Ações policiais contra abuso sexual se intensificam no Rio

Mar 11, 2026 - 13:00
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Ações policiais contra abuso sexual se intensificam no Rio

Prisões ocorreram na capital, Baixada Fluminense e Sul do Estado; polícia aponta que divulgação dos casos encoraja novas denúncias de vítimas.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro registrou ao menos três operações policiais contra suspeitos de crimes sexuais em menos de 24 horas. As ações ocorreram na capital, na Baixada Fluminense e no Sul do estado e resultaram em prisões e apreensões relacionadas a estupro de vulnerável, exploração sexual de menores e produção de material de abuso infantil.

Ações policiais contra abuso sexual se intensificam no Rio | Policiais cumpriram mandado de prisão preventiva em Duque de Caxias contra mulher acusada de abusar das próprias filhas
Policiais cumpriram mandado de prisão preventiva em Duque de Caxias contra mulher acusada de abusar das próprias filhas

Os episódios vieram à tona no mesmo período em que a Justiça decidiu manter a internação do adolescente apontado como mentor de um estupro coletivo contra uma jovem de 17 anos em Copacabana, ocorrido em janeiro.

Para autoridades que atuam na área, a sucessão de denúncias pode indicar que vítimas estão se sentindo mais encorajadas a procurar ajuda após a divulgação de casos semelhantes.

De acordo com a delegada assistente da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), Maria Luiza Machado, a exposição pública de crimes pode incentivar outras vítimas a denunciar situações semelhantes.

Segundo ela, quando abusadores são identificados e responsabilizados, pessoas que sofreram violência passam a reconhecer a própria experiência e buscam apoio nas autoridades.

A delegada destaca que a violência sexual sempre foi uma realidade, mas muitas situações não chegavam ao conhecimento da polícia no passado.

“Quanto mais casos vêm à tona e mais abusadores são expostos, mais vítimas percebem que passaram pela mesma situação e se encorajam a denunciar”, afirmou.

Ela ressalta ainda que crianças, adolescentes e mulheres continuam sendo grupos especialmente vulneráveis a esse tipo de crime.

Como denunciar

Denúncias de violência sexual podem ser feitas em qualquer delegacia. A polícia recomenda registrar ocorrência o mais rápido possível para que seja solicitada perícia e outras medidas de proteção.

O estado também possui unidades especializadas no atendimento às vítimas, como as Delegacias de Atendimento à Mulher (DEAMs) e a Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV).

Entre os principais canais de denúncia estão:

180: Central de Atendimento à Mulher

190: Polícia Militar, em situações de emergência

Disque Denúncia: (21) 2253-1177, também disponível via WhatsApp

Ações policiais contra violência sexual:

Advogado preso.

Um advogado foi preso na Zona Norte do Rio suspeito de abusar sexualmente de quatro menores de idade e produzir registros dos crimes. A prisão ocorreu dentro da casa do investigado, no bairro do Grajaú, após trabalho de inteligência da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima.

As investigações começaram após troca de informações com organismos internacionais que apontaram a produção e armazenamento de pornografia infantil em dispositivos ligados ao suspeito.

Até o momento, duas vítimas foram identificadas, com idades de 10 e 14 anos. A polícia acredita, no entanto, que o número de vítimas possa ser maior.

Segundo a investigação, o homem utilizava sua atuação em um projeto de assistência jurídica para se aproximar de famílias em situação de vulnerabilidade social. Ele oferecia pequenos benefícios, como lanches e alimentos, para conquistar a confiança das vítimas e de seus responsáveis.

Os abusos ocorriam na residência do suspeito e eram registrados em fotos e vídeos. Durante a operação, policiais apreenderam celular, câmera fotográfica e um cartão de memória, que passarão por perícia.

O advogado foi autuado por estupro de vulnerável e por produção e posse de pornografia infantil.

Estupro coletivo em Valença.

No município de Valença, no Sul Fluminense, três adultos foram presos e um adolescente de 17 anos foi apreendido suspeitos de participar do estupro coletivo de duas adolescentes de 13 anos.

De acordo com a Polícia Militar, equipes do 10º BPM foram acionadas para verificar a denúncia e conseguiram localizar os suspeitos. Todos foram encaminhados para a 91ª Delegacia de Polícia.

Exames realizados nas vítimas confirmaram a ocorrência da violência sexual.

Os três adultos foram autuados em flagrante por estupro de vulnerável e exploração sexual de criança ou adolescente. O adolescente responderá por ato infracional análogo aos crimes de estupro de vulnerável e tráfico de drogas.

A polícia segue em busca de um quinto suspeito, já identificado, que ainda não foi localizado.

Mãe suspeita de abusar das filhas.

Na Baixada Fluminense, uma mulher de 33 anos foi presa em Duque de Caxias durante a Operação Guardiões, conduzida pela Polícia Federal.

Ela é suspeita de abusar sexualmente das próprias filhas, de 4 e 9 anos, e compartilhar registros dos crimes na internet.

A prisão preventiva e os mandados de busca foram cumpridos por agentes da Delegacia da Polícia Federal em Nova Iguaçu. O celular da investigada foi apreendido e será analisado em perícia.

As investigações começaram em 2025 após autoridades identificarem arquivos com cenas de abuso sexual infantil publicados em fóruns da chamada “dark web”.

A análise do material levou os investigadores à suspeita de que a própria mãe produzia e divulgava os vídeos em ambientes virtuais e aplicativos de mensagens.

As duas crianças foram identificadas e encaminhadas ao Conselho Tutelar para acompanhamento.

Alerta para famílias e responsáveis.

A Polícia Federal reforça a importância da orientação e do monitoramento de crianças e adolescentes no ambiente digital e também no cotidiano.

Entre as recomendações estão conversar abertamente sobre riscos na internet, acompanhar o uso de redes sociais e aplicativos e incentivar os jovens a relatar qualquer contato suspeito.

Mudanças bruscas de comportamento, isolamento ou segredo excessivo no uso de celulares e computadores também podem ser sinais de alerta para possíveis situações de risco.

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