Golpe do falso advogado atinge idosos e aposentados no Rio de Janeiro

Jul 18, 2026 - 18:00
 0
Golpe do falso advogado atinge idosos e aposentados no Rio de Janeiro
sede oabrj fachada

Foto: Divulgação

Estado do Rio – Um esquema de fraude conhecido como “golpe do falso advogado” tem multiplicado vítimas no Rio de Janeiro, atingindo principalmente idosos aposentados e pensionistas que possuem processos judiciais em andamento. A modalidade, que já motivou operações policiais e um projeto de lei na Alerj, consiste em criminosos que se passam por advogados ou assessores jurídicos para induzir as vítimas a realizar transferências bancárias sob a promessa de liberação de valores de ações judiciais.

De acordo com a Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ), o número de relatos vem crescendo de forma expressiva: desde o ano passado foram registradas 2.106 denúncias de pessoas que relataram ter sido alvo da fraude no Estado.

Como o golpe funciona

Segundo o Tribunal Regional Federal da 3ª Região, os criminosos acessam bancos de dados públicos e plataformas processuais para reunir informações detalhadas das vítimas, como nome completo, CPF, número de processos e nome de advogados constituídos, o que torna a abordagem mais convincente. O contato costuma ocorrer por telefone ou WhatsApp, com o golpista se apresentando como representante do escritório responsável pelo caso, muitas vezes usando fotos de profissionais reais.

Na conversa, a vítima é informada de que tem direito a receber valores de uma decisão judicial já concluída, geralmente ligada a revisões previdenciárias, indenizações ou precatórios. Para dar mais credibilidade ao golpe, os criminosos chegam a enviar documentos forjados, como cópias de sentenças, tabelas de cálculo e ofícios de liberação de valores com assinaturas de juízes ou servidores reais, mas utilizadas sem autorização.

A fraude se consuma quando é exigido o pagamento antecipado de supostas taxas para liberar o dinheiro, sob nomes como “taxa de desbloqueio” ou “despesas cartorárias”, sempre com um forte senso de urgência para pressionar a vítima a agir rapidamente.

Quem tem acompanhado de perto o desenrolar de casos reais em Volta Redonda é o vereador e advogado Welderson Sidney da Silva Teixeira, o Sidney Dinho. Ele relatou que um amigo dele quase foi enganado por um desses ‘ falsos advogados’. “O pilantra chegou a trocar mensagens pelo whatsapp com meu amigo, que só percebeu não se tratar do advogado selo pelo simples fato de a foto não estar visível e, ao ampliar, percebeu que era um golpe”, relatou Dinho, para logo a seguir passar uma orientação. “Quando houver dúvida, basta consultar o número do registro do profissional no site para ver se ele realmente é um advogado”, disse.

Prejuízos que chegam a dezenas de milhares de reais

Casos recentes mostram o tamanho do estrago financeiro causado pelo golpe. Em uma operação da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) no Rio de Janeiro, a polícia apurou que uma vítima fez várias transferências após acreditar na falsa informação e teve prejuízo de cerca de R$ 65 mil. Em outro caso, um aposentado somou um prejuízo de mais de R$ 23 mil após seguir instruções repassadas por telefone, incluindo duas transferências via Pix e a contratação de um empréstimo pessoal, sem conseguir reaver os valores junto ao banco.

Em outubro do ano passado, uma operação nacional resultou na expedição de 25 mandados de busca domiciliar e 16 de prisão temporária, cumpridos no Ceará e no Rio de Janeiro, contra suspeitos de integrar uma organização especializada nesse tipo de fraude. Segundo o secretário nacional de Segurança Pública à época, Mario Sarrubbo, os criminosos se aproveitam de dados verdadeiros de processos para convencer as vítimas de que vão receber indenizações, e desaparecem assim que o dinheiro é enviado.

Resposta do poder público

Diante do crescimento dos casos, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou um projeto de lei que prevê a divulgação de alertas oficiais sobre o golpe nos portais eletrônicos de órgãos públicos estaduais. Segundo o autor da proposta, os boletins de ocorrência registrados no Estado mostram criminosos que exploram a confiança da população em comunicações eletrônicas, muitas vezes sem que o cidadão saiba como verificar a autenticidade de um contato profissional.

A OAB-RJ recomenda que a população desconfie de qualquer pedido de pagamento ou transferência via Pix relacionado a processos judiciais e que sempre confirme a informação diretamente com o advogado ou escritório responsável pelo caso antes de realizar qualquer depósito. Em caso de suspeita de fraude, a orientação da Polícia Civil é registrar boletim de ocorrência imediatamente, o que ajuda tanto na tentativa de bloqueio dos valores quanto no avanço das investigações contra os responsáveis.

Qual é a sua reação?

Como Como 0
Não gosto Não gosto 0
Amor Amor 0
Engraçado Engraçado 0
Nervoso Nervoso 0
Triste Triste 0
Uau Uau 0