Dia do Livro Infantil reforça importância da leitura e do acesso das crianças desde cedo
Celebrado neste sábado (18), o Dia Nacional do Livro Infantil marca o nascimento de Monteiro Lobato (1882-1948), considerado o pai da literatura infantil brasileira e criador do clássico Sítio do Picapau Amarelo.
A data vai além da homenagem: é um convite à reflexão sobre o acesso das crianças à leitura e o papel do livro na formação do imaginário, da criatividade e do senso crítico.
Em Balneário Camboriú, escritores, professores e profissionais da área destacam que o incentivo à leitura começa cedo, e depende, principalmente, do exemplo e da convivência com os livros no dia a dia.
Mostra celebra a data

Neste sábado (18), Balneário Camboriú também será palco da 1ª Mostra Literária Infantojuvenil, realizada na Vila do Artesanato, na Praça da Bíblia, atrás do Atlântico Shopping. Com programação das 14h às 17h e entrada gratuita, o evento reunirá autores locais e propõe aproximar crianças, famílias e leitores do universo da literatura, incentivando o hábito da leitura desde cedo.
A iniciativa busca valorizar a produção literária infantojuvenil da cidade, promover o contato direto com escritores e criar um ambiente de troca e encantamento, onde os livros ganham protagonismo como ferramenta de imaginação, aprendizado e desenvolvimento emocional.
Biblioteca Pública de BC reforça acesso e prepara novo espaço infantil

Para a escritora infantil e coordenadora da Biblioteca Pública Machado de Assis, Miriam Ramoniga, o Dia do Livro Infantil é um momento de conscientização sobre a importância da leitura desde os primeiros anos de vida.
Segundo ela, mais do que ensinar a ler, é essencial aproximar a criança do livro como um objeto de descoberta, brincadeira e afeto.
“É importante ler para a criança e ler com a criança. Deixar o livro com ela, permitir que ela brinque, experimente. O livro também é um brinquedo”, destaca.
Miriam ressalta que o contato com a leitura amplia o repertório emocional e imaginativo das crianças, facilitando inclusive a forma como elas lidam com desafios.
“A leitura aproxima a criança do mundo imaginário, das possibilidades. Depois, quando ela se depara com um problema, fica muito mais fácil encontrar soluções. Ela cria referências, lembra de histórias, reconhece situações”, explica.

Ela também chama atenção para a riqueza das ilustrações nos livros infantis e para o papel das narrativas populares, que ganham novas versões a cada geração.
“Cada contador traz elementos diferentes para as histórias. É como o boi de mamão aqui em Santa Catarina, que tem relação com o bumba meu boi. São histórias que vão sendo recriadas com elementos da própria comunidade”, diz.
Atualmente, o espaço infantil da biblioteca funciona de forma provisória, mas deve ganhar uma nova estrutura em breve. Segundo Miriam, a expectativa é de que, em cerca de 40 dias, seja inaugurado um espaço reformado, com novos móveis e ampliação do acervo infantil.
A biblioteca permite o empréstimo de até cinco livros por usuário, por um período de 28 dias, e tem investido na aquisição de títulos infantojuvenis, além de receber doações e promover troca de livros.
Outro destaque é a presença de mangás no acervo, que têm atraído o público jovem. Escolas também visitam o espaço, com agendamento, para conhecer a biblioteca e incentivar novos leitores.
“Se os pais leem, frequentam biblioteca ou livraria, a criança também vai gostar. O exemplo vem de casa”, reforça.

A assistente jurídica Melina Colombo, mãe de Davi, de seis anos, e de Luísa, de dois anos, esteve pela primeira vez na biblioteca pública na quinta-feira (16) e contou que a família aprovou o local, que chamou a atenção principalmente do filho mais velho dela, que ama livros.
“Vamos vir mais vezes, com certeza, porque há muitas opções de livros e todos nós adoramos”, afirma.
Everson Bertucci destaca leitura como tão importante quanto brincar

O escritor de Balneário Camboriú Everson Bertucci, que recentemente conquistou reconhecimento internacional com o livro “Eugênio”, premiado na Feira do Livro Infantil de Bolonha, destaca que a leitura é essencial para o desenvolvimento das crianças.
“O Dia Nacional do Livro Infantil é fundamental para pensarmos na importância da leitura na vida diária das crianças. Acho que é tão importante quanto brincar”, afirma.
Segundo ele, a literatura contribui diretamente para o desenvolvimento criativo e crítico.
“Ajuda no desenvolvimento, no potencial criativo, na criticidade. E cabe a nós, adultos, fazer chegar essa literatura às crianças, seja comprando livros ou frequentando bibliotecas públicas”, completa.
Professor da rede pública, Bertucci também leva a literatura para a sala de aula como ferramenta de aproximação com os alunos.
“Gosto de mediar leitura nas aulas, incentivando a criação e aproximando o pequeno leitor de boas obras literárias”, diz.
Rosana Ouriques: “Literatura traz encantamento e precisa competir com as telas”

A escritora e professora Rosana Ouriques reforça que a literatura é um portal para múltiplos universos e experiências. “A literatura traz encantamento para nossas vidas. Somos levados a viver outras histórias, habitar mundos mágicos, viver outras realidades”, afirma.
Ela destaca, no entanto, que o hábito da leitura precisa ser incentivado de forma ativa, especialmente diante da concorrência com as tecnologias.
“Atualmente, o livro compete com jogos e redes sociais, que oferecem estímulos instantâneos e muitas vezes vazios. Por isso, é necessário disponibilizar o livro, ler com a criança e criar momentos de prazer com a leitura”, explica.
Rosana defende que o incentivo começa dentro de casa, com o exemplo dos pais, mas também depende de políticas públicas e da valorização das bibliotecas.
“A biblioteca escolar precisa estar em todas as unidades, ser um espaço agradável e lúdico, com contação de histórias e eventos. O governo precisa investir nesses espaços e valorizar os profissionais”, afirma.
Entre as estratégias sugeridas por ela estão deixar livros em locais acessíveis, criar espaços de leitura em casa, levar as crianças à biblioteca e participar de feiras literárias.
Juliethe Nitz destaca leitura como ferramenta de transformação

A escritora infantil e ex-vereadora de Balneário Camboriú Juliethe Nitz reforça o papel transformador da leitura na infância.
“O Dia Nacional do Livro Infantil nos lembra do poder que a leitura tem de transformar infâncias. É por meio dos livros que a criança amplia o seu mundo, desenvolve a imaginação e aprende a lidar com emoções”, afirma.
Ela ressalta que a leitura vai além da alfabetização e envolve também identificação e construção de identidade.
“A leitura não é só aprender palavras, mas viajar na imaginação, se reconhecer nas histórias, sair das telas e viver um mundo que a própria criança cria”, diz.
Assim como os demais entrevistados, Juliethe destaca a importância do exemplo familiar e da rotina de leitura.
“O incentivo começa dentro de casa. Ter livros ao alcance, permitir que a criança escolha o que gosta e criar esse hábito no dia a dia faz toda a diferença”, pontua.
Autora do livro “João no Tatame”, ela afirma que a literatura pode ser uma ferramenta de conexão afetiva com as crianças.
“Quando a leitura é apresentada com afeto, ela deixa de ser obrigação e se torna um momento de conexão. E é isso que queremos: que as crianças encontrem nos livros não só conhecimento, mas também imaginação”, completa.
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