Fundo bilionário apontado como receptador do Master

Mai 27, 2026 - 02:00
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Fundo bilionário apontado como receptador do Master

A venda dos papéis melhorou a situação econômica do Master, que passou a ter mais espaço financeiro para contratar novos empréstimos e captar recursos via Certificados de Depósito Bancário (CDB).

Por Redação – do Rio de Janeiro

O Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios Não-Padronizados (Fidc) SDG II comprou R$ 3,6 bilhões em empréstimos ligados à fraude do Banco Master, conduzida pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em uma manobra para limpar o balanço da instituição bancária e se desfazer dos chamados ‘créditos podres’.

Fundo bilionário apontado como receptador do Master | Fachada Banco Master, na capital paulista
Fachada Banco Master, na capital paulista

A venda dos papéis melhorou a situação econômica do Master, que passou a ter mais espaço financeiro para contratar novos empréstimos e captar recursos via Certificados de Depósito Bancário (CDB), conforme apurou o inquérito em curso na Polícia Federal (PF). O impacto de um eventual calote, contudo, foi transferido das contas do banco para os cotistas do SDG II. Depois da operação, a tarefa de cobrar os empréstimos também passou a ser do fundo.

Nas investigações sobre a conduta do Master, o uso dos fundos fechava o ciclo de fraudes que começaria no momento em que o banco captava dinheiro com CDBs; aí, o montante captado era emprestado para empresas de fachada, que aplicavam os valores em fundos e, por último, esses fundos usavam parte do dinheiro para comprar os empréstimos feitos pelo Master junto às empresas cúmplices.

 

Cotistas

Os empréstimos, porém, não eram cobrados, beneficiando companhias que não pagavam o devido. O calote, em vez de recair sobre as contas do Master — o que apareceria nos controles do Banco Central (BC) —, ficava no Fidc. O fundo SDG II continua ativo, opera com cerca de R$ 5,4 bilhões e tem dois cotistas, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Um deles é o ‘Hans 95’, fundo central na cadeia de fraudes do Master. A participação do ‘Hans 95’ se dá por meio do ‘Anna’, um dos seis fundos fraudulentos identificados pelo BC no início das investigações contra o banco liquidado. O outro é a empresa MKS Soluções Integradas, uma das 36 companhias que, segundo as investigações, fizeram empréstimos simulados no Master.

O balanço do SDG II revela que, dos R$ 3,6 bilhões em ativos ligados à fraude do Master, ao menos R$ 1,1 bilhão são de direitos creditórios vendidos diretamente pelo Master ao Fidc, que não é obrigado a revelar quem tomou o empréstimo que gerou a operação inicial.

A companhia que mais recebeu recursos é a Lormont Participações, com quase R$ 553 milhões. Do total, cerca de R$ 102 milhões ao menos foram vendidos ao fundo pelo Master. A empresa é ligada ao empresário Nelson Tanure.

 

Crédito

Por meio de sua assessoria de imprensa, Tanure informou ao diário conservador paulistano Folha de S. Paulo que foi cliente do Master “nas mesmas condições em que foi e segue sendo atendido por outras instituições financeiras, numa relação de operações financeiras corriqueiras que fazem parte do cotidiano da vida profissional de empresários e investidores de todo mercado de valores mobiliários”.

“O empresário não tem conhecimento sobre hipotética cessão de crédito entre as próprias instituições financeiras”, concluiu.

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