LATAM joga R$ 160 mil na mesa para roubar comandante de E195-E2 no Brasil
Eu estava aqui no Cosme Velho, de robe, esperando a manicure subir, quando o celular começou a apitar feito panela de pressão esquecida no fogo. Era o grupo de WhatsApp dos meus informantes da aviação, gente que vive de café requentado em sala de tripulantes e sabe de cada fofoca de cabine. O babado de hoje não tem traição nem flagra de motel, mas tem cifra que faz qualquer barraco de famoso parecer troco de padaria. A LATAM Brasil resolveu abrir o cofre.
A notícia, contada com a frieza de quem assina nota oficial, é simples e suculenta. A companhia anunciou nesta segunda uma nova seleção para comandantes do Embraer E195-E2 e vai pagar bônus de contratação de R$ 160 mil em parcela única para cada piloto admitido. As inscrições rolam na página Trabalhe Conosco até as 21h59 do dia 28 de junho, e quem assina o recado é Jefferson Cestari, diretor de Recursos Humanos, falando em profissionais altamente qualificados e foco no cliente, o blá-blá-blá corporativo de sempre.
Agora deixa eu fazer o que faço de melhor, que é lembrar o que ninguém lembra. Esse jatinho não caiu do céu de paraquedas. A LATAM encomendou 24 unidades do bichinho, num pacote avaliado em cerca de US$ 2,1 bilhões, com entrega marcada para o segundo semestre de 2026, e já formou em maio a primeira turminha com 31 comandantes e 23 copilotos. Ou seja, meus amores, a casa já estava montando o time muito antes de mandar esse convite dourado para o resto do mercado.
E aqui entra o veneninho da realidade. Piloto bom não nasce em árvore, e a indústria inteira está se cotovelando para abocanhar comandante com cinco mil horas de voo, carteira de E-JETS na mão e passaporte em dia. R$ 160 mil de bônus não é caridade, é guerra de talento disfarçada de generosidade, exatamente como cachê milionário que emissora paga para tirar apresentador da concorrência. A LATAM ainda fez questão de cravar que é a maior empregadora do setor aéreo nacional, com mais de 23 mil funcionários, num recado que tem mais cheiro de provocação aos rivais do que de RH.
Confesso que adorei a cena toda. Tem requisito de visto americano, ensino superior, ICAO 4, parece edital de Big Brother para gente fina de farda azul. E enquanto subcelebridade briga por seguidor comprado, esses comandantes vão receber seis dígitos só pela honra de apertar o cinto num avião zero quilômetro. Se R$ 160 mil é o preço de quem dirige a aeronave, eu já estou aceitando candidatura para copilota da minha própria coluna.
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