Estelionato é o crime com maior número de registros na 110ª DP, em Teresópolis
Maria Eduarda Maia
Se antes o ditado dizia que “a ocasião faz o ladrão”, com a evolução da internet é a conexão que aproxima o golpista da vítima. Em Teresópolis, o aumento dos casos de estelionato praticados por telefone e internet mostra que o crime se reinventou ao longo dos anos, saindo das ruas, indo para os celulares e sendo realizados em poucos cliques. O que antes dependia de um contato pessoal, hoje acontece por mensagens e ligações, ampliando o alcance dos golpistas e multiplicando os prejuízos. Os números demonstram a escalada desse tipo de crime. De acordo com dados divulgados pelo Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro (ISP-RJ), que realiza a estatística de acordo com as comunicações nas delegacias de polícia, foram registrados 1473 casos de estelionato em 2025 no município. Somente em janeiro de 2026, já são 112 ocorrências comunicadas à delegacia.
De acordo com o delegado titular da 110ª Delegacia de Polícia, Marcio Dubugras, esta modalidade de crime está entre as campeãs de registros. “A gente tem uma estimativa de que 40% a 50% dos registros na delegacia sejam de estelionato. São números realmente muito grandes. Esse não é um problema só de Teresópolis, está acontecendo no Brasil e no mundo todo”, analisou, em entrevista ao Diário, destacando que as pessoas têm várias modalidades de atuação para praticar o crime de estelionato.

Golpes mais comuns
Entre os golpes mais comuns por telefone em Teresópolis estão: o do filho ou parente falso, em que o criminoso se passa por um familiar, diz que trocou de número e pede dinheiro alegando emergência; o do falso comprovante de PIX, frequente contra comerciantes, quando o golpista envia um comprovante falso para liberar produtos ou serviços; o do falso advogado, que informa sobre um suposto processo ganho mediante pagamento antecipado de taxas; o da falsa central bancária, com criminosos se passando por funcionários de banco para obter dados ou induzir transferências; o da falsa clonagem de WhatsApp, solicitando códigos enviados por SMS; o da falsa compra online, com pedidos sem pagamento efetivo; o do falso sequestro, com ligações cheias de ameaças e pressão psicológica; o da falsa promoção ou prêmio, exigindo taxas para liberar valores inexistentes; o do falso funcionário público, que usa o nome de órgãos oficiais para obter dinheiro ou informações; e o do empréstimo facilitado, que promete crédito rápido mediante pagamento antecipado que nunca se concretiza.
Ainda durante a entrevista, o delegado titular da 110ª DP destaca que, apesar da ampla divulgação na imprensa, muitas vítimas ainda caem principalmente no golpe do WhatsApp. “A gente vê que algumas fraudes são mais comuns de acontecer, principalmente o golpe do WhatsApp. Por mais que isso seja divulgado na imprensa, muita gente cai nesse golpe”, disse.
Outro caso frequente que também foi alertado por Marcio Dubugras envolve negociações de veículos feitas pela internet. “Acontece sempre quando aparece um intermediário entre o comprador e o vendedor. O comprador transfere o dinheiro para o intermediário e o vendedor não recebe. Aí vem parar todo mundo na delegacia”, destacou

Internet dificulta investigações
Se antes o golpista precisava abordar a vítima pessoalmente, hoje ele pode agir de qualquer lugar do mundo, escondido atrás de uma tela, dificultando as investigações. “Com a internet, você não tem um território definido. A pessoa pode estar praticando um golpe em outro estado e a vítima ser aqui de Teresópolis. Isso acaba atrapalhando muito a investigação, porque a gente precisa buscar informações primeiro”, explica o delegado.
Dubugras ressalta que muitas vezes o dinheiro é transferido para contas de “laranjas”, o que torna a apuração ainda mais complexa: “Muitas vezes é um ‘laranja’ que teve seus documentos utilizados para abrir uma conta. É uma investigação extremamente complexa e até chegar realmente ao autor demora um tempo, porque precisamos de informações, principalmente bancárias.”
Além disso, para o delegado titular da 110ª DP, a legislação também influencia na responsabilização, beneficiando os criminosos. “Também temos a questão da pena, se é um crime leve ou praticado com violência ou grave ameaça. Isso auxilia muito esses criminosos, porque dificilmente uma pessoa fica presa no Brasil se não pratica um crime com violência ou grave ameaça.”, finalizou.
Orientações
As forças de segurança alertam que nenhuma instituição financeira ou órgão oficial solicita senhas, códigos ou transferências por telefone. A recomendação é desconfiar de contatos inesperados, evitar decisões sob pressão e confirmar informações por outros meios antes de qualquer pagamento. Em caso de tentativa ou vítima de golpe, a orientação é registrar ocorrência junto à Polícia Civil para ajudar nas investigações.
GOLPES MAIS COMUNS VIA TELEFONE/INTERNET
MENSGEM DO FILHO OU PARENTE FALSO – Diz que trocou de número e pede dinheiro urgente.
FALSO COMPROVANTE DE PIX – Envia comprovante falso para enganar comerciantes.
FALSO ADVOGADO / PROCESSO – Promete dinheiro de ação judicial, mas cobra taxas.
BANCO OU CENTRAL FALSA – Diz que houve movimentação suspeita e pede dados.
CLONAGEM DE WHATSAPP – Pede código SMS para “evitar invasão”.
FALSA COMPRA OU PEDIDO – Produto é entregue, mas o pagamento não existe.
FALSO SEQUESTRO – Ameaças e pressão psicológica para pagamento rápido.
PRÊMIO OU PROMOÇÃO FALSA – Diz que você ganhou algo, mas exige taxa.
FALSO FUNCIONÁRIO PÚBLICO – Se passa por servidor para pedir dinheiro ou dados.
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