Enfim, a ponte!

Jul 5, 2026 - 01:00
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Enfim, a ponte!

Quem transita entre o Núcleo Bandeirante e o Guará já pode contar com uma nova opção de travessia. A governadora Celina Leão inaugurou, nesta sexta-feira (3 de julho), a nova ponte que integra os serviços de duplicação na via que liga as duas regiões administrativas, passando pelo Park Way. As intervenções beneficiam cerca de 12 mil motoristas que utilizam diariamente o corredor viário.

A governadora Celina Leão, que também esteve no lançamento da obra há três anos,
veio entregar a ponte, a última etapa para a liberação da duplicação

Com investimento de R$ 10,1 milhões, a obra contemplou a duplicação completa da ligação entre as duas regiões. Com a reconfiguração viária, a pista original passou a operar em sentido único do Núcleo Bandeirante para o Guará, enquanto a nova pista atende o fluxo contrário. A mudança amplia a capacidade da via e reduz os congestionamentos registrados ao longo dos últimos anos.


A intervenção inclui a duplicação e a urbanização de um trecho de 1,2 quilômetro, ampliando a fluidez do trânsito. “Essa obra vai destravar todo o trânsito [nesta região] que as pessoas chamam de ‘rota de fuga’, mas que não é bem uma rota de fuga. É uma rota diária entre duas cidades que são muito importantes. Essa obra traz solidez e comodidade”, comentou a chefe do Executivo do Distrito Federal.
O secretário de Obras e Infraestrutura, Valter Casimiro ressaltou a importância da obra: “Essa é uma via muito importante, utilizada como rota alternativa à EPNB e essencial para a ligação de quem sai do Guará em direção ao Park Way, Águas Claras e Núcleo Bandeirante. Antes, havia muito congestionamento por conta do fluxo nos dois sentidos. Com a duplicação e a construção da nova ponte, conseguimos melhorar significativamente a mobilidade da região. Nesta semana, quando a pista precisou ser interditada para a conclusão dos serviços de meio-fio e sinalização, vimos o impacto que isso causou na EPNB, com grandes retenções. A entrega dessa obra comprova a importância dessa ligação para a mobilidade da cidade”.

Morador do Guará II, o empresário Alex Pinheiro, de 37 anos, afirma que o trecho era um dos principais pontos de congestionamento da região
Ari Vieira viu muitos acidentes na pista e, agora, espera um trânsito mais seguro: “Agora vai ficar livre, vamos poder passar com tranquilidade”.

Ponte facilita travessia
A nova ponte, com cerca de 40 metros de extensão, foi construída sobre o Córrego Vicente Pires, integrante da bacia hidrográfica local. Principal marco da intervenção, a estrutura permite que cada sentido de circulação conte com uma travessia exclusiva e amplia a capacidade da ligação viária. O projeto incluiu também a implantação de novas pistas, três quilômetros de ciclovias, calçadas acessíveis e serviços de paisagismo. Os recursos são provenientes de emenda da bancada federal no Congresso Nacional. De acordo com o secretário, as faixas de rolamento estão liberadas, mas a região ainda irá passar por melhorias.
“Ainda temos as calçadas para serem finalizadas e a ciclovia para ser interligada. Então, ainda teremos máquinas fazendo obra por aqui. Hoje, liberamos as faixas de rolamento porque sabemos da importância da entrega”, comentou o chefe da pasta.

Impacto
Morador do Guará II, o empresário Alex Pinheiro, de 37 anos, afirma que o trecho era um dos principais pontos de congestionamento da região, especialmente nos horários de pico. “Isso aqui era um caos, principalmente por volta das 18h. Com essa obra, vai ficar bem melhor para a gente transitar. Chegar e sair do Guará vai ser uma maravilha”, comemora.
Ari Vieira viu muitos acidentes na pista e, agora, espera um trânsito mais seguro: “Agora vai ficar livre, vamos poder passar com tranquilidade”Novas calçadas na EPCV ampliam mobilidade dos pedestres
Segundo ele, a antiga configuração da via também favorecia a ocorrência de acidentes. “Tinha muitos acidentes. Como eu trabalho com guincho, frequentemente atendia ocorrências aqui nessa rodovia. Era uma via mais estreita e perigosa. Agora, acredito que vai ficar 100% melhor”, avalia.
Outro morador da região, o aposentado Ari Vieira, 67, celebra a entrega da obra. Morador do Guará desde 1979, ele lembra que o trecho era um dos principais gargalos do trânsito local. “Essa era uma obra muito esperada por nós, guaraenses. Aqui aconteciam muitos acidentes porque era mão e contramão e o trânsito travava. Com a duplicação, esse gargalo acaba. É um sonho realizado para quem faz essa ligação entre o Guará e o Núcleo Bandeirante”, afirma. Para ele, a expectativa é de um trânsito mais fluido. “Agora vai ficar livre, vamos poder passar com tranquilidade. Isso é muito bom para nós”.

Espera de quase 20 anos

Considerada essencial para resolver um dos gargalos de trânsito mais problemáticos do Distrito Federal, a duplicação foi considerada uma das prioridades de quatro sucessivos governos do Distrito Federal. Mas, somente está sendo concluída agora, em parte por intercorrências técnicas do projeto, como a troca de um viaduto sobre a linha térrea por um túnel, ou por dificuldades na liberação da Licença Ambiental.
Faltou também vontade política de secretários e de governadores para agilizar a obra, considerada relativamente barata se comparada aos custos de outras obras menos relevantes executadas no Distrito Federal nos últimos 20 anos.
A duplicação chegou a ser confirmada em outubro de 2020, durante o anúncio do pacote de obras para o Guará em 2021/22, quando o governo prometeu investir mais de R$ 100 milhões na cidade. A obra foi incluída no pacote uma semana depois de reportagem de capa do Jornal do Guará lembrando as sucessivas promessas de quatro governos de executá-la.
Previsto inicialmente em R$ 40 milhões no último governo Roriz, em 2006, o orçamento da duplicação foi reduzido para R$ 33 milhões no governo Agnelo e para R$ 29 milhões no governo Rollemberg, e reduzida no Governo Ibaneis para pouco mais de R$ 10 milhões. As reduções de custos tiveram a intenção de ajudar na obtenção dos recursos necessários, mas o projeto não conseguiu sair do papel, mesmo depois das alterações técnicas para a redução do orçamento.
A obra esteve muito próxima de ser executada no governo Rollemberg, depois que a Novacap concluiu o projeto, mas a exigência de mudanças de cálculos do viaduto previsto, por parte do ABNT, abortou as providências. Com a troca de comando do Palácio do Buriti e da Novacap desde o início de 2019, o projeto voltou para a gaveta e não foi incluído em nenhum pacote de obras nos dois primeiros anos do novo governo, até que a reportagem do Jornal do Guará despertou o assunto. O pedido para a retomada da duplicação foi feito pelo ex-deputado distrital Rodrigo Delmasso, membro da base do governo na Câmara Legislativa, e morador da cidade, ao secretário de Infraestrutura e Obras, Luciano Carvalho, e ao presidente da Novacap, Fernando Leite, no ano passado.
Um dos fatores que ajudou no convencimento ao governo foi a lembrança da reportagem do JG de que o assentamento de cerca de 10 mil pessoas na Expansão do Guará (QEs 48 a 58) nos próximos dois anos iria aumentar consideravelmente o gargalo da travessia, que hoje chega a 40 minutos entre 18h e 20h, em menos de dois quilômetros.

Planejada há cinco governos
A duplicação começou a ser planejada no último dos três governos de Joaquim Roriz, mas ficou parada no governo Cristovam Buarque, como aliás aconteceu com quase todas as obras físicas do período. O projeto voltou a andar no governo Arruda, quando o Distrito Federal recebeu a maior quantidade de investimentos em obras de sua história. Entretanto, a duplicação da via não foi contemplada, mas, desta vez por culpa de entraves na licença ambiental impostos pela Secretaria de Meio Ambiente. O governo tampão que o sucedeu, de Wilson Lima, e depois o de Rogério Rosso sequer se interessaram pela obra, que voltou a ser discutida efetivamente no governo Agnelo, quando o projeto inicialmente orçado em cerca de R$ 40 milhões foi refeito e readequado para cerca de R$ 33 milhões.
O governo Rollemberg foi o que mais se interessou e avançou no projeto de duplicação da via, mas esbarrou numa outra exigência, desta vez da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que havia alterado os cálculos de concretagem de viadutos e pontes – no projeto estão previstos dois viadutos e a duplicação da ponte sobre o córrego Vicente Pires. Por causa dessa alteração das normas, o projeto teve que ser novamente readequado, mas como a Novacap não tinha estrutura para fazê-lo por conta própria, teria que contratar uma empresa externa para executá-lo, mas não houve tempo para a contratação.

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