Há 14 anos, Amigos da Alegria leva sorrisos, afeto e esperança a pacientes das Unidades de Saúde de Erechim

O Programa Estúdio Boa Vista recebeu, na manhã desta sexta-feira (2), as voluntárias do Grupo Amigos da Alegria, de Erechim. Janete, Rosangela e Marisa participaram da entrevista para falar sobre os 14 anos de história da entidade, celebrados neste dia 2 de outubro, e sobre o trabalho voluntário desenvolvido junto às instituições de saúde do município.
À frente do grupo, Janete, presidente do Amigos da Alegria e conhecida como Doutora Hahastê durante as atividades, define a missão de levar alegria como um propósito de vida. Rosangela, que integra o grupo há cerca de 12 anos e atua como Doutora Calmolina, também destaca a importância da dedicação voluntária. Já Marisa, voluntária há cinco anos e conhecida como Doutora Lina, da família Centralina, resume o significado de fazer o bem em uma frase: “Ser voluntário não tem preço, tem valor”.
Uma história construída a partir de um sonho
A trajetória do Grupo Amigos da Alegria nasceu de um sonho de Dulce Reato e de seu Rovilho. Movidos pelo desejo de acolher pessoas e transformar momentos difíceis por meio do carinho e da alegria, eles buscaram caminhos para transformar esse propósito em realidade.
Inspirado no trabalho desenvolvido pelo Grupo Doutores da Alegria, no Estado de São Paulo, o projeto ganhou forma em 2012, no Município de Erechim. Nascia, assim, o Grupo Amigos da Alegria, sustentado desde o início pela vontade de fazer a diferença na vida de pessoas que enfrentam momentos de fragilidade e sofrimento.
Dulce faleceu, mas o sonho construído por ela permanece vivo. Rovilho continua como presidente emérito do grupo, em reconhecimento à sua trajetória e ao trabalho desenvolvido ao longo dos anos. Hoje, a história dos Amigos da Alegria é marcada por uma corrente de voluntários que encontraram na solidariedade uma forma de transformar vidas.
Mais do que levar risos aos hospitais, o grupo construiu uma missão de acolhimento. Em cada visita, há uma tentativa de amenizar, ainda que por alguns instantes, o peso da dor, do sofrimento, do diagnóstico e da espera. É nesse encontro entre o voluntário e o paciente que a alegria se transforma em gesto de cuidado e a presença se torna uma forma de esperança.
Alegria como parte do cuidado
O trabalho voluntário dos Amigos da Alegria é realizado em instituições hospitalares de Erechim, entre elas a Unimed, o Hospital Santa Terezinha, o Hospital de Caridade, o Hospital Santa Mônica e o COC, espaço que também funciona como a casa dos voluntários do grupo.
As voluntárias destacaram ainda o apoio recebido desde o início da iniciativa pelo Dr. Juliano, que abriu espaço para a atuação dos voluntários. Segundo o médico, a interação promovida pelo grupo com os pacientes pode contribuir para a melhora do quadro clínico, ao proporcionar momentos de descontração e afastar, mesmo que temporariamente, a atenção da dor e do sofrimento.
Por meio do bom humor, da música e da interação, o paciente pode enxergar aquele momento sob uma perspectiva diferente, encontrando alguns instantes de leveza em meio à rotina hospitalar.
Durante a entrevista, as voluntárias resumiram a experiência de quem dedica parte do seu tempo ao próximo: “A gente recebe muito mais do que entrega.”
42 voluntários unidos pelo propósito de fazer a diferença
Atualmente, o Grupo Amigos da Alegria é formado por 42 voluntários, que desempenham diferentes funções dentro do projeto. Há aqueles que atuam diretamente nas instituições de saúde, como palhaços e músicos, e também os que trabalham nos bastidores, contribuindo com a organização e o funcionamento da associação.
Cerca de 20 voluntários participam ativamente das atividades realizadas nos hospitais. Cada integrante disponibiliza um pouco de si, de seu tempo e de sua habilidade, de acordo com sua disponibilidade, para levar conforto a quem enfrenta um período de fragilidade.
De acordo com as voluntárias, o grande diferencial do grupo está justamente em estar presente no momento da dor. Seja por meio de uma música, uma performance, uma brincadeira, uma conversa, uma charada ou simplesmente por meio de um olhar acolhedor, a proposta é proporcionar alguns instantes de alegria a pacientes e familiares.
A forma de levar alegria mudou, mas a missão permanece
Após a pandemia de Covid-19, a interação com os pacientes passou a ocorrer principalmente pelos corredores dos hospitais, e não mais dentro dos quartos, como acontecia anteriormente. Apesar da mudança, o propósito permaneceu o mesmo.
Os voluntários chegam às instituições utilizando adereços e instrumentos musicais e contam, em algumas ocasiões, com a participação de músicos de Erechim, como Maurino Regalin, Adalgir, Márcio Rech, integrantes do Grupo Triou e da Banda Passarela.
Com música, conversas, piadas, charadas e momentos de descontração, os voluntários procuram criar uma atmosfera diferente dentro do ambiente hospitalar.
Mudaram os espaços e algumas formas de interação, mas não mudou o principal: o amor, o cuidado e a dedicação dos voluntários em levar riso, bom humor e afeto a pessoas que atravessam momentos delicados em suas vidas.
Ações ajudam a manter o trabalho voluntário
Por ser uma associação, o Grupo Amigos da Alegria também possui despesas relacionadas à aquisição de materiais, realização de cursos de qualificação, manutenção e questões burocráticas.
Para contribuir com a manutenção das atividades, o grupo promove anualmente a tradicional Pizzada dos Amigos da Alegria, realizada normalmente no mês de maio. Os recursos arrecadados são destinados à compra de materiais, realização de cursos, manutenção da associação, entre outros.
Durante a entrevista, as voluntárias também aproveitaram para fazer um chamamento a empresários, empresas e pessoas da comunidade que desejam contribuir com a causa. As contribuições podem ocorrer tanto financeiramente quanto por meio do trabalho voluntário. Interessados podem buscar informações por meio da página oficial do Grupo Amigos da Alegria no Instagram.
As voluntárias destacaram ainda que a proposta do grupo não é proporcionar felicidade permanente, mas criar pequenos momentos capazes de transformar um dia difícil.
“Viver de felicidade não é sempre possível. O que existe na vida são momentos felizes. E é exatamente isso que os Amigos da Alegria fazem: proporcionam momentos de alegria para quem está nas casas de saúde”, afirmaram.
Visitas seguem calendário mensal
As visitas às instituições de saúde são organizadas quinzenalmente, conforme o cronograma estabelecido pelo grupo.
Na segunda terça-feira de cada mês, os voluntários visitam o Hospital de Caridade e a Unimed. Já na terceira terça-feira de cada mês, as atividades são realizadas no Hospital Santa Terezinha, no Hospital Santa Mônica e no COC.
O grupo também recebe convites para participar de outras atividades e eventos. No entanto, embora já tenha sido convidado diversas vezes para atuar em festas infantis, como recreacionista, o Amigos da Alegria opta por não realizar esse tipo de atividade, por entender que ela foge da finalidade principal da associação, atuar na área da saúde e do cuidado humano.
A missão permanece concentrada na área da saúde, no acolhimento e no cuidado com pacientes e familiares justamente nos momentos em que mais precisam de atenção, carinho e presença.
Ao completar 14 anos de história, o Grupo Amigos da Alegria reafirma uma trajetória construída por muitas mãos e movida por um propósito simples, porém profundo: estar presente onde existe dor para levar, ainda que por alguns minutos, um pouco de leveza, esperança e alegria.
A Entrevista completa você acompanha através das Redes Sociais da Rádio Cultura e do Jornal Boa Vista ou por meio do Link.
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