Áudios sobre prisão de eleitores do PT levam a afastamento de secretário no Maranhão

Out 23, 2026 - 14:00
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Áudios sobre prisão de eleitores do PT levam a afastamento de secretário no Maranhão

O sargento da Polícia Militar James Mota, que ocupava o cargo de secretário municipal de Segurança Pública de Barra do Corda, no Maranhão, foi afastado da função após a divulgação de áudios em que pede a prisão de eleitores identificados com o Partido dos Trabalhadores (PT). O caso veio a público em 22 de outubro de 2026, em reportagem do jornalista Carlos Madeiro, do UOL. Nas gravações, enviadas a um grupo de policiais militares, o sargento afirma que os petistas deveriam ser presos e defende ações para intimidar outros eleitores.

Em um dos trechos divulgados, James Mota declara: “Vamos botar esses petistas no lugar deles. Vamos botar para prender. O primeiro que nós prender na cidade ou no povoado, sai a história, eles vão ficar com medo”. Em outra gravação, ele relata ter confrontado pessoas que distribuíam material de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas proximidades de escolas durante o primeiro turno e incentiva os integrantes do grupo a agir. As declarações foram denunciadas pelo vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), que pediu a investigação do caso.

Após a repercussão, o governador Carlos Brandão (MDB) anunciou o afastamento do sargento, que estava cedido à Prefeitura de Barra do Corda, e determinou a abertura de uma investigação sobre as declarações. Brandão afirmou que qualquer tentativa de intimidar eleitores ou interferir na liberdade do voto é inaceitável e contrária às liberdades individuais. O prefeito Rigo Teles (MDB) também determinou o afastamento de James Mota da Secretaria Municipal de Segurança Pública até o encerramento das eleições. A medida foi formalizada pela Portaria nº 398/2026-GAB, conforme informação divulgada por veículo local.

Na esfera eleitoral, a Federação Brasil da Esperança, formada pelo PT, Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido Verde (PV), apresentou notícia-crime ao Ministério Público Eleitoral. O documento pede a apuração de possíveis ameaças, intimidação de eleitores e calúnia eleitoral. A federação também solicitou informações sobre a estrutura de comando do secretário e eventuais registros de abordagens, conduções ou detenções de eleitores e militantes partidários relacionados às atividades de campanha. Segundo Felipe Camarão, a presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão informou que a Polícia Federal instauraria um inquérito.

Após a divulgação dos áudios, James Mota apresentou uma manifestação na qual afirmou que as gravações foram feitas em um grupo fechado de policiais militares, no qual, segundo ele, eram comuns brincadeiras e provocações políticas entre integrantes com diferentes posições partidárias. O sargento reconheceu ter utilizado expressões fortes, mas contextualizou as falas como parte dessas discussões. A manifestação apresenta sua versão dos fatos, que deverá ser considerada no curso das apurações.

O caso ocorre a dois dias do segundo turno das eleições de 2026, marcado para 25 de outubro, e levanta questionamentos sobre a atuação de agentes públicos diante de eleitores com diferentes preferências políticas. A legislação eleitoral prevê mecanismos para apurar condutas que possam comprometer a liberdade do voto, mas a responsabilização individual depende da análise das provas e dos procedimentos competentes.

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