques, insistindo que Teerã fez “todo o necessário para evitar que a guerra eclodisse”.

Explosões no Golfo

Explosões foram relatadas em toda a região do Golfo. Correspondentes da AFP em Riade, na Arábia Saudita, ouviram fortes explosões, assim como na capital do Bahrein, Manama, e em Doha, no Catar.

Os Emirados Árabes Unidos afirmaram ter interceptado mísseis iranianos e reservaram-se o direito de responder aos ataques. Residentes de Abu Dhabi relataram à AFP terem ouvido fortes explosões na capital emiradense, que abriga uma base com pessoal dos Estados Unidos. O Ministério da Defesa do Catar disse ter interceptado vários ataques de mísseis, enquanto o Kuwait também enfrentou ataques.

*Com informações de Estadão Conteúdo e AFP

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