Inflação da zona do euro sobe e ultrapassa meta do BCE com petróleo em alta
A inflação da zona do euro ultrapassou a meta de 2% do BCE (Banco Central Europeu) em março, uma vez que o aumento dos custos do petróleo e do gás elevou os preços principais, mas o salto foi menor do que o esperado e o núcleo da inflação diminuiu, o que turvou o cenário para os formuladores de política monetária do bloco monetário.
A inflação geral nos 21 países que compartilham o euro saltou para 2,5% em março, de 1,9% no mês anterior, abaixo das expectativas de 2,6% em uma pesquisa da Reuters com economistas, já que os custos de energia aumentaram 4,9%.
Os preços do petróleo quase dobraram em decorrência da guerra do Irã e o BCE está agora debatendo se deve aumentar as taxas de juros para evitar que esse aumento se instale no preço de outros bens e serviços.
“O ambiente anteriormente estável em termos de preços está se despedindo”, disse Alexander Krueger, economista-chefe da Hauck Aufhaeuser Lampe. “O que importa é que essa pressão inflacionária não se propague para o núcleo da inflação.”
Enquanto isso, um número muito observado sobre a inflação subjacente, que exclui os preços voláteis de alimentos e de energia, caiu de 2,4% para 2,3%, segundo dados da Eurostat, a agência de estatísticas da UE, divulgados nesta terça-feira (31).
“Olhando para o futuro, embora esse tenha sido o maior aumento mensal na inflação geral desde o final de 2022, ele nos diz pouco sobre até onde a inflação geral aumentará ou o quanto ela se transmitirá para a inflação básica e de serviços”, disse Andrew Kenningham, economista-chefe para a Europa da Capital Economics.
A teoria econômica básica argumenta que os bancos centrais devem ignorar os choques de preços pontuais gerados por interrupções no fornecimento, especialmente porque a política monetária funciona com longas defasagens.
No entanto, um rápido aumento na inflação de energia pode facilmente se expandir se as empresas começarem a incorporar isso aos preços de venda e os trabalhadores começarem a exigir salários mais altos para compensar a perda de renda disponível.
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