Consciência Situacional Cidadã; Uma Necessidade

Agos 13, 2026 - 03:00
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Consciência Situacional Cidadã; Uma Necessidade

A cada ciclo eleitoral, o brasileiro renova sua esperança de encontrar soluções para antigos problemas. Multiplicam-se promessas, discursos, campanhas publicitárias e estratégias de comunicação capazes de conquistar milhões de eleitores em poucos segundos. Nunca houve tanto acesso à informação. Paradoxalmente, nunca foi tão fácil manipular percepções.

Na era das redes sociais, a política passou a disputar atenção em um ambiente onde a emoção costuma prevalecer sobre a razão. Vídeos curtos, frases de efeito e imagens cuidadosamente produzidas muitas vezes substituem o debate sério sobre propostas, competência e capacidade de governar. Nesse cenário, torna-se urgente desenvolver uma habilidade pouco discutida fora dos meios militares, mas essencial para qualquer sociedade democrática: a Consciência Situacional.

No campo militar, a Consciência Situacional representa a capacidade de compreender o ambiente, identificar riscos, reconhecer oportunidades e tomar decisões fundamentadas em informações confiáveis. Trata-se de observar antes de agir, analisar antes de decidir e compreender o contexto antes de assumir uma posição.

Esse princípio, entretanto, não deveria permanecer restrito aos quartéis. O Brasil precisa desenvolver uma verdadeira Consciência Situacional Cidadã.

Em 2026, milhões de brasileiros voltarão às urnas para escolher presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. O futuro político do país dependerá não apenas da qualidade dos candidatos, mas também da qualidade das escolhas feitas pelos eleitores.

O voto é um dos maiores instrumentos de poder de uma democracia. No entanto, quando exercido sem informação e sem reflexão, pode contribuir para manter exatamente os problemas que a população deseja superar.

Antes de escolher um candidato, o eleitor deveria fazer perguntas simples, mas decisivas. Quem é essa pessoa? Qual sua trajetória? O que realizou efetivamente? Quais valores orientam suas decisões? Há coerência entre discurso e prática? Suas propostas são compatíveis com as atribuições do cargo? Como votou quando exerceu mandato? Quem financia sua campanha? Quais interesses representa?

Infelizmente, ainda é comum confundir popularidade com competência, carisma com caráter e habilidade de comunicação com capacidade de gestão. A política transformou-se, em muitos casos, em um grande espetáculo, onde especialistas em marketing constroem personagens cuidadosamente planejados para conquistar curtidas, compartilhamentos e votos.

Governar, entretanto, exige muito mais do que presença nas redes sociais.

Exige conhecimento da administração pública, equilíbrio para enfrentar crises, preparo técnico para formular políticas eficientes, coragem para tomar decisões impopulares quando necessárias e compromisso permanente com o interesse coletivo.

A Consciência Situacional Cidadã também pressupõe compreender o funcionamento das instituições. Muitos brasileiros cobram de vereadores, deputados ou senadores responsabilidades que pertencem ao Poder Executivo, enquanto atribuem ao presidente competências que, constitucionalmente, pertencem ao Congresso Nacional ou aos governos estadual e municipal..

Grande parte da frustração política nasce justamente desse desconhecimento sobre as atribuições de cada cargo público.

Outro aspecto frequentemente negligenciado é que o mandato não pertence ao eleito. Pertence ao povo. O representante recebe apenas uma autorização temporária para administrar interesses coletivos. Quando o cidadão deixa de acompanhar, fiscalizar e cobrar a atuação de seus representantes, abre espaço para decisões cada vez mais distantes da vontade da sociedade.

Democracia não se resume ao ato de votar.

Fiscalizar é cidadania, participar é cidadania, questionar é cidadania.

Acompanhar o trabalho dos representantes é cidadania.

Uma sociedade politicamente madura compreende que as eleições é apenas um momento do processo democrático. O verdadeiro exercício da cidadania ocorre diariamente, por meio do acompanhamento das decisões públicas, da busca por informações confiáveis e da disposição para participar do debate de forma responsável.

O futuro do Brasil não será definido apenas nas urnas. Ele começa a ser construído muito antes, quando cada cidadão decide entre aceitar narrativas prontas ou buscar fatos; entre compartilhar desinformação ou verificar informações; entre votar por impulso ou exercer seu direito com consciência.

A melhor campanha eleitoral continuará sendo aquela conduzida não pelos marqueteiros, mas pela consciência crítica de cada cidadão. Porque candidatos passam, mandatos terminam, governos mudam. As consequências do voto, porém, permanecem por muitos anos.

Dan Câmara é deputado estadual, presidente da Comissão de Segurança Pública, Justiça e Defesa Social da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), presidente da Comissão de Justiça e Segurança Pública da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale), cofundador da Força Nacional de Segurança Pública, especialista em Planejamento Estratégico e presidente de honra do Clube Militar dos Veteranos

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