Cerrado Cultural recebe exposições de Claudio Tozzi
Brasília recebe, até 25 de julho, duas novas exposições na Cerrado Cultural, no Lago Sul. As mostras “Uma continuidade como respiro”, do artista Claudio Tozzi, e a coletiva “Abismal…Abissal” propõem um diálogo entre diferentes gerações da arte contemporânea brasileira, reunindo desde obras históricas até produções de jovens artistas do Centro-Oeste.
Claudio Tozzi é um dos principais nomes da arte contemporânea brasileira. Nascido em São Paulo, o artista, pintor, desenhista, gravador e arquiteto ganhou destaque nos anos 1960 como integrante da chamada Nova Figuração brasileira. Sua produção utiliza elementos da cultura de massa, como cores vibrantes, retículas e imagens inspiradas em jornais e quadrinhos, para discutir questões políticas, sociais e urbanas. Ao longo da carreira, sua obra passou por transformações, se aproximando da geometria e da relação entre arte e espaço arquitetônico, sem abandonar o caráter crítico e experimental.

A exposição do artista reúne trabalhos produzidos entre 1963 e hoje, e foi construída a partir de um percurso não cronológico, buscando aproximar obras de diferentes períodos da trajetória do artista. A curadoria é assinada por Cristiano Raimondi, que acompanhou de perto o processo de criação da mostra.
“Mais do que apresentar diferentes fases de maneira linear, meu interesse foi evidenciar como certas tensões formais, políticas e perceptivas atravessam toda a obra de Tozzi, transformando-se continuamente sem jamais perder o seu núcleo inicial”, explica Raimondi.
Segundo o curador, obras emblemáticas como Multidão (1968) dialogam diretamente com produções recentes, como Território (2012), revelando permanências na pesquisa visual do artista ao longo de mais de seis décadas. “Muda a linguagem formal, mas permanece a reflexão sobre organização, ocupação, coletividade e poder”, afirma.

A exposição também busca criar uma atmosfera intimista. As paredes da galeria receberam o mesmo tom presente na casa de Tozzi, aproximando o público do universo cotidiano do artista. “As obras criam um ‘respiro temporal’, onde passado e presente coexistem continuamente”, completa o curador.
Na mesma ocasião, a Cerrado Cultural apresenta a coletiva “Abismal…Abissal”, com curadoria de Tálisson Melo. A mostra reúne obras de 12 artistas e investiga as relações entre memória, subjetividade, paisagem e interioridade.
De acordo com Tálisson Melo, o conceito da exposição surgiu das conversas com artistas que cresceram no interior do Brasil, especialmente no Centro-Oeste. “Percebi que esse espaço territorial, geográfico e regional do interior também encontrava diálogo com o interior subjetivo, com a experiência de cada um”, destaca.
O curador explica que o título da mostra parte da ideia de “abismo”, explorando tanto a dimensão territorial quanto emocional desse conceito. “O abismal está mais ligado ao território e à paisagem; e o abissal, a um espaço oceânico pouco conhecido e que demanda pesquisa”, diz. Para ele, as obras dialogam com esse “Brasil profundo” e com os espaços internos da memória e da subjetividade.

Além das exposições, a proposta da Cerrado Cultural é fortalecer a circulação da arte contemporânea produzida no Centro-Oeste e ampliar o diálogo com artistas de outras regiões do país. O espaço nasceu em 2022, a partir de uma parceria entre Lucio Albuquerque, da Casa Albuquerque Galeria de Arte, e os sócios da galeria Almeida & Dale, de São Paulo. O Cerrado Cultural é um centro de artes visuais localizado em Brasília, criado para promover e difundir a arte moderna e contemporânea no Centro-Oeste.
“O nome Cerrado foi pensado para demonstrar nosso total compromisso com a produção artística da região e a herança artística cultural que, em grande medida, inspirou a criação de Brasília”, explica Lucio Albuquerque, sócio-diretor da galeria.
Para o curador, as duas mostras refletem justamente essa proposta de diversidade. “Temos uma exposição de um artista com mais de seis décadas de percurso e uma coletiva com jovens artistas do Distrito Federal e de Goiás que já despontam no cenário nacional”, afirma.
Segundo Albuquerque, a ideia é oferecer ao público um panorama mais amplo da arte contemporânea brasileira. “É um processo contínuo que, a médio prazo, renderá frutos muito importantes para a cidade, a região e o país”, conclui.
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