Estudo da ABIN aponta Acre como rota estratégica para contrabando de migrantes no país
Tríplice fronteira com Peru e Bolívia e a BR-317 são apontadas como fatores-chave; redes fragmentadas usam taxistas, hospedagens e travessias improvisadas pelo Rio Acre

Aplicativos de mensagens e redes sociais têm sido utilizados para atrair migrantes e coordenar as rotas, muitas vezes sob a aparência de serviços legalizados. Foto: captada
Um estudo publicado pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) aponta que o Acre ocupa posição estratégica nas rotas de contrabando de migrantes no Brasil. O principal fator para essa posição é a localização do estado na tríplice fronteira com Peru e Bolívia. A publicação foi realizada na terça-feira (28) em Brasília, em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
De acordo com o relatório, o Brasil se consolidou como país de origem, trânsito e destino dessas rotas. Nesse contexto, o Acre ganha relevância por servir como porta de entrada e passagem. A BR-317, que liga Rio Branco a cidades de fronteira, é uma das principais vias utilizadas por migrantes estrangeiros que seguem rumo às regiões Sul e Sudeste do país.
Redes fragmentadas e subnotificação
A atuação das redes de contrabando no estado é descrita como fragmentada e pouco organizada. Envolve intermediários como taxistas, donos de hospedagens e atravessadores, que cobram por transporte, facilitação de travessias e abrigo. Em alguns casos, o deslocamento inclui travessias improvisadas pelo Rio Acre.

De acordo com o relatório, o Brasil se firmou como país de origem, trânsito e destino dessas rotas. Nesse sentido, o Acre tem relevância por servir como abertura e passagem. Foto: captada
Apesar da movimentação intensa, o estudo aponta alta subnotificação de casos, já que muitos migrantes evitam denunciar abusos por medo ou desconhecimento.
Tecnologia e crime complexo
Além do recorte regional, o estudo mostra que o contrabando de migrantes é um crime complexo, envolvendo nacionalidades diversas e redes descentralizadas com uso contínuo de tecnologias digitais para aliciamento. Aplicativos de mensagens e redes sociais têm sido utilizados para atrair migrantes e coordenar as rotas, muitas vezes sob a aparência de serviços legalizados.
Além do Acre, os outros estados que concentram rotas de migração irregular no país são: Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Espírito Santo, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e São Paulo.

A BR-317, que liga Rio Branco a cidades de fronteira, é uma das principais vias utilizadas por migrantes estrangeiros que seguem rumo às regiões Sul e Sudeste. Foto; captada
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