Inadimplência bate recorde e mais de 9 milhões de empresas estão no vermelho no Brasil
Dívidas empresariais chegam a R$ 232,9 bilhões; Rio de Janeiro aparece entre os estados com maior número de CNPJs inadimplentes
País
A inadimplência empresarial atingiu um novo patamar no Brasil. Mais de 9,1 milhões de CNPJs estavam inadimplentes em junho de 2026, acumulando aproximadamente R$ 232,9 bilhões em dívidas, segundo levantamento da Serasa Experian divulgado neste mês. O resultado mantém uma trajetória de crescimento que já vinha produzindo sucessivos recordes ao longo do ano.
Os números representam um alerta principalmente para os pequenos negócios, que formam a maior parcela das empresas com dificuldades para manter seus compromissos financeiros em dia.
Em junho, cada CNPJ inadimplente acumulava, em média, R$ 25,5 mil em dívidas, distribuídas por aproximadamente 7,3 contas em atraso. O valor médio de cada débito estava na faixa de R$ 3,5 mil.
O avanço fica mais evidente quando se observa a trajetória recente. Em janeiro deste ano, eram 8,7 milhões de empresas inadimplentes, com R$ 201,7 bilhões em dívidas. Em abril, o número chegou pela primeira vez a 9 milhões de CNPJs e R$ 220,9 bilhões em débitos. Em maio, as dívidas já somavam R$ 229,9 bilhões.
Rio tem mais de 874 mil empresas inadimplentes
O problema também tem peso significativo no Estado do Rio de Janeiro. De acordo com os dados referentes a junho apresentados no levantamento, 874.385 CNPJs fluminenses estavam inadimplentes, colocando o Rio entre os três estados com maior número absoluto de empresas nessa situação.
São Paulo lidera, com mais de 3,1 milhões de CNPJs inadimplentes, seguido por Minas Gerais, com mais de 907 mil. Paraná e Rio Grande do Sul também aparecem entre os estados com maior quantidade de empresas negativadas.
A posição do Rio não é um fato isolado. Em abril, o estado já contabilizava 864.722 empresas inadimplentes, enquanto em maio eram 869.138.
Juros e crédito pressionam empresas
O ambiente de juros elevados e a maior dificuldade de acesso ao crédito estão entre os fatores que ajudam a explicar o crescimento da inadimplência.
Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o nível elevado dos juros continua dificultando a recuperação financeira das empresas, mesmo diante do início de um movimento de redução das taxas.
O problema afeta especialmente empresas que precisam financiar capital de giro para pagar fornecedores, salários, impostos e demais despesas antes do recebimento das vendas.
As micro e pequenas empresas são as mais vulneráveis. Em abril, por exemplo, 8,5 milhões dos 9 milhões de CNPJs inadimplentes pertenciam a esse grupo. Juntas, acumulavam R$ 191,8 bilhões em dívidas.
Serviços e comércio também aparecem historicamente entre os segmentos com maior concentração de empresas negativadas. No início deste ano, os serviços respondiam por mais da metade dos CNPJs inadimplentes, seguidos pelo comércio e pela indústria.
Para uma região como o Sul Fluminense, marcada por uma economia que combina indústria, comércio, prestação de serviços e uma extensa cadeia de pequenos fornecedores, o cenário nacional serve de sinal de atenção. O aumento da inadimplência reduz a capacidade de investimento das empresas, dificulta a obtenção de crédito e pode comprometer a manutenção do capital de giro.
A evolução dos números mostra a velocidade dessa deterioração: as dívidas empresariais passaram de R$ 201,7 bilhões em janeiro para R$ 232,9 bilhões em junho, um crescimento de mais de R$ 31 bilhões em apenas cinco meses.
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