Concluída a restauração de retrato de dom Pedro II
Ainda como parte das comemorações do bicentenário de dom Pedro II, nascido em 2 de dezembro de 1825, a memória do último imperador do Brasil ganha a nitidez da preservação e o tom da responsabilidade com o patrimônio. É o que mostra um retrato do monarca, cuja restauração foi concluída em São João del-Rei. Pertencente ao acervo do Museu Municipal da cidade da Região do Campo das Vertentes, a pintura passou por processo completo de conservação, envolvendo tratamento do suporte da tela e da camada pictórica, e será destaque na Sala do Ciclo do Ouro e da Coroa Brasileira.
Feita entre as décadas de 1860 e 1870, período em que o imperador tinha entre 35 e 45 anos, a pintura medindo 1,30 metro por 97 centímetros teve de volta detalhes ocultos havia décadas, segundo informações da prefeitura local. A iniciativa faz parte do conjunto de iniciativas da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo voltadas à preservação do patrimônio local.
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A chegada do retrato de dom Pedro II (1825-1891) a São João del-Rei ocorreu a partir de uma prática da Câmara Municipal, que mantinha o retrato dos chefes de estado em lugar de honra na sua sala de reuniões. Após o período Imperial, que terminou em 15 de novembro de 1889, com a Proclamação da República, a tela continuou no acervo do Legislativo até ser incorporada ao Museu Municipal, equipamento cultural criado em 1959 pelos pioneiros Djalma Assis, Lincoln de Souza e Fábio Nelson Guimarães.
PERDAS E DANOS
A equipe encarregada do restauro encontrou diversos danos na tela, entre eles ondulações, rasgos e perfurações no suporte e remendos inadequados na parte de trás. Uma camada de verniz oxidado cobria a pintura, escondendo detalhes da policromia. O tratamento se deu em etapas: higienização, planificação, reentelamento, tratamento das perdas do suporte, remoção do verniz oxidado e das intervenções inadequadas, nivelamento, reintegração cromática e, por fim, aplicação de um verniz de proteção.
O serviço revelou elementos que não se encontravam visíveis, a exemplo do fundo da pintura, que mostra a paisagem da cidade do Rio de Janeiro, e uma espada parcialmente ocultada por uma intervenção anterior. Outro ponto importante foi a reintegração da mão direita do imperador, cuja área havia sofrido muitas perdas pictóricas. O chassi, estrutura de sustentação da tela, também se encontrava extremamente danificado por ataque de cupins e precisou ser substituído.
Na execução do trabalho, coordenado pela restauradora Karine C. M. Carvalho, esteve a empresa Pena Cal, que atua em São João del-Rei na restauração da Catedral Basílica Nossa Senhora do Pilar e da Igreja São Francisco de Assis, pelo PAC das Cidades Históricas. Segundo a prefeitura, a tela continuará sob a posse do acervo do Museu Municipal, que passa por requalificação de espaço, com reabertura prevista para este ano. A Sala do Ciclo do Ouro e da Coroa Brasileira reunirá artefatos do período da exploração aurífera no município e relacionados ao Império do Brasil, disponíveis para visitação.
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MUSEU MARIANO PROCÓPIO CELEBRA...
Com 105 anos de história, o Museu Mariano Procópio, de Juiz de Fora, celebra a semana dos artistas brasileiros. Amanhã, às 14h, haverá ação especial com o artista plástico Carlos Bracher, que fará performance, ao vivo, pintando uma obra inspirada no museu e em seu conjunto histórico, artístico e paisagístico. A iniciativa celebra a produção artística e promove o encontro entre arte, patrimônio e memória. Durante a atividade, o público poderá acompanhar o processo criativo de Bracher e observar como espaços, paisagens e elementos do Mariano Procópio são interpretados pelo olhar do artista. Radicado em Ouro Preto há mais de 50 anos, Carlos Bracher é natural de Juiz de Fora, cidade onde iniciou suas atividades, com destaque para pintura e escultura. A performance ganha significado especial ao reunir o artista e sua cidade natal em um espaço dedicado à preservação da arte e da memória.
...A SEMANA NACIONAL DOS ARTISTAS
A atividade no Museu Mariano Procópio, equipamento cultural municipal, permitirá que os visitantes acompanhem as diferentes etapas de elaboração da pintura, proporcionando experiência de contato direto com o fazer artístico. A diretora do museu, Ana Werneck, destaca a presença de Carlos Bracher no museu: "Recebê-lo para uma atividade como essa tem significado especial. Estamos reunindo um grande artista brasileiro, nascido em Juiz de Fora, com um espaço que preserva parte fundamental da memória artística e histórica do país. O público terá a oportunidade de vivenciar o processo artístico e perceber como as paisagens, a arquitetura e os diferentes elementos do museu são reinterpretados pelo olhar e pela sensibilidade do artista. Ao celebrarmos os artistas, reforçamos também o papel do Mariano Procópio como espaço vivo: um lugar de preservação da memória, mas também de encontro, inspiração e criação de novas expressões artísticas", ressalta Ana Werneck. O Dia Nacional dos Artistas é 24 de agosto.
Gostei do que vi
A saudosa cantora Clara Nunes (1942-1983) é um legítimo patrimônio cultural nosso. E para conhecer mais sobre ela e sua carreira, está em cartaz até domingo (30/8), em BH, a exposição "Clara Nunes – Eu sou a tal mineira", no Museu da Moda, que fica na Rua da Bahia, 1.149, na esquina com a Avenida Augusto de Lima, no Centro. Os visitantes podem ver figurinos originais, fotografias, documentos, adereços e outros objetos pessoais da espetacular artista nascida em Caetanópolis. Confira os horários: amanhã, das 12h às 20h; e de quarta a sábado, das 10h às 18h. No domingo (30), dentro da Virada Cultural, o Museu da Moda ficará aberto à visitação das 10h às 16h. Entrada gratuita.
OURO DE MINAS
A pianista mineira Maria Inês Guimarães foi condecorada pelo Senado francês por seu belíssimo trabalho. Natural de Uberaba, radicada na França e fundadora do Clube do Choro de Paris, ela está em Belo Horizonte para uma apresentação na próxima quinta-feira (27/8), às 20h, no Conservatório UFMG, na Avenida Afonso Pena, 1.534, no Centro. Com extenso currículo, que inclui lançamento de vários álbuns e recitais na Europa, Maria Inês recebeu uma medalha destacando seu trabalho na divulgação da cultura brasileira na França.
PAISAGEM CULTURAL
Natural de Congonhas, o pesquisador Hugo Castelani Pyramo Gomes Cordeiro teve seu trabalho publicado nos anais do 7º Colóquio Ibero-americano da Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto, promovido pelo Instituto de Estudos do Desenvolvimento Sustentável (Ieds) e Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos). Trata-se de “Entre as serras e as minas: O desafio da preservação das paisagens culturais em Congonhas diante da mineração”. Hugo explica que o conjunto formado pelas serras do Pires, Casa de Pedra Risco Branco e Esmeril constitui uma “moldura cênica” indispensável ao Santuário Bom Jesus de Matosinhos, no qual ficam os 12 profetas esculpidos por Aleijadinho.
SABOR DE HISTÓRIA
Os escritores Andréia Donadon e J. B. Donadon-Leal, da histórica Mariana, lançam o livro “Abecedário de Frutas” (Editora Paulinas). Segundo eles, a obra apresenta ao leitor a Aldravia, primeira forma de poesia tipicamente brasileira, criada na cidade e reconhecida como patrimônio cultural imaterial de Minas, em 2023. Dirigida ao público infantil, a obra apresenta as frutas por meio de poemas minimalistas, num convite para que as crianças explorem letras, palavras, cores, aromas, formas e sabores. “A proposta une literatura e aprendizado, transformando a poesia em ferramenta poderosa para alfabetização, criatividade e inclusão”, explica Andréia. À venda no site da editora.
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