Em meio à crise no STF, Flávio critica Moraes e reforça atos de 7 de Setembro

Set 4, 2026 - 15:00
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Em meio à crise no STF, Flávio critica Moraes e reforça atos de 7 de Setembro
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(Foto: Pilar Olivares / Reuters) " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/08/eleicoes-2026-flavio-bolsonaro-pl-02.jpg?fit=1100%2C700&quality=70&strip=all">

A menos de três dias do 7 de Setembro, o candidato à Presidência pelo Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro, tem utilizado a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), protagonizada pelos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, para impulsionar os protestos convocados para a data que marca a Independência do Brasil.

Empatado tecnicamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno, com 44% das intenções de voto contra 46%, segundo o Datafolha, a campanha de Flávio aposta nas manifestações convocadas em todo o país como uma oportunidade para conquistar votos a menos de um mês do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.

A expectativa é que o mote dos protestos unifique as pautas “Fora Lula” e “Fora Moraes”, numa tentativa de associar a imagem do ministro à do presidente.

Nas redes sociais, Flávio escreveu que “o Brasil é muito maior do que o ministro de Lula” e que a “dupla não tem mais lugar no comando do país”. O candidato também afirmou que Moraes, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o ministro Flávio Dino teriam articulado uma “ação ilegal” contra ele com o objetivo de reagir a André Mendonça e desgastá-lo eleitoralmente.

Na publicação, Flávio afirmou que ele e seus apoiadores são o “último obstáculo para que o Brasil não vire uma ditadura”.

As convocações explorando as críticas a Moraes são reforçadas por outros aliados de Flávio. Em um vídeo, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro chama o magistrado de “verme” e afirma que é importante que a população vá às ruas para provocar uma reação internacional.

“As imagens giram o mundo e servem de alicerce, de base para futuras ações, como o retorno da Lei Magnitsky, impeachment ou mesmo a eleição de uma bancada de senadores comprometida com o impeachment de corruptos no STF”, disse Eduardo.

A crise no STF como pano de fundo

A crise instaurada no Supremo Tribunal Federal começou após o ministro André Mendonça retirar, na terça-feira (1º), o sigilo de um relatório da Polícia Federal que expõe mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro citando Moraes, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Em resposta, Moraes determinou no mesmo dia que Andrei Rodrigues encaminhasse relatórios de inteligência contendo citações a integrantes da Corte no âmbito das investigações mencionadas.

Na sequência, o presidente do STF, Edson Fachin, abriu um procedimento para esclarecer pontos levantados pela PGR na investigação relacionada ao caso Master, sob relatoria de Mendonça.

Gonet manifestou-se pela nulidade das informações produzidas pela Polícia Federal, sob o argumento de que não foi observado o rito previsto na legislação. Entre os argumentos apresentados está o de que Mendonça não poderia ter determinado a elaboração do relatório por iniciativa própria.

Além disso, a PGR sustentou que a investigação de um ministro do STF exigiria autorização prévia do plenário, o que não ocorreu.

Em paralelo, Davi Alcolumbre utilizou a sessão do Senado na terça-feira (2) para sair em defesa de Moraes, após ser cobrado pela oposição para abrir um processo de impeachment contra o ministro. Aos senadores, o presidente da Casa afirmou que “todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa fazer um filme. Agora o culpado é só o ministro Alexandre de Moraes”, em referência a Flávio Bolsonaro.

Na noite de quinta-feira (3), Moraes encaminhou ao presidente do STF um despacho, no âmbito do inquérito das fake news, apontando “indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade” por parte de Mendonça na condução das investigações sobre o Banco Master e a fraude no INSS.

Todo o imbróglio na Suprema Corte levou Fachin a determinar, nesta sexta-feira (4), que o pedido de Moraes para abertura de uma investigação contra Mendonça fosse retirado do inquérito das fake news.

Na decisão, o magistrado também determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e Mendonça se manifestem novamente, em até cinco dias, sobre o pedido apresentado por Moraes. Fachin decidiu ainda que o caso permaneça sob análise da Presidência da Corte.

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