Líder Supremo pede reconstrução e fala em força do Irã em nova mensagem

Mai 28, 2026 - 10:00
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Líder Supremo pede reconstrução e fala em força do Irã em nova mensagem

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, elogiou a “coesão sem precedentes” após os Estados Unidos e Israel lançarem a primeira campanha militar letal contra o país, apelando, em uma declaração escrita, para “esforços ainda maiores para preservar a unidade” da população.

“A verdadeira essência e a força interior do povo iraniano – na fé, na esperança e na ação – foram demonstradas tanto a amigos quanto a inimigos”, disse Khamenei em uma mensagem escrita atribuída ao líder supremo e publicada na agência de notícias semioficial Fars nesta quinta-feira (28).

O líder não é visto em público desde que foi ordenado como o mais alto líder espiritual do país em março – após seu pai e antecessor, Ali Khamenei, ter sido morto em ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra Teerã.

Em vez disso, Mojtaba Khamenei tem publicado apenas memorandos escritos.

Em sua mensagem mais recente, ele procurou apresentar o Irã como um país resiliente à campanha militar conjunta dos EUA e de Israel, valorizando a “solidariedade nacional”, alertando contra “disputas políticas sem sentido” e enfatizando os esforços de “reconstrução” – após semanas de bombardeios que destruíram centros de saúde, escolas e patrimônios históricos.

Os bombardeios conjuntos dos EUA e de Israel também fragmentaram os mais altos escalões da liderança iraniana e abriram um vácuo de poder.

Em sua declaração desta quinta-feira, Khamenei pediu aos legisladores que “aprofundem e acelerem a legislação e a fiscalização, a fim de lançar as bases para o futuro do Irã”.

“A sede da representação parlamentar deve ser vista como uma trincheira na linha de frente do caminho do país rumo ao progresso”, acrescentou ele.

Ao mesmo tempo, as negociações indiretas entre Teerã e Washington para pôr fim às hostilidades e alcançar uma resolução definitiva estão, até o momento, paralisadas, visto que as principais demandas de ambas as partes permanecem sem resposta.

O novo líder supremo foi ferido nos ataques aéreos de 28 de fevereiro à residência de seu pai em Teerã, e seu isolamento gerou especulações sobre a gravidade de seus ferimentos.

Esta semana, o Ministério da Saúde do Irã afirmou que Mojtaba Khamenei sofreu apenas “ferimentos superficiais” no rosto, cabeça e pernas, contestando relatos da mídia ocidental de que um de seus membros teria sido amputado.

Desde o início da guerra, autoridades iranianas insistem que Khamenei tem uma boa saúde e supervisiona as negociações com os Estados Unidos para o fim do conflito, culpando os inimigos do Irã por espalharem rumores sobre seu estado de saúde.

Relembre como começou a guerra no Irã

No dia 28 de fevereiro, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump anunciou um ataque “de grande escala” ao Irã, afirmando que o principal objetivo do país era “defender o povo americano, eliminando as ameaças iminentes do regime iraniano”.

Segundo ele, essas ameaças incluíam o programa nuclear de Teerão – um ponto de atrito recorrente que também tem dificultado as negociações mais recentes para pôr fim aos combates.

Os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o  — que resultaram na morte do então líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei — causaram milhares de mortes em todo o país e danos a dezenas de museus, edifícios históricos e sítios culturais, segundo veículos de imprensa e autoridades iranianas.

Em resposta, o Irã lançou uma série de ataques retaliatórios em todo o Oriente Médio e fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

Semanas antes do início da guerra, o governo Trump realizou o maior  no Oriente Médio desde a invasão do Iraque em 2003, desencadeando alertas sobre a escalada da violência regional caso um conflito eclodisse.

Ao mesmo tempo, enviados dos EUA mantinham conversas regulares com o Irã sobre um possível novo acordo nuclear. Mas essass não foram capazes de evitar uma ação militar, com Trump acusando o Irã na época de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”.

O início da guerra em fevereiro também ocorreu após protestos em massa contra o regime no Irã no mês anterior, alimentados pelo descontentamento econômico em meio ao aumento vertiginoso dos custos.

Quem é Mojtaba Khamenei, o novo líder supremo do Irã

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