Ciclovias irregulares ampliam riscos no trânsito do Rio

Mar 27, 2026 - 15:00
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Ciclovias irregulares ampliam riscos no trânsito do Rio

Falta de padronização e trechos desconectados colocam ciclistas, pedestres e motoristas em perigo constante na Rio de Janeiro.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

A convivência entre ciclistas, pedestres e motoristas nas ruas da Rio de Janeiro tem se tornado cada vez mais desafiadora diante da falta de padronização das ciclovias e ciclofaixas. Em diversos pontos da cidade, a disputa por espaço transforma vias urbanas em áreas de risco constante.

Ciclovias irregulares ampliam riscos no trânsito do Rio | No Rio, espaço de ciclistas é “compartilhado” com ponto de ônibus e árvores
No Rio, espaço de ciclistas é “compartilhado” com ponto de ônibus e árvores

Um exemplo claro ocorre na Rua do Catete, na Zona Sul, onde bicicletas, carros em busca de estacionamento e veículos de carga dividem o mesmo trecho. Mesmo com sinalização, a organização precária faz com que a prioridade seja definida, muitas vezes, por quem se arrisca primeiro, segundo informações de reportagem do telejornal RJ2, da TV Globo.

A situação se agrava para pedestres, como no caso de uma mãe atravessando a rua com o filho no colo, cercada por veículos, entregadores e até scooters elétricas circulando pela ciclofaixa.

Acidentes

Os problemas não ficam apenas na desordem visual. Acidentes são frequentes. Em um dos casos recentes, dois ciclistas colidiram de frente após a visibilidade ser comprometida por um caminhão estacionado para carga e descarga.

O trecho onde ocorreu o acidente evidencia uma das principais falhas: a ausência de segregação física. A ciclofaixa fica entre vagas de estacionamento e a pista de rolamento, aumentando o risco de conflitos.

Especialistas apontam que o modelo ideal seria a sequência calçada, ciclovia e estacionamento, garantindo maior proteção ao ciclista. Sem essa organização, o espaço acaba funcionando, na prática, como uma faixa compartilhada.

Falta de padrão

A diversidade de formatos ao longo de uma mesma via também contribui para a insegurança. Na própria Rua do Catete, há trechos com ciclovia segregada próxima à calçada e outros com ciclofaixa junto aos carros.

Segundo a CET-Rio, o número de ciclistas na região cresceu 44% após intervenções recentes, chegando a cerca de 300 usuários por hora. Ainda assim, a companhia admite que mudanças no traçado ocorrem por questões operacionais.

Essa alternância, no entanto, dificulta a adaptação dos usuários e aumenta o risco de acidentes, especialmente para ciclistas menos experientes.

Trechos

Outro desafio é a falta de integração entre as ciclovias. Na Rua Marquês de Pombal, no Centro, o trecho destinado às bicicletas começa e termina sem ligação com outras rotas.

Além disso, a posição das vagas de estacionamento prejudica a visibilidade em conversões, elevando o risco para motoristas e ciclistas.

Especialistas criticam esse tipo de intervenção isolada, que muitas vezes atende metas de implantação, mas não oferece funcionalidade real para o deslocamento urbano.

Em Botafogo, a implantação de um novo trecho na Rua General Polidoro trouxe avanços ao conectar ciclovias antes interrompidas. O trajeto ficou mais contínuo e atrativo para usuários.

Mesmo assim, persistem problemas operacionais. Ciclistas precisam atravessar vias movimentadas, respeitando semáforos, enquanto motoristas cruzam a ciclofaixa para acessar pontos como o Cemitério São João Batista.

Situações de desrespeito também são registradas, como veículos estacionados sobre a ciclovia, comprometendo seu uso.

Especialistas

Para urbanistas e especialistas em mobilidade, a solução passa por planejamento integrado e escuta ativa da população. Projetos baseados apenas em normas técnicas, sem considerar o uso real, tendem a falhar.

A falta de padronização também desestimula novos usuários, que se sentem inseguros diante de mudanças constantes no traçado.

Além da infraestrutura, a convivência no trânsito depende de educação e respeito entre todos os envolvidos. Sem isso, mesmo melhorias pontuais acabam limitadas diante da realidade das ruas.

De acordo com o Conselho Nacional de Trânsito (Contran), existem dois principais tipos de infraestrutura para bicicletas.

A ciclovia é uma pista exclusiva, com separação física do tráfego de veículos, podendo ser instalada em diferentes pontos da via.

Já a ciclofaixa integra a pista de rolamento, sendo delimitada por sinalização e podendo ter um ou dois sentidos.

Na prática, a forma como esses modelos são aplicados na Rio de Janeiro — muitas vezes sem padronização — é o principal fator por trás dos conflitos e riscos enfrentados diariamente nas ruas.

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