Decisão dos EUA sobre PCC e CV divide oposição e governistas
BRASÍLIA – A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas provocou reações divergentes entre parlamentares brasileiros nessa quinta-feira (28). Enquanto integrantes da oposição comemoraram a medida anunciada pelo governo de Donald Trump, governistas criticaram a iniciativa e afirmaram que ela representa uma ameaça à soberania nacional.
Em comunicado, o governo norte-americano informou que as duas facções passarão a ser designadas como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e “Organizações Terroristas Estrangeiras”. A primeira classificação tem efeito imediato, enquanto a segunda entra em vigor em 5 de junho.
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Segundo os Estados Unidos, PCC e CV estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil, comandam milhares de integrantes e são responsáveis por ataques contra policiais, autoridades públicas e civis.
Reações políticas
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) criticou a decisão e afirmou que a classificação não possui base técnica suficiente.
Para o parlamentar, a medida tem caráter político e não deve trazer ganhos concretos para o combate ao crime organizado no Brasil.
Já parlamentares da oposição ligados ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) comemoraram o anúncio.
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que Flávio Bolsonaro foi mais efetivo em sua atuação nos Estados Unidos do que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no enfrentamento ao crime organizado.
O senador Izalci Lucas (PL-DF) também elogiou a iniciativa e classificou a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos como uma vitória para o país.
Na Câmara dos Deputados, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou que a decisão representa um fracasso do governo Lula e defendeu que as facções atuam de forma semelhante a organizações terroristas.
Críticas governistas
Entre os governistas, a medida foi recebida com preocupação.
O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), afirmou que a classificação representa um atentado contra a soberania brasileira. Segundo ele, existe diferença jurídica entre organizações criminosas e grupos terroristas.
Pimenta também argumentou que a medida pode servir de justificativa para futuras ações de pressão econômica ou diplomática contra o Brasil.
O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), avaliou que a decisão pode gerar insegurança para instituições financeiras e investidores, além de trazer impactos econômicos para o país.
Já o vice-líder do governo, Lindbergh Farias (PT-RJ), criticou a atuação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP), afirmando que ambos estariam atuando contra os interesses nacionais.
O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) também criticou a decisão e afirmou que a classificação pode dificultar investimentos estrangeiros no Brasil.
O que muda
Com a medida, PCC e CV passam a integrar listas utilizadas pelo governo dos Estados Unidos para aplicação de sanções e restrições financeiras.
Ao anunciar a decisão, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que a atuação das facções ultrapassa as fronteiras brasileiras e alcança outros países da América Latina e os próprios Estados Unidos.
Segundo Rubio, o governo Trump continuará utilizando os instrumentos disponíveis para combater organizações ligadas ao narcotráfico e restringir fontes de financiamento desses grupos.
A classificação como organização terrorista estrangeira passa a valer oficialmente a partir de 5 de junho.
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