Empate técnico acirra disputa entre Lula e Flávio mudando o tom da campanha
Primeira pesquisa do Instituto Quaest – Rede Globo do segundo turno marca 46% para Flávio e 44% para Lula. Com apoio majoritário a propostas como o fim da escala 6×1, a campanha de Lula aposta nas ruas, nas redes e no voto dos jovens para tentar virar o jogo.
A disputa presidencial entrou em uma nova fase de tensão nesta quarta (14). A primeira pesquisa Quaest do segundo turno, encomendada pela Globo e pelo jornal O Globo, mostra Flávio Bolsonaro com 46% das intenções de voto e Lula com 44%. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais: os candidatos estão tecnicamente empatados, com vantagem numérica para Flávio. O levantamento ouviu 2.154 pessoas entre 10 e 13 de outubro.
O resultado mantém a disputa aberta e oferece à campanha de Lula um argumento para intensificar a mobilização. Os atos de rua e a presença mais ativa do presidente nas redes passaram a ocupar espaço central na estratégia petista. O dado sugere uma aproximação entre o petista e o eleitorado jovem, embora, por si só, não prove que as manifestações tenham causado a mudança.
A jornada 6×1 também virou um dos principais campos de batalha. Depois de criticar a proposta e evitar dizer como votaria, Flávio anunciou, na terça (13), que apoiaria o fim da escala. A mudança ocorreu às vésperas da votação no Senado, em meio à pressão política em torno de uma medida popular. Para Lula, o recuo do adversário é uma vitória na disputa narrativa: o tema obrigou Flávio a assumir posição diante dos trabalhadores. A votação no Senado ocorreu nesta quarta, numa grande vitória de Lula, além do fato confirmado do recuo de Flávio Bolsonaro, forçado a votar favoravelmente.
Os dados sobre propostas reforçam o peso dessas pautas na campanha de Lula. Na Quaest, 64% disseram que já conheciam e aprovavam a proibição de bets, apostas e cassinos on-line. Sobre a escala 6×1, 61% afirmaram que já conheciam e aprovavam a proposta apresentada no levantamento; outros 7% disseram que ela parecia uma boa ideia após serem informados.
A disputa também chegou às plataformas digitais. O senador Camilo Santana, coordenador da campanha de Lula, anunciou que levará à ANPD e à OEA denúncias de possível interferência da Meta. A campanha aponta falhas na entrega de publicações e diferença de resposta da inteligência artificial da empresa a pedidos de materiais eleitorais. A Meta, por sua vez, afirmou ter adotado medidas para impedir a geração de imagens políticas por comandos com os nomes dos candidatos negando favorecimento eleitoral à candidatura de Flávio Bolsonaro, candidato do presidente Donald Trump, a quem a Meta é ligada.
Com o empate técnico, a campanha de Lula tenta transformar temas de forte apelo popular em impulso eleitoral. Flávio, pressionado a responder sobre a jornada de trabalho e outras propostas, recuou em um assunto que a oposição buscava manter fora do centro da disputa. A pesquisa desta quarta não confirma uma virada, mas mostra que a corrida segue apertada — e que cada posição pública pode pesar na reta final.
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