Empresa dos EUA compra mineradora brasileira de terras raras por US$ 2,8 bilhões

Abr 21, 2026 - 12:00
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Empresa dos EUA compra mineradora brasileira de terras raras por US$ 2,8 bilhões


A empresa americana USA Rare Earth anunciou na segunda-feira (20) a compra da Serra Verde Group, mineradora brasileira responsável pela única operação em escala fora da Ásia capaz de produzir os quatro elementos magnéticos de terras raras essenciais para ímãs permanentes. O valor da transação é de cerca de US$ 2,8 bilhões e deve ser concluído no terceiro trimestre de 2026.

O negócio envolve US$ 300 milhões em dinheiro e a emissão de 126,849 milhões de novas ações da USA Rare Earth. A Serra Verde é dona da mina e planta de processamento Pela Ema, localizada em Goiás, que entrou em produção comercial em 2024 após mais de US$ 1,1 bilhão em investimentos. A operação é a única no mundo ocidental que produz em grande volume neodímio (Nd), praseodímio (Pr), disprósio (Dy) e térbio (Tb) — os chamados “elementos magnéticos” usados em carros elétricos, turbinas eólicas, robôs, drones e equipamentos de defesa.

Com a aquisição, a USA Rare Earth passa a controlar toda a cadeia de terras raras, desde a mineração até a fabricação de ímãs, com operações nos Estados Unidos, Reino Unido, França e agora no Brasil. A empresa americana já possui capacidade de separação, metalurgia e produção de ímãs e controla o projeto Round Top, no Texas.

A Serra Verde traz ainda um contrato de 15 anos de fornecimento de 100% de sua produção de Nd, Pr, Dy e Tb para um fundo especial capitalizado por órgãos do governo americano e investidores privados. O acordo inclui pisos mínimos de preço para os quatro elementos, o que reduz riscos e garante receita estável.

Segundo projeções da empresa, a Serra Verde deve alcançar, até o fim de 2027, uma geração anualizada de EBITDA entre US$ 550 milhões e US$ 650 milhões. Juntas, as duas companhias esperam produzir cerca de US$ 1,8 bilhão de EBITDA em 2030. A operação combinada terá liquidez pro forma de aproximadamente US$ 3,2 bilhões.

A CEO da USA Rare Earth, Barbara Humpton, classificou a compra como “transformadora”. “Serra Verde é um ativo único e o único produtor fora da Ásia capaz de fornecer todos os quatro elementos magnéticos em escala”, disse ela em nota. Já o CEO da Serra Verde, Thras Moraitis, destacou que a união acelera a criação de uma cadeia de suprimentos segura e diversificada. “Juntos, entregaremos uma solução integrada de terras raras em escala global”, afirmou.

Com a transação, Sir Mick Davis (ex-CEO da Xstrata e atual chairman da Serra Verde) e Thras Moraitis entrarão para o conselho da USA Rare Earth. Moraitis também assumirá o cargo de presidente da companhia americana.

A operação conta com forte apoio governamental dos Estados Unidos, incluindo financiamento da U.S. International Development Finance Corporation (DFC) e compromissos do Departamento de Comércio americano. A Serra Verde ainda tem licenças ambientais válidas e opera com baixo impacto, sem rejeitos úmidos, usando energia renovável e biocombustíveis.

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