Índice da inflação surpreende economistas com recuo acentuado
Após oito meses em alta, o grupo alimentação e bebidas registrou queda de preços em julho (-0,66%).
Por Redação, com Bloomberg – do Rio de Janeiro
A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) desacelerou a 0,06% em julho, após marcar 0,41% em junho, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de 0,06% surpreendeu analistas ao ficar bem abaixo das projeções do mercado financeiro.

A mediana das estimativas era de 0,22%, enquanto o piso (menor previsão) estava em 0,15%, conforme a agência norte-americana Bloomberg. O IPCA-15 teve a menor variação para meses de julho em três anos, desde 2023 (-0,07%). Também mostrou a menor taxa mensal de 2026.
Após oito meses em alta, o grupo alimentação e bebidas registrou queda de preços em julho (-0,66%). Assim, gerou o principal impacto para baixo (-0,15 ponto percentual) entre os nove ramos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE. O IPCA-15 também perdeu força no acumulado de 12 meses. Desacelerou a 4,52% até julho, após marcar 4,8% até junho.
Preços
Apesar da trégua, a taxa permanece levemente acima do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC) para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o índice oficial de preços do Brasil. Gabriel Pestana, economista-sênior da Genial Investimentos, diz que o IPCA-15 de julho traz mais uma evidência de melhora na inflação, mas avalia que o cenário exige cautela.
Para o economista, boa parte da queda dos alimentos pode ser revertida no fim do ano, a depender do impacto do El Niño, e serviços podem voltar a acelerar com a entrada de impulsos fiscais na economia no período eleitoral. A publicação dos dados ocorre uma semana antes da nova reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
O colegiado do BC terá encontro nos dias 4 e 5 de agosto para definir o patamar da taxa básica de juros, a Selic, que está em 14,25% ao ano.
Tomate
Para o economista Rafael Rondinelli, da Mag Investimentos, o IPCA-15 não altera a visão de um cenário inflacionário que segue pressionado no país, mas reforça a projeção de corte de juros na próxima semana. Analistas esperam pelo menos mais uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic, o que levaria a taxa para 14%.
Segundo economistas, a queda de alimentação e bebidas reflete melhores condições de produção nesta época do ano, após a pressão dos preços observada no primeiro semestre. O IBGE destacou a redução do custo da alimentação no domicílio em julho (-1,14%).
Produtos in natura tiveram baixa mais intensa do que a esperada, o que ajuda a explicar a surpresa com o IPCA-15, conforme o economista Leonardo Costa, da instituição financeira Asa. Houve recuos em produtos como tomate (-19,95%), batata-inglesa (-10,03%) e café moído (-3,13%). Do lado das altas, o IBGE citou alimentos como cebola (7,10%) e pão francês (0,65%).
Individualmente, o tomate gerou o maior impacto para baixo no IPCA-15 de julho (-0,07 p.p.), seguido pela gasolina (-0,04 p.p.), cujos preços recuaram 0,68%.
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