Entenda como a economia criativa virou o 'trunfo' do turismo na Bahia

Agos 26, 2026 - 06:00
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Entenda como a economia criativa virou o 'trunfo' do turismo na Bahia
A Bahia tem o desafio de fortalecer cada vez mais os segmentos da economia criativa, não apenas porque agregam opções diferenciadas aos visitantes aumentando seu período de permanência e o faturamento dos segmentos envolvidos. Esta economia valoriza a originalidade dos saberes tradicionais, a história e a cultura, dentre outros atributos, refletindo na criação de empregos e geração de renda entre a população, além de reforçar sua identidade com o lugar.Além da badalada oferta de diversificados atrativos tradicionais como montanhas, sol e praias, cannions, cachoeiras, igrejas e museus, que fazem da Bahia um estado cobiçado pelos viajantes nacionais e estrangeiros, por estas terras eles também têm opções para viver ricas experiências fora do convencional, proporcionadas através da economia criativa.Segundo o secretário estadual de Turismo, Maurício Bacelar a força criativa da Bahia é uma potência, com previsão de crescer ainda mais no futuro próximo considerando a capacidade empreendedora dos baianos, com aproveitamento dos potenciais. “Seguimos nossas estratégias no programa Bahia 4.0, que direciona a atuação da secretaria entre 2020 e 2030”, pontuou, destacando que o foco principal é a diversificação de opções turísticas.Iniciativas neste sentido favorecem a redução da sazonalidade na procura dos destinos baianos e, dentre outros fatores positivos, aumenta o período de estadia dos turistas, somando maiores dividendos à economia estadual e atraindo novos investimentos. Conforme Bacelar, o estado trabalha na identificação dos talentos, na qualificação profissional e na transformação do trabalho em produto turístico.O secretário citou variadas situações onde o conhecimento repassado de uma geração para outra, se tornou em um valoroso meio de trabalho, destacando que as atividades da economia criativa representam diferentes modos de vida e valorizam as raízes do povo baiano. “A economia criativa é o futuro do nosso turismo”, salientou Bacelar, acrescentando que este movimento não deve comprometer a essência cultural dos baianos, e sim, ajudar na sua preservação. Secretário estadual de Turismo, Maurício Bacelar - Foto: Shirley Stolze/ Ag A TARDE Diretor técnico do Sebrae Bahia, André Gustavo, apontou que a autenticidade é o maior diferencial competitivo da Bahia. “O desafio não é tratar a cultura como produto, mas reconhecê-la como um ativo econômico que só existe se forem preservados sua essência, seus valores e as pessoas que são protagonistas destas experiências”, defendeu.Envolvido no processo que estruturar o futuro do turismo, ele pontuou que o caminho é investir mais na diversidade. “A força da Bahia está justamente em sua pluralidade cultural e natural, que sempre é exaltada pelos visitantes que sentem que aqui há algo de único, raro e essencialmente diverso”, asseverou.Ao mencionar que o estado está avançando em iniciativas que integram turismo e economia criativa, André Gustavo disse que o Sebrae tem atuado em projetos que conectam cultura, turismo e empreendedorismo, “reconhecendo a economia criativa como vetor estratégico de geração de renda, inovação e desenvolvimento territorial a partir dos pequenos negócios que dão vida a este setor”.Para vencer os desafios, disse, “agora é preciso ampliar a governança entre os setores público e privado, melhorar a gestão dos negócios criativos e o acesso dos empreendedores criativos a mercados, financiamento, inteligência de negócios e internacionalização”. Lembrou ainda que o trabalho deve envolver também os municípios, fortalecer a gestão cultural nos territórios e dos Conselhos de Cultura.De acordo com o diretor do Sebrae, para além das observações necessárias para organização e venda dos produtos/trabalhos da economia criativa, existem questões mais profundas para a economia criativa no estado. “Ainda existe um desafio histórico relacionado à distribuição de valor dentro das cadeias culturais. Muitas vezes, quem cria tem menor participação na riqueza gerada do que outros atores responsáveis pela comercialização, distribuição ou intermediação”. 1 de 1 Diretor técnico do Sebrae Bahia, André Gustavo | Foto: Divulgação / Sebrae O fortalecimento do empreendedor cultural é uma agenda estratégica para reverter esta situação, apontou, asseverando que quanto maior a capacidade de gestão dos criadores, “maior será sua participação nos resultados econômicos gerados por seus próprios produtos, serviços e ativos culturais”.Ele enfatizou que o objetivo do Sebrae é fazer com que a riqueza produzida pela cultura baiana permaneça cada vez mais nos territórios, beneficiando artistas, mestres da cultura, grupos tradicionais e pequenos negócios que mantêm viva essa herança.Presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo da Bahia (Fecomércio/BA), Kelsor Fernandes também enalteceu a riqueza cultural da Bahia e ressaltou o trabalho desenvolvido pela instituição junto com outras entidades, citando a convergência da atuação do Senac e Sesc, na qualificação profissional das pessoas para atender a demanda do turismo.“Quando olhamos para o futuro, somos otimistas. A Bahia é um destino consolidado, historicamente entre os mais procurados do Brasil, tanto pelo turista nacional quanto pelo internacional”, disse, apontando que o estado tem atributos muito difíceis de reunir em um único destino, “patrimônio histórico e cultural, gastronomia, música, diversidade, belezas naturais e uma identidade reconhecida mundialmente”.Ele também reconheceu que o desafio agora é transformar todo esse potencial em um crescimento cada vez mais sustentável em diferentes regiões do estado. Para isso, ressaltou, o trabalho já existente deverá ser reforçado, sendo nessa convergência que o Sistema Comércio busca atuar. Além do preparo das pessoas e valorização da cultura, “acompanhando o desempenho da atividade e contribuindo para a construção de políticas e iniciativas que façam da Bahia um destino cada vez mais competitivo e acolhedor”. Leia Também: PERSPECTIVA Turismo e economia criativa são tema do ‘Em Pauta’ EM PAUTA "Cada real gasto pelo visitante transborda para outros setores", diz secretário de Camaçari EM PAUTA A trajetória do guia que uniu história e turismo pelas ruas de Salvador Com atuação específica nesta área, desde 2011 a Fecomércio BA mantém a Câmara Empresarial do Turismo, que reúne representantes do setor para debater desafios da área e atua com articulações com os governos municiais e estadual.“Defendemos um ambiente de negócios cada vez mais favorável aos investimentos, com redução da burocracia, melhoria da infraestrutura, especialmente de rodovias e aeroportos, e avanços em áreas essenciais como a segurança pública”, apontou, esclarecendo que são condições que beneficiam primeiramente a população baiana, mas que também têm impacto direto sobre a experiência de quem escolhe o nosso estado como destino.Presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis na Bahia, Wilson Spagnol disse que o futuro para a atividade é animador. Não só “pelo diferencial competitivo do estado”, mas também pela união do trade e as parcerias público privadas que vem fomentando o setor. Neste quesito ele citou a parceria com o Sebrae para a implantação da ferramenta digital Bússula Hoteleira. Iniciativa da ABIH BA, disponibiliza dados e inteligência de mercado a serviço da gestão hoteleira.Ele também destacou a importância da economia criativa para o setor turístico, classificando estas atividades como “indispensáveis” na consolidação dos destinos, aumentando o tempo de permanência, a média de gastos por turista, “ajudando a distribuir renda e conectando os grandes empreendimentos às iniciativas locais nas diferentes zonas turísticas da Bahia”. José Wilson Spagnol, (presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis Bahia, ABIH-BA) - Foto: Uendel Galter/Ag. A TARDE Fomento ao turismoTransformada em uma política de incentivo e apoio cultural permanente e perene desde 2025, a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) é uma estratégia de democratização do acesso, descentralização territorial e estruturação das políticas culturais.Segundo a Superintendente de Promoção Cultural na Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, Lorena Teixeira, a economia criativa é contemplada com editais específicos, bem como “transversalmente em diversos outros editais, nos quais, atividades e elos produtivos da economia criativa estão presentes”.Ela apontou que como iniciativa estruturante para o segmento foi implantada a Incubadora Bahia Criativa pela Secult/BA, para fortalecer o acompanhamento estruturado de empreendimentos do setor cultural e criativo, com suporte em gestão, formação, orientação técnica e networking. Também faz parte deste contexto a requalificação do Solar Boa Vista, “que está sendo concebido como um parque cultural urbano e hub de economia criativa”.Ao definir a economia criativa como “estratégica para o desenvolvimento da Bahia”, Teixeira pontuou que o trabalho da coordenação operacional dos mecanismos de fomento da Secult BA, busca demonstrar “que o investimento público não seja compreendido apenas como financiamento pontual de projetos”. 1 de 1 Superintendente de Promoção Cultural da Secult/BA, Lorena Teixeira | Foto: Divulgação/Secult BA Deve ser um instrumento de estruturação de cadeias produtivas, profissionalização dos agentes culturais e fortalecimento dos ecossistemas culturais e criativos dos territórios. Ressaltou ainda o desafio de fazer com que o recurso público chegue a quem produz cultura em diferentes territórios, e deixe capacidade instalada, empreendimentos mais estruturados e novas possibilidades de geração de trabalho e renda.“É nesse sentido que entendemos a economia criativa dentro da PNAB Bahia, não apenas como um segmento a ser contemplado por um edital, mas como uma estratégia de desenvolvimento cultural, econômico e territorial para o estado”, finalizou.Vai Turismo Bahia!Movimento de alcance nacional o ‘Vai Turismo – Rumo ao Futuro’ é uma iniciativa da Confederação Nacional do Comércio (CNC), que no estado tem a parceria da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo da Bahia (Fecomércio BA), articulando forças com outras 33 instituições para impulsionar políticas públicas rumo ao desenvolvimento sustentável do setor de turismo.Deflagrado em 2021, ganhou força no período pós-pandemia com a retomada gradual de viagens por parte dos turistas, com a proposta principal de fomentar o segmento e reconhecer sua relevância primordial para a economia brasileira.“A Fecomércio BA aderiu ao programa desde o início e vem se engajando fortemente nessa iniciativa ao longo dos últimos quatro anos, por entendermos que o fortalecimento do turismo (setor que representamos) é uma das prioridades da nossa gestão”, pontuou o presidente da federação, Kelsor Fernandes. 1 de 1 Presidente da Fecomércio-BA, Kelsor Fernandes | Foto: Divulgação / FECOMÉRCIO BA Um dos resultados desta iniciativa foi concretizado dia 4 de agosto, em evento na Casa do Comércio, com a entrega de um documento elaborado com a participação das demais entidades que participam do ‘Vai Turismo’ a dois dos postulantes ao governo estadual, que estão mais bem cotados nas pesquisas.Entre os estados que implantaram o programa, a Bahia foi o primeiro a mobilizar o setor e as lideranças políticas, para apresentar as principais demandas para turbinar a atividade. Ele afirmou que o material entregue sistematiza as propostas de políticas públicas consideradas prioritárias para o fortalecimento e o desenvolvimento sustentável do turismo baiano.Segundo Fernandes, “cumprimos o nosso papel de representar, articular e dar voz ao setor produtivo, levando ao debate público propostas construídas coletivamente em favor de um segmento estratégico para a nossa economia”, destacou, citando sua capacidade “de gerar emprego, renda, oportunidades e desenvolvimento para todas as regiões do estado”.Coordenadora do ‘Vai Turismo Bahia!’, Marta Lobo, exemplificou que o trabalho do grupo teve início com a realização de oficinas e outros encontros virtuais quando foram identificados os gargalos e debatidas soluções. “Desde o pós-pandemia, todos anos realizamos esta articulação, atualizamos e encaminhamos as demandas”, disse, salientando que ao final de cada ciclo os projetos são encaminhados aos gestores públicos e ao trade turístico baiano. 1 de 1 Coordenadora do ‘Vai Turismo Bahia!’, Marta Lobo | Foto: Divulgação / FECOMÉRCIO BA Para ela, a importância do projeto está no fato dos diferentes setores envolvidos na atividade turística serem ouvidos para apontar os problemas percebidos e que tenham difícil solução. As questões analisadas são transformadas em propostas, que devem auxiliar nas tomadas de decisão relativas a este setor econômico.A estrutura do programa conta com um painel de inteligência turística que armazena dados estratégicos alimentados pelas federações dos estados. Nele, a Bahia aparece com R$ 1,3 bilhão, em segundo lugar entre os estados com maior orçamento previsto, somando 245 projetos. A iniciativa tem destaque ainda pela articulação institucional entre o setor produtivo, a qualificação profissional através do Senac e as ações sociais e culturais promovidas pelo Sesc, vinculando tudo aos órgãos públicos.A produção da Fecomércio/BA e demais instituições parceiras na elaboração do programa ‘Vai Turismo!’ já rendeu diversas condecorações aos baianos, notadamente nas edições de 2024 e 2025 do Prêmio Atena CNC, realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.

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