Inovação: teoria e prática

Mar 2, 2026 - 14:00
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Inovação: teoria e prática

Por Prof Marcus Fleming* – Muitos de nós, já ouvimos falar e temos lido ultimamente artigos científicos e matérias jornalísticas sobre o tema “INOVAÇÃO”. Todos os segmentos da sociedade estão, em tempos modernos, conectados com as informações que possam nos induzir a fazer as melhores escolhas na vida e tomar decisões importantes que se constituem em inovar, criar algo fora da rotina, que facilite a vida e melhore o mundo em que vivemos. Seja um aparelho de utilidade doméstica, um carro elétrico, ou quem sabe até a preferência no ramo da moda. Daí, surgem os renomados estilistas na criação dos mais fantásticos vestuários dos segmentos masculino e feminino.

Os ramos industrial, comercial e de serviços também estão em busca de evoluir, ao encontro de pesquisas científicas, novas tecnologias, novos processos de produção e melhorias no atendimento e na entrega. Finalmente, fazer incrementos na gestão, de modo que haja decisões mais ousadas em criação e inovação. De tal modo, que essa capacidade inventiva contribua para a maximização da produção, aumento de produtividade, redução dos custos administrativos e operacionais.

Em tese, são decisões compartilhadas que venham resultar em gerar vantagens competitivas com benefícios econômicos e financeiros. E no que puder inovar, consequentemente traga benefícios ao cliente e agregue valor à empresa. Isso sendo vantajoso, quando criatividade e inovação acontecem em um ambiente de equilíbrio, harmonia e paz interior, capaz de proporcionar sustentabilidade e que rendam frutos nos negócios públicos e privados.

O setor público e a iniciativa privada, nesses novos tempos de mudanças, precisam ir mais além, ultrapassar o estágio da criatividade. Precisam inovar, fazer uma revolução nos costumes, nos valores éticos, internalizar um espírito corporativo que absorva os conceitos de Integridade e Compliance no desenvolver dos processos e projetos, desde o seu nascedouro. A partir de um processo de disruptividade, em relação aos modelos tradicionais de administração, passa-se a haver uma reviravolta no comportamento, em todos os sentidos, sobretudo quanto ao aspecto relações interpessoais.

É de fundamental importância que as mudanças organizacionais passem pela reestruturação mental dos CEOs e dirigentes, ainda que tudo tenha início na base da pirâmide, na concepção dos projetos e processos. Que fique configurado um clima de modernidade, liderado pelo CEO da companhia, em articulação direta com os colaboradores e cabeças pensantes.

Algumas vezes há esforço da mobilização de brainstorming, uma cooperação cognitiva que desperte criatividade e inovação, em direção à promoção da modernidade. Significa despertar um olhar sistêmico e holístico, uma relação empática entre os colaboradores e a direção sobre os negócios da empresa. Significa uma busca tenaz por reconstrução de valores e imaginar ser possível se vislumbrar o futuro, contando sempre com a idealização de uma gestão compartilhada, de permanente escuta, através do processo participativo e de troca, seja numa gestão empresarial ou pública.

Propositadamente, recorri à plataforma Google, para uma breve pesquisa, e vejamos o que fora possível encontrar sobre as ideias básicas do sentido de inovar: “criar, modificar, alterar ou modernizar métodos, produtos ou serviços. Restaurar ou fazer algo de maneira inédita”.

Enfim, todos nós já estamos familiarizados com esta expressão, porque o que mais se fala no momento, nas redes sociais e nas rodinhas de conversas, é sobre o desafio e a necessidade de inovação nas organizações, na governança pública, nos partidos políticos, no nosso comportamento individual e coletivo. E, em se tratando de tempos de eleição, há logo uma preocupação com a renovação dos quadros políticos do país. Eu, particularmente, tenho o sentimento de que a atual Constituição Federal de 1988, a própria Carta Magna de nosso país, Brasil, já está clamando por inovação. Chega de tantas Medidas Provisórias-MPs e Propostas de Emendas Constitucionais – PEC, que veem transformando a Constituição numa colcha de retalhos há 38 anos.

Em resumo, todos nós queremos inovar, renovando o guarda-roupa, novos modelos de sapatos masculino ou feminino, iniciar uma atividade física, cuidar da saúde. Enfim, queremos nos reinventar, através de mudanças de hábitos e de uma nova postura sobre as formas como estamos acostumados a lidar, diuturnamente com o que está em nosso entorno. Daí, procuramos correr atrás também do que há de mais moderno no mercado, em tecnologia, em novidades de vida. Aprender melhor para alcançar uma excelente gestão de pessoas, enfim, tudo o mais de interessante que o mercado tem a oferecer para tornar a vida pessoal e profissional mais feliz, ajustada aos novos tempos.

Bem, agora precisamos saber como estão as mentes pensantes, a cabeça de quem lidera. O que se precisa fazer agora, diante da NR-1 que pressiona as empresas a se atualizarem em termos de monitorar melhor a saúde mental e física dos colaboradores? O que dizer aos CEOs? Muitos, resistentes às mudanças imperiosas, impostas pela sociedade, pelo mercado, por colaboradores, nesses tempos de decisão disruptiva com o antigo.

Querer inovar é o prenúncio de que se reconhece a necessidade de abandonar hábitos ultrapassados, arcaicos, velhos, em desconformidade com a evolução da vida no planeta. É o momento de se criar oportunidade para a internalização do novo, a fim de propiciar um convívio mais salutar no ambiente social, na comunidade, no trabalho.

Muito tem sido propagado sobre o conceito de Inteligência Emocional, o que nos leva a perceber que as pessoas dentro ou fora das organizações, independentemente dos papéis que desempenhem na sociedade, precisam gozar de um estado de equilíbrio emocional. Sem isso, as pessoas tornam-se mais vulneráveis a fazer as escolhas rasas, de pouco conteúdo, de pouco impacto no ambiente, de baixa qualidade na realização dos projetos pessoais e dos negócios.

Daniel Goleman, o autor do livro Inteligência Emocional, nos leva a refletir quanto a necessidade de melhor nos conhecermos, de modo a melhor compreendermos o sentido da vida e do que seja o desafio em gerenciar as nossas emoções, bem como as dos outros. Logo, o ato de promover a inovação passa também pela nossa capacidade de desenvolver espiritualidade, sensibilidade e percepção, para que um olhar clínico contribua para a tomada de decisões mais equilibradas e assertivas. A ponto inclusive de nos sentirmos preparados para mitigar e atenuar os conflitos organizacionais e daí, se fazer escolhas do melhor caminho, a alternativa mais eficiente e econômica, além de formular objetivos estratégicos que façam com que  a empresa chegue aos resultados esperados e projetados.

São inúmeros os depoimentos de CEOs de grandes conglomerados empresariais, além dos que pertencem às micro e médias empresas, que passaram a adotar novos modelos de gestão, a partir da absorção de novos conceitos de administração, utilizando-se de ferramentas como Planejamento Estratégico. Além do que, alinhamento das estratégias com os objetivos organizacionais, aplicação do Modelo SWOT no Planejamento, democratização das relações de trabalho e assim por diante.

A mídia e as revistas especializadas, têm muito divulgado as empresas de consultoria que se propõem a prestar assistência e aconselhamento às organizações, com ênfase no gerenciamento da Inteligência Artificial e implantação e atualização de novas tecnologias da informação, gestão financeira, patrimonial e de Pessoas, que motivem o CEO a promover uma melhor reestruturação e modernização empresarial.

O maior inimigo da inovação é a resistência à mudança. Chega-se a ser vantajoso para alguns permanecerem na Zona de Conforto, porque acham que inovar exige elaboração de projetos, mudanças de comportamento, níveis de cognição compatíveis, elevação dos custos empresariais, abandono dos velhos hábitos e costumes. Inovar, mudar para quê? Por sua vez, aumentar o comprometimento, requer pesquisa, toma tempo das pessoas com reuniões e mais reuniões. “Prefiro ficar na zona de conforto”, assim dizem os inconformados com as mudanças e os incapazes de desenvolver raciocínio estratégico.

Segundo a Escola Nacional de Administração Pública – ENAP, “mudar a cultura de uma organização no contexto público, leva tempo. A forma hierárquica com que o setor público se organiza, pouco flexível e focado em garantir a estabilidade interna e a seguir à risca regras e procedimentos, existe por um motivo. Essa estrutura foi pensada para garantir princípios públicos como a impessoalidade nos serviços e nas políticas públicas”.

Penso ainda que, precisa haver humildade para se promover algumas inovações, haja vista ter que enfrentar bloqueios, confrontar o ego das pessoas retrógadas, ocupantes de cargos e funções, tanto na iniciativa privada quanto no setor governamental, que se posicionam alheias ao que está ocorrendo em sua volta. O empresário, o gestor e o colaborador precisam correr riscos, quando inovar é um risco positivo para se alcançar o sucesso e fazer a diferença no mercado de trabalho, sobressair-se, obter níveis de competitividade entre os concorrentes, principalmente quando a concorrência é tida como salutar para oferecer a melhor entrega de produtos e serviços ao consumidor.

Nesta oportunidade, gostaria de divulgar a existência de um programa jornalístico na Globo News, aos sábados, sob a coordenação da jornalista Monica Waldvogel. Numa de suas edições, esteve presente o economista Gustavo Pimentel, CEO da empresa mineradora VALE. S.A. Pimentel, foi escolhido para liderar a mineradora com foco em governança, conformidade e fortalecimento das operações de minério de ferro e metais de transição energética.

Na entrevista, Pimenta foca em reposicionar a Vale como referência em segurança e aumentar a competitividade no mercado internacional, particularmente em cobre e níquel. Quando lhe foi indagado sobre a questão gestão, o CEO foi muito enfático em afirmar que a sua gestão é participativa e compartilhada, pois todas as decisões estratégicas passam por um colegiado e os debates, mesmo admitindo-se controversas, adota-se como prioridade ouvir um lado, depois o outro.

E com isso busca-se o melhor caminho e o entendimento para solucionar os problemas, por vias democráticas e abertas. Gustavo Pimenta, desenvolveu sua carreira como executivo em países como Panamá e EUA, tendo ocupado cargos de liderança, e obtido fluência verbal na língua inglesa. Pela entrevista, o telespectador pôde captar o quanto ele conquistou em sua carreira profissional de sucesso, por sua Inteligência Emocional, como alguém que se encontra preparado para liderar uma empresa como a Vale Mineração ou qualquer outra a nível internacional.

Assim foram as palavras do economista Gustavo Pimentel, CEO da empresa Vale S.A. comprometida com a produção da mineração, um profissional de renome internacional: “eu gosto de ouvir bastante, cresci nas últimas décadas desenvolvendo um modelo de liderança e a liderança mudou muito, pois vários são os líderes que estão aí no mercado, hoje, que evoluíram nesse sentido, um modelo mais humano, mais disponível para escutar.  Ou seja, também saber fazer as perguntas que geram diálogo, reflexão e daí poder se chegar às melhores decisões. É importante que o líder adote uma posição de servir a Companhia e não ser servido”.


Por Prof. Adm. Marcus Fleming. Pós-graduado em Planejamento e Didática do Ensino Superior/RJ, Especialização em Complementação Pedagógica – UFAC, Mestrado em Administração – UFMG/BH, Contabilista, Ex-professor Universitário da extinta Universidade Gama Filho/RJ e FIRB/FAAO/AC e do Ensino Médio – SEE/AC. Auditor de Controle Externo TCE – AC aposentado.

(…)

Frei Caneca FM – a primeira rádio pública do Brasil

 

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