Conflito no Oriente Médio reflete na indústria de base do couro e do calçado
O conflito Estados Unidos/Israel e Irã, e o consequente bloqueio do Estreito de Ormuz — rota marítima que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico, e por onde passa cerca de 20% do petróleo e mais de 25% do gás natural liquefeito comercializados mundialmente —, logicamente já reflete na indústria de base do setor coureiro-calçadista. Marcelo Reichert, CEO da FCC (Campo Bom/RS), empresa de ciências dos materiais e inovação química, aponta que, nas últimas semanas, o cenário de fornecimento de matérias-primas derivadas da cadeia do petróleo “se deteriorou de forma relevante e em velocidade sem precedentes”. Segundo ele, “diversos elos da cadeia vêm enfrentando restrições severas, resultando em aumentos recorrentes e expressivos, indisponibilidades e baixa previsibilidade”.

Reichert comenta que o “ambiente desafiador” diante do bloqueio do Estreito de Ormuz se traduz em: aumentos recorrentes e expressivos nos custos de matérias-primas, redução de visibilidade e previsibilidade de preços, instabilidade na disponibilidade de insumos, aumento no custo de fretes e mudanças rápidas nas condições comerciais dos fornecedores.
Diante da questão no Oriente Médio, o CEO da FCC disse que a empresa “tem plena consciência do impacto” que este cenário impõe aos clientes e aos seus próprios mercados. “Por isso, nosso compromisso é não utilizar este contexto como justificativa para práticas oportunistas, mas sim manter uma política de preços responsável, equilibrada e fundamentada na realidade dos custos.”
“Reajustes severos”
Em nota, a Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal) disse que a instabilidade no Oriente Médio “atinge frontalmente a estrutura de custos da indústria calçadista, especialmente no que tange à volatilidade do petróleo Brent (referência global de preço para o petróleo cru) e ao risco logístico” no Estreito de Ormuz. “Esses fatores já sinalizam reajustes severos na nafta e no etileno, projetando um impacto direto no custo de polímeros essenciais como o polietileno, polipropileno e PVC, assim como solventes, produtos auxiliares, comprometendo a previsibilidade do câmbio e dos fretes marítimos.”
Sobretaxas aplicadas aos custos

A TFL, multinacional alemã de especialidades químicas para couro e que tem unidade de negócios em São Leopoldo/RS, informou aos clientes que aplicará “sobretaxas temporárias” nos custos de frete e de produtos com efeito imediato. A medida, segundo a empresa, é em função das “interrupções contínuas (no Estreito de Ormuz) e o aumento das despesas nas cadeia global de suprimentos”. Além disso, a companhia acrescenta que os valores das sobretaxas “dependem do grupo de produtos, do local de fabricação e da rota de envio” e que essas tarifas extras “permanecerão em vigor até que a situação do mercado se estabilize” e que a partir daí “serão revisadas regularmente”.
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