Lewandowski entrega carta de demissão a Lula; ministro da Justiça alegou motivos pessoais
O titular do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP),
Ricardo Lewandowski, entregou, na tarde desta quinta-feira (8), ao presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma carta de renúncia ao cargo.Magistrado aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), ele
assumiu a pasta em fevereiro de 2024 e deixará o MJSP com quase dois anos de
gestão. O ministro justificou o pedido de demissão alegando questões pessoais e
familiares.A imprensa vinha especulando sobre uma possível demissão de Lewandowski
há várias semanas. A decisão será publicada na próxima edição do Diário Oficial
da União (DOU).Na manhã de hoje, o ministro participou de sua última agenda pública ao lado do presidente, no evento
que marcou os três anos da trama golpista. Seu cargo deverá ser assumido,
de forma interina, pelo secretário-executivo da pasta, Manoel Almeida.Na carta, Lewandowski agradeceu a Lula pela oportunidade de
servir ao país, mesmo após a aposentadoria do STF. Também destacou que exerceu o
cargo de ministro da Justiça com dignidade. "Tenho a convicção de que
exerci as atribuições do cargo com zelo e dignidade, exigindo de mim e de meus
colaboradores o melhor desempenho possível, em prol de nossos administrados,
consideradas as limitações políticas, conjunturais e orçamentárias das
circunstâncias pelas quais passamos", escreveu.Responsável por uma ampla gama de atribuições, o Ministério
da Justiça e Segurança Pública conta com importantes instituições e órgãos
vinculados. É o caso, por exemplo, da Polícia Federal (PF), da Polícia
Rodoviária Federal (PRF), do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), da Secretaria
Nacional de Política sobre Drogas (Senad) e da Secretaria Nacional do
Consumidor (Senacon).Balanço – Em outra carta, de despedida, Lewandowski
se dirigiu aos servidores do órgão. Nesta, ele fez um balanço das ações de sua
gestão. O ministro destacou, por exemplo, o "destravamento" das
demarcações de terras indígenas, que ficaram paralisadas desde 2018. "Entre
2024 e 2025, assinamos 21 Portarias Declaratórias, garantindo a proteção
territorial de diversas comunidades indígenas. O Ministério da Justiça e
Segurança Pública assegurou plena segurança jurídica aos processos, o que
permitiu a assinatura de cinco decretos de homologação em 2024 e de sete em
2025, todos em estrita conformidade com os marcos legais e
constitucionais", declarou.Lewandowski apontou, ainda, o programa de implantação das câmeras corporais em agentes de segurança
pública, que teve adesão de 11 estados e investimentos de R$ 155,2
milhões em equipamentos.Segundo ele, outro destaque foi a regulamentação do uso progressivo da força pela polícia, seguida
da aquisição e distribuição de armamento de menor potencial ofensivo, que já
conta com 21 adesões estaduais. "Avançamos de forma consistente no
controle de armas e munições. Retiramos de circulação 5.600 armas e 298.844
munições e implantamos o novo sistema de gestão e fiscalização de armas de
CAC, sob responsabilidade da Polícia Federal, fortalecendo o controle estatal
e a rastreabilidade", afirmou.Outros programas da pasta, como o Celular Seguro, o Município Mais Seguro e o leilão de bens
apreendidos pelo crime organizado foram lembrados pelo ministro. No campo dos
direitos de crianças e adolescentes, Lewandowski citou a atualização da
política de Classificação Indicativa, com criação da faixa de não recomendado a
menores de 6 anos e adequações para o ambiente digital.Futuro – O próximo gestor a assumir o MJSP
terá pela frente o desafio de fazer avançar uma das principais apostas do
Governo Federal na área: a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança
Pública, que avançou no Congresso
Nacional, no fim do ano passado, mas que ainda tem um longo caminho até
a aprovação final.
*Com informações da
Agência Brasil....
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