Importações, tarifas nos EUA e barreiras na Índia preocupam calçadistas
Pressão de importações, impactos de tarifas dos Estados Unidos e barreiras na Índia estiveram na pauta de reunião de calçadistas brasileiros com o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, nesta quinta-feira (29), em Brasília/DF.

Os industriais atualizaram Alckmin dos impactos da política tarifária dos EUA na indústria nacional, da elevação das importações predatórias de calçados asiáticos — impulsionadas pela reorganização do comércio mundial após o “tarifaço” norte-americano —, e das barreiras impostas pela Índia ao calçado nacional.
Importações
Principal pauta do encontro, o aumento das importações de calçados, que tiveram incremento de 22,5% (em dólares) em 2025, alcançando o maior patamar de toda a série histórica – iniciada em 1997 – foi relatada para Alckmin. Segundo o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira, a concorrência desleal com esses produtos, cuja origem é predominantemente asiática, vem impactando diretamente a produção nacional e o nível de emprego na indústria de calçados.
“O crescimento das importações no setor, em 2025, mostra-se significativamente superior ao observado na indústria de transformação como um todo (8,6%, em dólares) e nas importações totais do País (6,7%), indicando que a indústria calçadista vem sendo impactada de maneira mais intensa do que a média da economia brasileira”, explica Ferreira, acrescentando que o movimento deve ser acentuado em 2026.

Entre os motivos para o “incremento vertiginoso” das importações, conforme Ferreira, está o “tarifaço” aplicado pelos EUA, não somente a produtos brasileiros, mas também asiáticos. “Dessa forma, os exportadores asiáticos acabam realocando maior parcela da sua produção para outros países que não os Estados Unidos, inclusive o Brasil, gerando um desequilíbrio concorrencial”, acrescenta o dirigente.
Dados compilados pela Abicalçados apontam que, após a aplicação das denominadas tarifas recíprocas, em abril passado – que abrangem, entre outros, a China, o Vietnã, a Indonésia e Bangladesh -, o crescimento das importações brasileiras originárias da Ásia foi intensificado. Entre abril e dezembro de 2025, o aumento das importações provenientes da Ásia foi de mais de 26%, mais que o dobro do observado anteriormente. O dirigente calçadista continua, frisando o duplo problema da nova política tarifária aplicada por Donald Trump. “Além da queda nas exportações, já que os Estados Unidos são nosso principal destino internacional, o setor é impactado pela invasão asiática no mercado doméstico brasileiro”, aponta.
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Índia
Tendo em vista a possibilidade de fornecimento de subsídios à missão presidencial à Índia, prevista para o próximo mês, a Abicalçados também expôs as principais dificuldades que vêm inviabilizando o acesso da indústria calçadista brasileira ao mercado indiano, em um contexto internacional que se faz importante a abertura de mercados. O entrave se dá em razão da exigência da certificação BIS – certificação compulsória cuja complexidade operacional e custos do processo de certificação têm restringido as exportações brasileiras ao destino.
Segundo Ferreira, em 2025, os embarques para a Índia totalizaram apenas 160 mil pares, volume mais de 60% inferior ao registrado em 2022, período anterior à vigência da normativa BIS. “Apesar do elevado potencial consumidor do mercado, a barreira comercial têm limitado a inserção dos fabricantes e exportadores brasileiros na Índia. Como consequência, a balança comercial de calçados do Brasil com o país é desfavorável. No ano de 2024, as importações brasileiras originárias da Índia foram mais de vinte vezes superiores às exportações ao destino, resultando em um déficit de US$ 13,8 milhões”, acrescenta o executivo.
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Na oportunidade, a Abicalçados propôs que o Brasil avance em um Acordo de Reconhecimento Mútuo (MRA) com a Índia, permitindo o reconhecimento de laboratórios brasileiros homologados pelo Inmetro — iniciativa que pode encurtar prazos, reduzir custos e ampliar a previsibilidade para exportadores.
No encontro com Alckmin, a Abicalçados esteve representada por seu presidente-executivo e por sua economista e coordenadora de Inteligência de Mercado, Priscila Linck.
(*) As informações são da Abicalçados.
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