Câncer de mama deve afetar quase 900 mulheres em Alagoas neste ano, aponta Inca
O acolhimento para atravessar uma fase delicada como o câncer de mama, uma das doenças mais temidas pelas mulheres, envolve uma rede de apoio que faz toda a diferença durante o tratamento. Nos momentos adversos, as jornalistas Luciana Martins e Ana Paula Silva contaram com amigos, parentes e profissionais da saúde em uma luta coletiva pelo bem-estar, pela esperança, pela força e pela cura.O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima para Alagoas 880 novos casos de câncer de mama a cada ano no triênio 2026–2028. Em 2024, dados do Atlas da Mortalidade registraram 247 óbitos decorrentes da doença no estado. Em todo o país, são previstos 78.610 novos casos anuais para o mesmo período, após 20.820 mortes contabilizadas em 2024.HISTÓRIAS DE FÉ E AMORDiagnosticadas com a enfermidade, as jornalistas contam o período árduo que enfrentaram, os medos, as conquistas e os ensinamentos.
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“Quando recebi o diagnóstico no ano passado, não tinha plano de saúde e o medo de atrasar o início do tratamento foi grande. Mas Deus me abençoou de forma tão grandiosa que, entre a realização dos exames particulares e o início do tratamento, foram apenas dois meses”, recorda Luciana, que realizou a primeira quimioterapia em julho de 2025. Ao término das sessões, o resultado da ressonância magnética não apresentou mais nódulos, confirmando a resposta clínica completa — o que ela considera mais um agir divino em sua vida.Luciana lembra com gratidão da equipe multidisciplinar que esteve ao seu lado: “Principalmente o Regis Barros, profissional de Educação Física que me acompanhou como personal trainer sem custos, e a farmacêutica e acupunturista Paula Cavalcante, que me presenteou durante o tratamento com sessões que ajudaram a reduzir os efeitos colaterais provocados pela quimioterapia”. Ela também recebeu assistência da nutricionista oncológica Glauce Cavalcante para manter a massa magra. “Durante esse processo eu descobri que sou uma pessoa de fé porque nunca tive medo, só pedi a Deus que cuidasse de mim”, conclui.Para Ana Paula, a descoberta ocorreu em março de 2023. Ela sentiu um caroço na mama e acreditava ser um nódulo benigno antigo. “Achei que ele havia crescido. Fui ao médico, fiz exames e no ultrassom deu um nódulo. O médico disse que eu não tinha nada. Reclamei que o caroço estava incomodando e ele disse que era porque eu mexia. Procurei outro médico e ele pediu uma ressonância. Foi aí que veio o susto: o nódulo benigno continuava lá, do mesmo jeito, mas ao lado dele tinha outro crescendo muito rápido”, relembra.Tratava-se de um tumor maligno agressivo. Foram nove meses de tratamento entre quimioterapia, cirurgia e radioterapia. “Parece que no momento em que a gente fica careca a ficha cai de verdade. Foi a primeira vez que vi meu esposo desabar. Meus filhos também caíram no choro quando viram o pai raspando minha cabeça. Minha filha, com cinco anos, e meu filho, com dez, sentiram muito. Lutei por mim e pela minha família. Meu esposo foi minha rede de apoio, esteve presente em todas as consultas e quimioterapias”, relata Ana Paula.O RECOMEÇO E OS CUIDADOSSobre o estado físico e psicológico atual, Ana Paula comemora: “Curada para honra e glória do Senhor! Psicologicamente a doença não conseguiu me derrubar. Desde o início fui forte: cuidava da casa e dos meus filhos, fazia sessões de quimioterapia pela manhã e à tarde fazia caminhada dentro do condomínio”.
Luciana afirma que ainda sente os efeitos colaterais da medicação para bloqueio hormonal, que causam dores articulares, e está concluindo a imunoterapia intravenosa para seguir apenas com o remédio oral. “O tratamento não é difícil, é cansativo. Estou nesta jornada há um ano e três meses indo ao hospital a cada 21 dias. Depois vem a fase de remissão, que pode durar de cinco a dez anos. A minha rede de apoio foi fundamental, com amigas da igreja, da escola e primas. Não sabia que era tão amada”, emociona-se. O processo a motivou a criar o podcast Check Up Cast, disponível no YouTube e Spotify, para orientar a população sobre saúde geral.
O mastologista João Aderbal ressalta que muitas mulheres buscam atendimento tardiamente por colocarem os cuidados com a família e o trabalho à frente de si mesmas, além do medo e da dificuldade de acesso aos serviços. Para o médico, a prevenção deve aliar hábitos saudáveis (exercícios físicos, boa alimentação, redução do consumo de álcool e fumo) e o diagnóstico precoce por meio do acesso facilitado à mamografia e do fluxo ágil no atendimento público e privado.
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