De olho no Senado, Dimas fala em desequilíbrio entre Poderes e pede que população avalie quem tem “rabo preso” no STF

Jun 20, 2026 - 07:00
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De olho no Senado, Dimas fala em desequilíbrio entre Poderes e pede que população avalie quem tem “rabo preso” no STF

O ex-prefeito de Araguaína e pré-candidato ao Senado pelo Podemos, Ronaldo Dimas, afirmou que decidiu entrar na disputa de 2026 por entender que há necessidade de renovação da representação tocantinense no Congresso Nacional e de fortalecimento do papel constitucional do Senado.

Em entrevista ao Jornal Opção Tocantins nesta sexta-feira, 19, durante oficina política promovida pelo partido, Dimas disse que a possibilidade de concorrer ao cargo passou a ser discutida desde seu retorno ao Podemos e ganhou força ao longo dos últimos meses.

“Desde o momento que eu voltei ao Podemos, a ideia já era uma possível candidatura ao Senado. Isso foi amadurecendo, evoluindo, até que chegou o momento em que entendemos que é muito viável e, além disso, existe uma necessidade muito grande de mudança desse cenário”, afirmou.

O ex-prefeito também falou sobre o apoio à pré-candidatura da senadora Dorinha Seabra (UB) ao governo do estado e disse que a decisão levou em consideração o alinhamento político já existente com aliados do grupo.

Segundo Dimas, o apoio do prefeito de Araguaína, Wagner Rodrigues (UB), e do prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos, que é presidente estadual da sigla, e ambos são próximos a ele, contribuiu para a definição. “Era o caminho mais natural. Nas conversas que tivemos com diversos lados, chegamos à conclusão de que esse é o melhor caminho para o estado”, disse.

Suplência segue indefinida

Questionado sobre a composição da chapa ao Senado, Dimas afirmou que a definição sobre os suplentes ficará para um momento posterior.

Nos bastidores, circulam especulações sobre possíveis nomes para a composição, entre eles o presidente estadual do PP, Ordeley Valcari. O pré-candidato evitou antecipar definições, mas admitiu que já mantém conversas sobre o tema.

“Fico feliz de ver nomes sendo citados, mas essa é uma situação que será definida mais à frente”, afirmou.

Relação com Tiago Dimas

Dimas também rebateu a avaliação de que sua candidatura ao Senado possa dificultar a campanha do deputado federal Tiago Dimas, seu filho e pré-candidato à reeleição.

Segundo ele, pai e filho terão campanhas independentes, embora atuem de forma colaborativa.

“Cada um tem que construir a sua eleição. Claro que vamos nos ajudar no que for possível, mas essa não é uma premissa da minha candidatura nem da candidatura dele”, afirmou.

Independência em relação ao STF

Ao comentar o cenário político nacional, Dimas afirmou que o país vive um momento de desequilíbrio entre os Poderes e defendeu uma atuação mais firme do Senado no exercício de suas atribuições constitucionais.

Sem citar nomes, o pré-candidato disse que os eleitores devem avaliar a independência dos candidatos ao Senado e questionou a capacidade de parlamentares com pendências judiciais de atuar com autonomia.

“Como alguém com rabo preso no STF vai conseguir fazer com que isso ocorra?”, afirmou.

Segundo Dimas, a população precisa analisar a trajetória dos postulantes ao cargo, observando aspectos como histórico político, capacidade de gestão, realizações e eventual existência de processos judiciais.

“É importante que as pessoas analisem os diversos candidatos, vejam seu passado, o que têm de processos ou não, para poder tomar uma decisão”, disse.

Na avaliação do pré-candidato, cabe à Casa exercer seu papel constitucional de fiscalização e promover a harmonia institucional. “O grande responsável por essa harmonização é exatamente o Senado. É importante que as pessoas analisem os candidatos, observem sua trajetória, capacidade de realização e independência”, disse.

Embora tenha reconhecido sua identificação com o campo da direita, Dimas afirmou que rejeita o radicalismo político.

“A polarização exagerada não é boa para o país. Política é a arte da conversação e da negociação”, declarou.

Escala 6×1

Sobre a proposta de redução da jornada de trabalho e o debate em torno do fim da escala 6×1, Dimas afirmou ser favorável à discussão, mas criticou a inclusão do tema na Constituição.

Para ele, eventuais mudanças devem ser regulamentadas por legislação específica, permitindo maior flexibilidade para diferentes setores econômicos.

“Essa é uma questão infraconstitucional. A regulamentação pode contemplar os dois lados, mas não pode engessar a Constituição”, afirmou.

O pré-candidato citou áreas como a saúde para defender modelos de jornada adaptáveis às características de cada atividade.

Infraestrutura e desenvolvimento

Caso seja eleito, Dimas afirmou que pretende priorizar pautas ligadas à infraestrutura e à integração regional.

Entre os projetos citados estão a duplicação da BR-153, a construção de pontes de ligação com os estados do Pará e Maranhão, a implantação dos anéis viários de Gurupi e Araguaína e investimentos na rede hospitalar.

“O Tocantins precisa voltar a sonhar. Há grandes projetos que ficaram esquecidos e que precisam ser retomados”, afirmou.

Segundo Dimas, a atuação no Senado deve combinar articulação política em Brasília com a destinação de recursos para obras estruturantes no estado.

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