Autoexame da vulva: veja como fazer e quais alterações merecem atenção

Out 26, 2026 - 14:00
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Autoexame da vulva: veja como fazer e quais alterações merecem atenção
Huap

Uma pesquisa desenvolvida no Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap-UFF), em Niterói, destaca a importância do autoexame da vulva para identificar alterações e estimular o diagnóstico precoce de doenças ginecológicas.

O estudo, realizado no âmbito da Universidade Federal Fluminense (UFF), chama atenção para uma região do corpo feminino que muitas vezes recebe pouca atenção durante os cuidados de rotina.

A iniciativa integra uma dissertação de mestrado profissional em Saúde Materno-infantil e ganhou destaque no contexto do Outubro Rosa, campanha tradicionalmente dedicada à conscientização sobre o câncer de mama, mas que também abre espaço para discussões sobre a saúde integral da mulher.

Pesquisa em Niterói alerta para falta de conhecimento sobre a vulva

A ginecologista Sarah Cuquetto, estudante do mestrado profissional da UFF, desenvolve a pesquisa para compreender quanto as mulheres conhecem sobre a própria anatomia e se sabem realizar o autoexame vulvar.

O trabalho é desenvolvido no Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap-UFF), instituição vinculada à HU Brasil.

Segundo a pesquisadora, a falta de informação sobre a vulva pode dificultar a identificação de doenças e atrasar a procura por atendimento especializado.

“Existe um desconhecimento muito grande a respeito desse órgão, a vulva, pois o cuidado acaba sendo focado mais na parte interna, a vagina. E as doenças da vulva acabam sendo diagnosticadas em estágio avançado, o que prejudica a qualidade de vida da paciente”, explica Sarah.

A pesquisa envolve pacientes dos ambulatórios de ginecologia geral e patologia vulvar do hospital. Durante o estudo, elas recebem um material educativo e respondem a um questionário sobre conhecimentos relacionados à anatomia genital e à realização do autoexame.

A proposta também inclui a elaboração de um panfleto de educação em saúde para orientar as pacientes.

Foto: Divulgação

O que é a vulva e por que é importante examiná-la?

A vulva corresponde à parte externa da genitália feminina. Diferentemente da vagina, que é um canal interno, ela reúne estruturas que podem ser observadas durante o autoexame.

Entre essas estruturas estão:

  • Monte pubiano, conhecido como monte de Vênus;
  • Grandes e pequenos lábios;
  • Clitóris e capuz do clitóris;
  • Abertura da uretra;
  • Entrada da vagina;
  • Região do vestíbulo vaginal.

Conhecer a aparência habitual dessas estruturas facilita a percepção de possíveis mudanças.

A Sociedade Internacional para o Estudo das Doenças Vulvovaginais (ISSVD) disponibiliza orientações para o autoexame e destaca sua importância na identificação de alterações que precisam ser avaliadas por profissionais de saúde.

Quais sinais na vulva merecem atenção?

Alguns sintomas podem indicar infecções, doenças dermatológicas, processos inflamatórios ou alterações que exigem investigação ginecológica.

Entre os principais sinais de alerta estão:

  • Coceira persistente na região genital;
  • Ardência ou sensação de queimação;
  • Dor durante as relações sexuais;
  • Feridas ou lesões que não cicatrizam;
  • Manchas ou mudanças na coloração da pele;
  • Caroços ou nódulos;
  • Áreas de espessamento da pele;
  • Mudanças na sensibilidade da região;
  • Sangramentos sem causa aparente.

A presença desses sintomas não significa necessariamente câncer. Muitas alterações têm causas benignas, mas precisam de avaliação médica, especialmente quando persistem ou se agravam.

A orientação está alinhada às recomendações internacionais de avaliação das doenças vulvares, que reforçam a importância de observar sintomas e examinar adequadamente a região.

Falta de informação pode atrasar o diagnóstico

A professora Susana Aidé, especialista em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia e orientadora da pesquisa, explica que o desconhecimento sobre a vulva pode contribuir para o diagnóstico tardio de doenças.

“O grande problema da falta de conhecimento é o diagnóstico tardio, porque muitas vezes as mulheres apresentam queixas que podem estar relacionadas com doenças pré-malignas e não procuram um serviço médico. Então o estímulo ao autoexame é fazer o diagnóstico precoce de doenças e evitar muitas lesões malignas”, afirma.

A especialista também chama atenção para a necessidade de uma avaliação ginecológica completa, incluindo a observação da parte externa da genitália.

Segundo Susana, a Sociedade Internacional para o Estudo das Doenças Vulvovaginais desenvolveu orientações para estimular o autoexame e conscientizar profissionais de saúde sobre a importância da avaliação vulvar.

O projeto também conta com a participação da professora Isabel do Val e da estudante de graduação Nicole Ferreira.

Como fazer o autoexame da vulva em casa?

O autoexame pode ser realizado em um ambiente reservado, utilizando um espelho e iluminação adequada.

O objetivo é conhecer a aparência habitual da vulva e perceber alterações que eventualmente surjam.

Antes de começar

  1. Lave bem as mãos.
  2. Separe um espelho pequeno.
  3. Escolha um local com boa iluminação e privacidade.
  4. Sente-se ou deite-se confortavelmente, com os joelhos dobrados e as pernas ligeiramente afastadas.
  5. Posicione o espelho para visualizar a região genital externa.

Passo a passo do autoexame

1. Observe toda a região externa

Com o auxílio do espelho, examine a aparência geral da vulva e procure manchas, feridas, irritações ou mudanças na pele.

2. Examine a região do clitóris

Observe cuidadosamente o clitóris e, com delicadeza, afaste seu capuz para verificar possíveis alterações visíveis.

3. Afaste os grandes e pequenos lábios

Utilize os dedos para separar suavemente os lábios e visualizar as estruturas que ficam entre eles.

4. Observe a entrada da vagina

Verifique se existem mudanças na coloração, lesões, nódulos ou outras alterações.

5. Examine a região próxima ao ânus

Observe a pele ao redor do ânus, procurando feridas, manchas ou mudanças incomuns.

6. Apalpe delicadamente a vulva

Com as pontas dos dedos, procure caroços, áreas endurecidas, espessamento da pele ou pontos dolorosos.

7. Registre possíveis mudanças

Caso identifique alguma alteração, anote as características e quando percebeu o problema. Se considerar necessário, uma fotografia privada pode auxiliar na descrição da evolução durante a consulta médica.

8. Procure atendimento ginecológico quando necessário

Alterações persistentes, feridas, sangramentos ou nódulos devem ser avaliados por um profissional de saúde.

O procedimento também é explicado no guia internacional de autoexame vulvar da ISSVD, que reúne materiais educativos para pacientes, inclusive em português.

Com que frequência o autoexame deve ser feito?

A ISSVD sugere que as mulheres realizem o autoexame vulvar preferencialmente a cada três meses e sempre que perceberem sintomas como coceira, dor, caroços ou mudanças na pele.

Essa frequência é uma orientação educativa e pode ser adaptada conforme as necessidades individuais e as recomendações do ginecologista.

O autoexame não substitui consultas de rotina, exames clínicos ou procedimentos indicados pelo médico. Também não é capaz de confirmar ou descartar sozinho a presença de câncer.

Autoexame também pode ajudar na prevenção de complicações

A identificação precoce de alterações vulvares permite que pacientes procurem atendimento antes de uma possível progressão de determinadas doenças.

Algumas condições apresentam sintomas semelhantes, por isso é importante evitar a automedicação e não utilizar pomadas ou outros tratamentos sem orientação profissional.

Em situações suspeitas, o ginecologista poderá indicar exames complementares, como avaliação especializada ou biópsia, dependendo das características da lesão.

O acompanhamento é especialmente importante para mulheres com sintomas persistentes ou histórico de doenças vulvares.

Outubro Rosa reforça importância da saúde integral da mulher

Embora o Outubro Rosa tenha como foco principal a conscientização sobre o câncer de mama, a campanha também representa uma oportunidade para ampliar o debate sobre outros cuidados relacionados à saúde feminina.

A pesquisa realizada em Niterói destaca a importância da educação em saúde e da autonomia das pacientes para reconhecer alterações em seus corpos.

O trabalho desenvolvido no Huap-UFF reforça ainda o papel dos hospitais universitários na produção científica e na formação de profissionais de saúde.

A unidade integra a rede de hospitais administrados pela HU Brasil, vinculada ao Ministério da Educação, que reúne atividades de assistência, ensino e pesquisa.

Quando procurar atendimento médico?

Mulheres que identificarem alterações na vulva devem procurar atendimento ginecológico, principalmente quando apresentarem sintomas persistentes.

A avaliação profissional é importante para diferenciar condições benignas de doenças que necessitam de investigação e tratamento específicos.

O principal alerta dos pesquisadores é que conhecer o próprio corpo pode ajudar a reconhecer mudanças, mas o diagnóstico deve ser realizado por profissionais de saúde.

O autoexame funciona como uma ferramenta complementar de observação e conscientização, contribuindo para que as mulheres procurem assistência diante de sinais que não devem ser ignorados.

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